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Prescrição médica: orientações de como fazer

Tempo de leitura: 4 minutos.

Receitar tratamentos é uma das tarefas mais comuns do dia a dia do médico. No entanto, o processo de elaborar uma prescrição ainda pode gerar muitas dúvidas, principalmente entre os profissionais mais jovens. O objetivo desse artigo é listar as principais orientações de como fazer uma prescrição médica, o que deve ser evitado, os erros mais comuns e os principais tipos de receita.

Prescrição de medicamentos: passo a passo

A prescrição racional de medicamentos significa escolher o melhor tratamento medicamentoso, com base nos critérios de eficácia, segurança, aplicabilidade (comodidade) e custo financeiro para o paciente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere os seguintes passos para o sucesso da prescrição:

1. Definir o problema do paciente
2. Especificar o objetivo terapêutico
3. Verificar se o tratamento se adequa ao paciente: considerar eficácia, custo, segurança, conveniência e aplicabilidade
4. Fazer a prescrição de forma clara, legível e com indicações precisas
5. Fornecer instruções, informações e recomendações ao paciente: efeitos do medicamento, colaterais possíveis, instruções de uso e avisos
6. Monitorar o tratamento

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Componentes básicos da receita médica

Alguns elementos devem estar presentes em todas as receitas. São eles:

  • Tipo de receita;
  • Data;
  • Individualidade;
  • Via de administração;
  • Fármaco: genérico e/ou comercial;
  • Posologia e forma de apresentação;
  • Tempo de uso;
  • Indicação;
  • Advertências;
  • Efeitos colaterais principais.

Cirurgiões Dentistas podem prescrever?

Essa é uma dúvida muito comum, principalmente entre os pacientes. De acordo com a legislação que regulamenta o exercício da Odontologia, o cirurgião dentista está apto a: “prescrever e aplicar especialidades farmacêuticas de uso interno e externo, indicadas em Odontologia, além de ser permitida a prescrição e aplicação de medicamentos de urgência no caso de acidentes graves que comprometam a vida e a saúde do paciente”.

As substâncias mais comuns na Odontologia incluem os anti-inflamatórios, analgésicos e antissépticos.

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Tipos de receita médica

Entre os modelos de receita mais comuns reconhecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), destacam-se:

– Receita simples: utilizada para a prescrição de medicamentos anódinos e de tarja vermelha.

– Receita de controle especial: utilizada para a prescrição de medicamentos de tarja vermelha, como substâncias sujeitas a controle especial, retinoicas de uso tópico, imunossupressoras e antirretrovirais, anabolizantes, antidepressivos, etc.

– Receita azul ou receita B: é um impresso, padronizado na cor azul, utilizado para a prescrição de medicamentos que contenham substâncias psicotrópicas.

– Receita amarela ou receita A: é um impresso, padronizado na cor amarela, utilizado para a prescrição de entorpecentes e psicotrópicos.

– Receita renovável: é um modelo criado para a comodidade dos utentes, sendo particularmente útil para os doentes crônicos. Intenciona evitar que o paciente tenha que se deslocar com frequência aos centros de saúde e hospitais para a obtenção exclusiva de receitas.

Importante lembrar que a receita médica não pode conter rasuras, emendas ou irregularidades que possam prejudicar a verificação da sua autenticidade.

Carimbo na prescrição é obrigatório?

Segundo a legislação da ANVISA e do CFM, o carimbo não é obrigatório, desde que o médico ou outro profissional da saúde prescritor, descreva manualmente e de forma legível seu nome completo e o número do CRM. Dessa forma, para que o documento tenha validade, basta a assinatura.

O uso do carimbo só é obrigatório para o recebimento do talonário para prescrição de medicamentos e substâncias entorpecentes e psicotrópicos.

Prescrição e o médico online

De acordo com a legislação atual, o médico não deve prescrever tratamento sem a realização do exame físico, exceto em casos de emergência ou impossibilidade, portanto, prescrição à distância (seja por telefone, mensagem, etc) sem o exame direto do paciente não deve ser realizada. A exceção à regra é a Telemedicina, uma prática reconhecida e regulamentada pelo CFM.

Principais erros de prescrição médica

Os erros mais comuns nas prescrições são:

  • Letra ilegível sem a devida identificação do registro no Conselho Regional de Medicina;
  • Rasuras;
  • Ausência de data de validade;
  • Prescrever medicamentos ou solicitar exames sem avaliação direta do paciente (exame físico);
  • Omissão da dose na prescrição;
  • Horário errado de administração.

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Relação médico-paciente e adesão ao tratamento

A relação médico-paciente é possivelmente um dos aspectos mais importantes no tratamento de uma doença. O médico deve ter transparência na prescrição, com esclarecimentos e disponibilidade para possíveis reações adversas. Atualmente, estima-se que 25 a 50% dos pacientes não aderem ao tratamento da maneira correta (dependendo do tipo e duração) e mudar esse quadro é um dos desafio da medicina no séc. XXI.

É importante frisar que a adesão diz respeito ao tratamento como um todo: dieta, medidas não farmacológicas, medicação e até a realização de exames e comparecimento à consulta. A relação entre o médico e o paciente é fundamental na adesão ao tratamento e lembrar de algumas ações (simplificadas pelo mnemônico SIMPLE) podem ajudar na hora da prescrição:

Simplifique posologia
Intensifique a oferta de conhecimento sobre a patologia para o paciente
Modifique crenças e mitos
Promova melhora da comunicação entre médico, paciente e familiares
Leve em consideração aspectos demográficos
Evolução da aderência

Referências:

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