Página Principal > Colunistas > Proctite actínica: o que o não especialista precisa saber
colonoscopia

Proctite actínica: o que o não especialista precisa saber

Tempo de leitura: 2 minutos.

Recebemos sempre pacientes referenciados para tratamento com o proctologista com história de sangramentos. Alguns deles têm sintomas muito específicos, como tenesmo, urgência evacuatória, mucorreia e sangramento (misturado às fezes, ao muco ou mesmo sozinho, em maior quantidade). Esses sintomas nos levam a suspeitar de uma proctite.

Proctite é, por definição, a inflamação da mucosa do reto. Essa inflamação ocorre por diversos motivos: seja por doença inflamatória intestinal, alguma causa inespecífica ou, por exemplo, por reflexo de radioterapia adjacente. É nesta última que vamos nos concentrar nesse momento.

A proctite pós-radioterapia é causada pelo efeito direto sobre o reto e sua mucosa de tratamentos radioterápicos empregados em áreas adjacentes, seja para próstata, colo uterino ou canal anal. Essa radiação provoca uma lesão na mucosa que é classificada como aguda ou crônica. A fase aguda ocorre até 3 meses da radioterapia, havendo uma predominância de hiperemia de mucosa e úlceras, e não necessariamente evolui para a fase crônica. Já a fase crônica, que pode levar de meses até anos para se manifestar, teria como mecanismo de lesão isquemia e fibrose de mucosa. O fato de levar anos para iniciar os sintomas pode confundir o paciente e até muitos médicos. A lesão é tratável e alguns pacientes mantêm-se oligossintomáticos ou assintomáticos por toda a vida.

Mais da autora: ‘Sangramento anal: o que é e como diagnosticar corretamente’

O diagnóstico é feito pela colonoscopia ou retossigmoidoscopia. A lesão crônica se apresenta como telangiectasias na mucosa retal associadas a uma mucosa pálida e friável, de sangramento ao toque do endoscópio ou mesmo espontaneamente. As biópsias podem ser inconclusivas.

Para o tratamento, podem ser utilizados inicialmente os formadores de bolo fecal, como as fibras sintéticas, evitando traumas na região. Para sintomas mais agudos, podemos utilizar corticoides tópicos, mesalazina, etc. Há alguns tratamentos mais específicos, principalmente para a doença crônica, como a instilação de formalina e a utilização de plasma de argônio endoscópico. Já a cirurgia é reservada para complicações, como fístulas ou intratabilidade clínica.

Assim, a história do paciente é a mais importante nesse momento: se uma pessoa é previamente assintomática, mas tem história pregressa de radioterapia, com sintomas de proctite, deve ser encaminhada ao especialista (ainda que aguarde exame endoscópico), pois é possível fazer um diagnóstico na sala de exame, poupando tempo e sofrimento ao paciente.

Tenha sempre condutas atualizadas na sua mão! Baixe gratuitamente o Whitebook.

Autora:

Referências:

  • Corman’s – Colon and Rectal Surgery – 6th edition
  • The ASCRS Textbook of Colon and Rectal Surgery – 3rd edition
  • Cunha, TR – Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) – Fundação Pio XII – Hospital de Câncer de Barretos, 2015.
  • Comparação entre dois diferentes parâmetros de coagulação com plasma de argônio (APC) no tratamento da proctopatia actínica crônica: ensaio clínico com controle histórico.
  • TEIXEIRA FV, PILON B, MARCHIONI R. Tratamento da retite actínica hemorrágica com o uso de solução de formalina intra-retal:Relato de caso. Rev bras Coloproct, 2002;22(3): 184-189

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.