Cardiologia

Proposta de nomenclatura universal para insuficiência cardíaca (IC)

Tempo de leitura: 4 min.

Muitos avanços se deram nos últimos anos em relação a insuficiência cardíaca (IC), uma doença de importância global com um fardo que aumenta continuamente. Os esforços em definir a doença levam em conta conceitos clínicos e metabólicos.

Entretanto as definições da doença são extremamente heterogêneas, o que dificulta definir claramente a doença para fins práticos e de pesquisa. No campo acadêmico as definições são extremamente variáveis o que dificulta comparações ou coleta de desfechos clínicos, por isso a necessidade de uma definição universal de IC que seja clinicamente relevante, simples, abrangente, aplicável globalmente e permita que todas as partes interessadas para preparar, prognosticar e orientar as terapias disponíveis, era urgentemente desejada.

Leia também: Ablação da fibrilação atrial (FA) em pacientes com insuficiência cardíaca (IC)

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No anos de 2020 diversas entidades se reuniram e propuseram as definições da doença, separando em definição geral, estágios da doença e classificação. Portanto ficou assim definido:

Definição:

“A IC é uma síndrome clínica com sinais e sintomas causados por uma anormalidade estrutural ou funcional do coração, corroborada por níveis elevados de BNP e/ou evidência objetiva de congestão pulmonar ou sistêmica.”

Estágios:

A revisão dos estágios levou em consideração a ênfase no sintomas para caraterização da progressão e gravidade da doença.

  • Estágio A – Risco de IC – Pacientes que não se encaixam na definição de IC, porém estão em risco de adquirir a doença (hipertensos não controlados, pacientes com risco cardiovascular elevado, valvulopatias não tratadas).
  • Estágio B – Pré IC – Pacientes sem sintomas da doenças porém evidenciando doença estrutural cardíaca, função cardíaca anormal, níveis elevados de BNP e troponina.
  • Estágio C – IC – Pacientes que se encaixam na definição de IC.
  • Estágio D – IC avançada – Sinais e sintomas em repouso, hospitalizações recorrentes a despeito do tratamento, refratariedade ou intolerância ao tratamento, necessidade de terapias avançadas como terapia de assistência ventricular, transplante cardíaco e cuidados paliativos.

Classificação de acordo com a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE):

  • IC com fração de ejeção reduzida – Sintomas de IC com FEVE igual ou menor que 40%.
  • IC com fração de ejeção levemente reduzida – Sintomas de IC com FE entre 41 e 49%.
  • IC com fração de ejeção preservada – Sintomas de IC com FEVE igual ou maior que 50%.
  • IC com fração de ejeção melhorada – Uma nova classificação que é definida como IC sintomática com uma FEVE basal. ≤ 40%, um aumento ≥ 10 pontos da FEVE basal e uma segunda medição de FEVE> 40%. 

Essas mudanças permitem que os profissionais de várias áreas de atuação falem a mesma língua, aumentando a sensibilidade e especificidade diagnóstica o que impacta em desfechos e custos.

Classificar a IC em estágios facilita a comunicação com o paciente e permite um melhor entendimento em relação a doença, seus fatores de risco, perspectivas futuras e tratamentos.

Saiba mais: AHA 2020: Rxepor ferro em pacientes com insuficiência cardíaca é benéfico?

Pacientes com IC melhorada ainda podem desfrutar de um melhor entendimento da doença, explicitando que uma melhora não garante a ausência de risco de recorrência. 

Por fim, são diversas as vantagens de uma nova classificação universal, simples, porém abrangente, com maior sensibilidade e especificidade, além de fácil aplicabilidade e validade prognóstica e terapêutica. 

Autor(a):

Referências bibliográficas:                                                                          

  • Bozkurt B, Coats AJ, Tsutsui H, et al. Universal Definition and Classification of Heart Failure: a report of the Heart Failure Society of America, Heart Failure Association of the European Society of Cardiology, Japanese Heart Failure Society and Writing Committee of the Universal Definition of Heart Failure. J Card Fail. 2021;27:387-413. doi10.1016/j.cardfail.2021.01.022
  • Abramov D, Kittleson MM. The Universal Definition of Heart Failure: strengths and opportunities. J Card Fail. 2021;27-622-24. doi: 10.1016/j.cardfail.2021.03.009
  • Halliday BP, Wassall R, Lota AS, et al. Withdrawal of pharmacological treatment for heart failure in patients with recovered dilated cardiomyopathy (TRED-HF): an open-label, pilot, randomised trial. Lancet. 2019;393:61-73. doi:10.1016/S0140-6736(18)32484-X
  • Lam CSP, Yancy C. Universal Definition and Classification of Heart Failure: is it universal? Does it define heart failure? J Card Fail. 2021;27:509-11. doi10.1016/j.cardfail.2021.01.022
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Publicado por
Gabriel Quintino Lopes

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