Pediatria

Proposta de um esquema de antibioticoterapia para crianças com sepse

Tempo de leitura: 2 min.

Recentemente, no artigo Septic shock in pediatrics: the state-of-the-art, os pesquisadores brasileiros Garcia, Tonial e Piva descreveram uma proposta de esquema de antibioticoterapia para o tratamento de pacientes pediátricos com sepse. O artigo foi publicado no Jornal de Pediatria, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Leia também: Concordância entre o uso de medicamentos vasoativos e sepse em pediatria

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Método do estudo

De acordo com os pesquisadores, a escolha do antibiótico na sepse deve ser direcionada segundo a epidemiologia local, o foco infeccioso e o resultado das culturas. Contudo, esses dados nem sempre estão bem estabelecidos no atendimento inicial. De uma forma empírica, os autores sugerem monoterapia com cefalosporina de terceira geração (ceftriaxona 100 mg/kg/dia por via intravenosa – IV) nos casos de infecções comunitárias. Para os pesquisadores, a associação de antibióticos não parece mostrar nenhum benefício na melhora dos desfechos de crianças previamente hígidas e sem fatores de risco. Ademais, destacam que os efeitos adversos são menos frequentes com a monoterapia.  Entretanto, essa proposta pode não ser adequada em um paciente com risco de infecção por estafilocos meticilina resistente da comunidade, por gram negativos multirresistentes ou com história de imunossupressão ou neutropenia.

No caso de pacientes com infecção adquirida no ambiente hospitalar ou internados em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) com quadro de choque refratário, os pesquisadores sugerem a associação de vancomicina a um betalactâmico (piperacilina + tazobactam) ou cefalosporina de quarta geração (cefepime) com ação antipseudomonas, devido ao risco elevado de infecção por estafilococos resistentes a meticilina e Pseudomonas sp. O local da internação e a gravidade influenciam na escolha da antibioticoterapia.

Saiba mais: Como evitar excessos de soroterapia na sepse?

Os pesquisadores descrevem que utilizam um tempo máximo de tratamento de 7 dias para pacientes com boa evolução clínica e que não isolaram nenhum agente etiológico nas culturas. No entanto, o tratamento pode ser mais prolongado (10 a 14 dias) para pacientes imunossuprimidos, neutropênicos ou difícil resolução do foco infeccioso (como, por exemplo, empiema, necrose ou abcesso).

O esquema de antibioticoterapia em pacientes pediátricos com sepse proposto pelos pesquisadores encontra-se no quadro a seguir:

Sepse sem foco definido Ceftriaxona 100 mg/kg/dia
Sepse sem foco definido de origem hospitalar Vancomicina 60 mg/kg/dia + cefepime 100 mg/kg/dia
Neutropênico febril Cefepime 150 mg/kg/dia + vancomicina 60 mg/kg/dia se houver suspeita de infecção de cateter de longa permanência
Sepse de foco abdominal Ceftriaxona 100 mg/kg/dia + gentamicina 7 mg/kg/dia + metronidazol 30 mg/kg/dia ou clindamicina 30 mg/kg/dia
Sepse de foco abdominal de origem hospitalar Cefepime 100 mg/kg/dia + gentamicina 7 mg/kg/dia + metronidazol 30 mg/kg/dia ou clindamicina 30 mg/kg/dia
Suspeita de pneumonia atípica Associar azitromicina 10 mg/kg/dia
Suspeita de síndrome do choque tóxico estafilocócico Associar clindamicina 30 mg/kg/dia
Suspeita de encefalite Associar aciclovir 30 mg/kg/dia
Fonte: Adaptado de Garcia, Tonial e Piva (2020).

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Garcia PCR, Tonial CT, Piva JP. Septic shock in pediatrics: the state-of-the-art. J. Pediatr. (Rio J.),  Porto Alegre. 2020 Mar;96(supl. 1):87-98.
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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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