Mastologia

Quais as opções de reconstrução dos seios após o tratamento do câncer de mama?

Tempo de leitura: 4 min.

A reconstrução dos seios é uma medida importante para mulheres afetadas pelo câncer de mama. Mesmo a técnica com implantes sendo a mais comum existem outras opções quando se trata da cirurgia após o tratamento. 

Vale ressaltar que o cirurgião plástico deve discutir com as pacientes sobre qual tipo de reconstrução é a melhor para cada caso, com base no histórico clínico e em fatores, como idade, estado de saúde geral, tipo de corpo, estilo de vida, metas, entre outros. 

“Com o avanço da tecnologia, podemos usar um ou mais caminhos para restituir os seios. Para muitas pessoas esse processo é essencial para se recuperar psicologicamente de um momento tão difícil”, pontuou a cirurgiã plástica Patrícia Marques, especialista em reconstrução de mamas pelo Hospital da Santa Cruz e São Paulo, de Barcelona, em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED. 

A especialista, que atua no Brasil, esclareceu que a reconstrução dos seios é uma técnica complexa e os procedimentos escolhidos variam muito dependendo do caso, uma vez que o câncer de mama não é sempre tratado da mesma maneira.  “Existem mulheres que sofreram com uma cavidade no seio por conta da retirada de um tumor, ou até aquelas que passaram por uma mastectomia”.

Saiba mais: Inteligência artificial no rastreamento de câncer de mama

Tipos de procedimentos

Existem vários tipos de reconstrução mamária disponíveis, porém os principais são: 

  • Implantes mamários;
  • Procedimentos usando retalhos cutâneos;
  • Reconstrução do mamilo e da aréola. 

“Em casos de cirurgia conservadora, ou seja, boa parte do seio foi preservada, pode ser feito um trabalho de reconstrução utilizando retalhos de pele da própria mama ou da sua lateral, assim como enxertos de gordura de outras partes do corpo, para corrigir as deformidades, inclusive na área das aréolas e mamilos”, destacou a cirurgiã plástica.

Implantes de silicone: vantagens e desvantagens

A reconstrução mamária após o câncer pode ser imediata, quando acontece junto à cirurgia de retirada total ou parcial da mama, ou tardia, quando é realizada em meses ou anos após. Além disso, o cirurgião plástico pode utilizar materiais aloplásticos, de fora do organismo, que são as próteses de silicone, ou tecidos autólogos, da própria mulher, através de pele, músculo e gordura que podem vir da lateral da mama, costas ou abdômen, entre outros.

Segundo a especialista, a reconstrução utilizando implantes de silicone costuma ser mais rápida. Porém, dependendo do caso, o resultado pode ser menos natural e pode haver complicações inerentes ao uso de materiais sintéticos, como infecção e extrusão do implante. 

Já a reconstrução com retalhos, traz resultados muito naturais, mas são cirurgias mais longas e há ainda o risco da vascularização do tecido ser insuficiente e haver necrose/gangrena.  

“É importante salientar que não há reconstrução melhor ou pior. Ambas têm vantagens e desvantagens. O uso do implante de silicone em si é mais indicado quando é necessária a mastectomia. A prótese pode ser ainda combinada com os enxertos ou retalhos para uma aparência mais harmônica em alguns casos”, disse Patrícia Marques, que também pontuou sobre a aceitação do implante de silicone entre as pacientes. “Este recurso cirúrgico do implante já foi uma preocupação nos casos de câncer, e ainda há uma certa insegurança por parte de alguns pacientes, mas hoje é bem aceito pela comunidade médica por possuir ótimos resultados, quando utilizado com responsabilidade”.  

Um estudo publicado pela Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, acompanhou 2.284 pacientes que passaram pela reconstrução com implantes entre os anos de 1994 e 2016. Monitorando os casos até doze anos após a cirurgia, os pesquisadores consideraram dois fatores: a estética dos seios e a rejeição do corpo ao implante. Os resultados confirmaram a teoria inicial do trabalho, e os níveis de satisfação das pacientes permaneceu em um nível alto, avaliadas numa escala de pontos de 0 a 5. 

Segundo os autores do estudo, os resultados adicionam novas evidências sobre os resultados a longo prazo da reconstrução mamária baseada em implantes. Outras técnicas usam o próprio tecido do paciente (reconstrução autóloga – mais comumente usando um retalho da área abdominal). No entanto, essas abordagens envolvem um período de recuperação mais longo e riscos adicionais e não são uma opção para todos os pacientes.

Leia também: Fatores de risco para câncer de mama avançado após 2 anos de mamografia negativa

Importância de uma equipe multiprofissional 

Para a entrevistada Patrícia Marques, a importância de ter uma equipe multiprofissional em procedimentos de reconstrução dos seios é enorme. “Por ser um tratamento complexo e delicado é indispensável que a equipe de assistência esteja em contato e alinhada. A parte médica conta com mastologista, cirurgião plástico, oncologista e radioterapeuta. Mas há outros profissionais de grande relevância, como fisioterapeuta, enfermeira especialista em curativos, terapeuta ocupacional e assistente social”, complementou a cirurgiã plástica.

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*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Úrsula Neves

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