Oftalmologia

Quais colírios usar no atendimento ou prescrever para tratamento de gestantes?

Tempo de leitura: 2 min.

Lembre-se que o FDA lista cinco categorias indicando o potencial da droga causar efeitos potencialmente graves se utilizada durante a gestação, incluindo colírios. São elas:

Classe A: Estudos controlados em gestantes não mostraram risco para o feto;

Classe B: Estudos em animais não demonstraram risco fetal mas não há estudos em humanos;

Classe C: Faltam estudos em humanos. Os estudos animais demonstraram risco fetal. Devem ser administrados somente se o benefício justificar o risco;

Classe D: As investigações demonstram algum risco para o feto (evidência definitiva de risco), porém os benefícios podem ser aceitáveis;

Classe X: Estudos em animais e humanos demonstram um risco fetal que ultrapassam os possíveis benefícios. São contraindicados na gravidez. 

Leia também: Colírio para tratamento de ceratocone; você já ouviu falar?

As indicações de colírios

Sempre que usar medicações tópicas, use a menor dose possível para evitar os efeitos na mãe e no feto. Para minimizar a absorção sistêmica pode ser feita compressão nasolacrimal e oclusão de ponto temporária;

  • Betabloqueadores (colírio para glaucoma): Classe C no primeiro trimestre. Podem causar crescimento intrauterino restrito se usados no segundo ou terceiro trimestres (Classe D) e bloqueio neonatal persistente se usados próximo ao termo. Devem ser evitados na gravidez e descontinuados 2 a 3 dias antes do parto para evitar inibição da contratilidade uterina. Além disso estão associados a letargia, confusão e depressão no neonato além de bradicardia e arritmias. 
  • Inibidores da anidrase carbônica (colírio para glaucoma): Classe C. São contraindicados pelos efeitos teratogênicos.
  • Análogos de prostaglandina: Classe C. Não se sabe se a concentração plasmática com o uso tópico pode afetar o desenvolvimento do feto. No geral são evitados. A oclusão de ponto pode ser explicada a pacientes que utilizam medicações classe C para reduzir a absorção sistêmica e os riscos.
  • Midríaticos: Podem ser usados ocasionalmente para o exame da retina. O uso repetido é evitado pelos possíveis efeitos teratogênicos tanto dos parasimpaticolíticos quanto dos simpaticomiméticos.
  • Corticorteróides: Classe B. Existem evidências de que não há risco de efeito teratogênicos em fetos no uso de esteróides tópicos durante a gestação. O uso sistêmico é contraindicado.
  • Colírios antibióticos: Polimixina B e eritromicina são considerados seguros. Aminoglicosídeos e fluoroquinolonas devem ser evitados se possível.
  • Colírios antivirais: Classe B. Os efeitos do aciclovir tópico não foram estudados em gestantes. Podem ser usados, mas com cautela.
  • Fluoresceína tópica: Classe B. Não são conhecidos efeitos teratogênicos. Em relação a angiografia com fluoresceína durante a gestação a maioria dos especialistas em retina evita, especialmente durante o terceiro trimestre.
  • Anestesia tópica: Pode ser usada de forma segura durante a gestação;
  • Colírios antialérgicos: Estabilizadores de mastócitos são Classe B e seguros na gestação, enquanto os antihistamínicos são Classe C e devem ser evitados. 
  • Anti VEGF: Pegaptanib é Classe B e ranibizumab, bevacizumab e aflibercept são Classe C. O uso de anti VEGF na gestação é controverso pois eles podem ter efeitos colaterais sistêmicos como aborto espontâneo e pré eclampsia. Apesar disso algumas doenças como a retinopatia diabética e o edema macular cistóide podem necessitar de tratamento. Por esse motivo alguns autores ainda advogam o uso pesando-se o riscoX benefício em casos individualizados. 

 

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Publicado por
Juliana Rosa

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