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Profissionais da saúde que trabalham à noite têm maior tendência à obesidade

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Os profissionais da saúde que trabalham em rotina de plantão noturno são continuamente expostos a diversas situações que favorecem a gênese de doenças crônicas e nos últimos anos têm emergido o debate acerca do risco aumentado de ganho de peso a que estariam submetidos. A obesidade está associada ao desenvolvimento de diversas condições que prejudicam a qualidade de vida, incluindo doenças cardíacas, doenças metabólicas, câncer e problemas osteomusculares, reduzindo potencialmente a capacidade da força de trabalho da saúde.

Diversos estudos têm sido conduzidos para investigar a associação entre trabalho noturno e ganho de peso. Uma avaliação recém-publicada, com 3.871 trabalhadores recrutados a partir de inquérito de base, categorizou participantes em grupos de trabalho noturno rotativo, permanente e irregular. Modelos de regressão logística múltipla foram utilizados para avaliar as associações entre trabalho noturno e diferentes índices de obesidade. O trabalho permanente no turno noturno apresentou as maiores chances de excesso de peso e obesidade abdominal aumentada. O trabalho noturno irregular também foi significativamente associado ao excesso de peso.

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Uma metanálise recente, que incluiu 28 estudos de diversos países (a maioria deles com profissionais da Enfermagem), demonstrou que o odds ratio global do trabalho noturno foi de 1,23 (intervalo de confiança de 95% = 1,17-1,29) para o risco de obesidade/excesso de peso. Trabalhadores noturnos permanentes demonstraram um risco 29% maior do que os trabalhadores em turnos rotativos, confirmando os riscos do trabalho noturno para o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade.

Alguns fatores que explicam essa associação são aspectos cronobiológicos, como a interrupção dos ritmos circadianos e a privação de sono, que podem prejudicar o metabolismo da glicose e a homeostase lipídica. Hábitos comportamentais também estão implicados neste processo, como redução da prática de atividades físicas – associada à fadiga aumentada – e comportamento alimentar alterado, com aumento de ingesta calórica.

Já foram sugeridas algumas alterações específicas nos mecanismos biológicos que explicam parte do aumento de ingesta calórica em plantonistas noturnos. Ao que parece, este grupo teria alterações nos níveis de hormônios gastrointestinais que regulam a saciedade, havendo maior tendência a aumento de grelina – peptídio produzido por células do estômago (considerado o “hormônio da fome”) –, bem como redução de hormônios que inibem o apetite, quando comparados a profissionais que trabalham de dia.

É importante que estudos futuros possam realizar avaliações mais precisas da prevalência de obesidade entre os profissionais da saúde e que as empresas possam conduzir programas destinados à promoção da saúde do trabalhador neste sentido. A obesidade aumenta a probabilidade de diversas condições patológicas e também pode ser causa de doenças relacionadas ao trabalho e acidentes de trabalho para profissionais estes profissionais, que implica em problema potencial para a eficácia e sustentabilidade do sistema de saúde.

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Referências:

  • Schiavo-Cardozo D, Lima MM, Pareja JC, Geloneze B. Appetite-regulating hormones from the upper gut: disrupted control of xenin and ghrelin in night workers. Clin Endocrinol (Oxf). 2013 Dec;79(6):807-11.
  • Sun M et al. Meta-analysis on shift work and risks of specific obesity types. Obes Rev. 2018 Jan;19(1):28-40.
  • Sun M et al. Night shift work exposure profile and obesity: Baseline results from a Chinese night shift worker cohort. PLoS One. 2018 May 15;13(5):e0196989.

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