Quais anti-hipertensivos estão associados a menor risco de depressão?

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Algumas condições estão associadas a um risco aumentado de depressão, como hipertensão, doenças cardio e cerebrovasculares, entre outras. Além disso, tanto o transtorno depressivo maior como os sintomas depressivos possuem uma relação de maior mortalidade e morbidade, pior qualidade de vida e maior utilização de serviços de saúde. Esse conjunto gera um aumento dos custos.

Estudos epidemiológicos mostram um risco diferenciado entre as classes de anti-hipertensivos e outros medicamentos usados para doenças cardiovasculares e a depressão. Por isso, um estudo recente, publicado esta semana pelo Hypertension, buscou avaliar se os principais medicamentos usados no tratamento desses pacientes podem ter uma relação de risco com a depressão.

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Anti-hipertensivos e risco de depressão

Quatro classes principais usadas ​​atualmente para hipertensão e doenças cardiovasculares e cerebrovasculares foram escolhidas para o estudo: agentes de angiotensina (inibidores da enzima conversora de angiotensina — ECA — e bloqueadores do receptor de angiotensina II – ARBs); antagonistas de cálcio; betabloqueadores; e diuréticos.

Foram usados registros de base populacional dinamarqueses (5,4 milhões de indivíduos em janeiro de 2005), sendo excluídos indivíduos que compraram antidepressivos pelo menos uma vez entre o início do registro médico, em 1995, e o início do estudo, 1º de janeiro de 2005, e pessoas com diagnóstico de depressão antes de entrar no estudo.

Os desfechos avaliados foram: primário sendo o diagnóstico de transtorno depressivo (CID: DF32-DF33.31), conforme Registro Central Psiquiátrico Dinamarquês, e secundário uma combinação de um diagnóstico depressivo como especificado antes ou uso de antidepressivos.

O acompanhamento foi feito até dezembro de 2015 ou: data de morte ou data de diagnóstico de transtornos mentais do paciente.

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Resultados

  • Durante o período de 2005 a 2015, 3.747.190 pessoas foram expostas a pelo menos um medicamento anti-hipertensivo;
  • As taxas de risco de depressão (desfecho 1) e de risco de depressão ou uso de antidepressivos (desfecho 2), respectivamente, foram significativamente menores em pessoas sem uso de medicamentos anti-hipertensivos em comparação com aqueles medicados;
  • O uso contínuo de medicamentos das classes de agentes de angiotensina, antagonistas de cálcio e betabloqueadores tiveram taxas de risco diminuídas (p < 0,001) em todas as quatro análises;
  • Os diuréticos não tiveram nenhum efeito significante;
  • Dos agentes de angiotensina, enalapril e ramipril foram associadas a taxas reduzidas de depressão;
  • Entre os antagonistas de cálcio, amlodipina, verapamil e combinações do verapemil também demonstraram risco menor de depressão;
  • Entre os betabloqueadores, a redução do risco foi demonstrada no uso de propranolol, atenolol, bisoprolol e carvedilol;
  • Todos os medicamentos citados tiveram valores de p < 0,001, com exceção do verapamil em uma análise (p = 0,004) e combinações do mesmo em duas análises (p = 0,022 e p = 0,020).

Conclusões

Apesar de hipertensão e doenças cardio e cerebrovasculares aumentarem o risco de depressão, o estudo demonstrou que medicamentos das principais classes utilizados no tratamento dessas condições pode reduzir esse risco, com exceção apenas dos diuréticos.

Sendo assim, em pacientes que possuem maior predisposição a desenvolver depressão por outros fatores além das condições citadas, podem se beneficiar mais dos medicamentos que possuem riscos reduzidos, sendo eles: enalapril e ramipril; amlodipina, verapamil e combinações do verapemil; e propranolol, atenolol, bisoprolol e carvedilol.

Entre as limitações do estudo, podemos citar casos não diagnosticados e registrados nos bancos de dados tanto de hipertensão e doenças cardio e cerebrovasculares, como de depressão. Além disso, não foi possível entender a adesão dos medicamentos prescritos para confirmar que todos os participantes analisados estavam fazendo uso correto dos medicamentos.

Mesmo assim, por ser um estudo de base populacional, o grande número de pessoas envolvidas faz com que os resultados sejam significativos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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