Infectologia

Quais medidas devo tomar como profilaxia pós-exposição ao HIV?

Tempo de leitura: 4 min.

No dia 01 de dezembro o mundo celebra o Dia Mundial da Luta contra a AIDS, uma oportunidade para apoiar as pessoas envolvidas na luta contra o HIV e melhorar a compreensão do vírus para a população em geral.

A melhor forma de combater a AIDS ainda é a prevenção, através da prática de sexo seguro com preservativos e mantendo padrões de qualidade assistenciais em relação à assistência hospitalar e nos bancos de sangue, o que impactou diretamente na redução (quase abolição da transmissão por transfusões).

Ouça também: Exposição vertical ao HIV: caso clínico e principais cuidados [podcast]

Dentre as medidas de prevenção, temos a profilaxia pós-exposição (PEP). A PEP é uma medida de prevenção de urgência para ser utilizada em situação de risco à infecção pelo HIV, exigindo também a profilaxia específica para o vírus da hepatite B e para outras infecções sexualmente transmissíveis (IST). Consiste no uso de medicamentos ou imunobiológicos para reduzir o risco de adquirir essas infecções. Deve ser utilizada após qualquer situação em que exista risco de contágio, tais como:

  • Violência sexual;
  • Relação sexual desprotegida (sem o uso de camisinha ou com seu rompimento);
  • Acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes ou contato direto com material biológico).

Discutindo com foco na profilaxia para o risco de infecção pelo HIV, a PEP tem por base o uso de medicamentos antirretrovirais com o objetivo de reduzir o risco de infecção em situações de exposição ao vírus como as citadas acima.

Trata-se de uma urgência médica e deve ser iniciada o mais rápido possível (Preferencialmente nas primeiras duas horas após a exposição de risco e no máximo em até 72 horas do evento). A profilaxia deve ser realizada por 28 dias e a pessoa tem que ser acompanhada pela equipe de saúde, inclusive após esse período realizando os exames necessários. Atualmente a PEP é oferecida gratuitamente pelo SUS e é um direito de todos. Discutiremos abaixo com mais detalhes sobre o processo.

Profilaxia pós-exposição ao HIV

O primeiro passo é buscar atendimento inicial em uma unidade de saúde pública mais próxima após a exposição à situação de risco para o HIV, é necessário que o profissional avalie como, quando e com quem ocorreu a exposição. No segundo passo, didaticamente, quatro perguntas direcionam de forma objetiva o atendimento para decisão da indicação ou não da PEP:

  • O tipo de material biológico é de risco para transmissão do HIV?
  • O tipo de exposição é de risco para transmissão do HIV?
  • O tempo transcorrido entre a exposição e o atendimento é menor que 72 horas?
  • A pessoa exposta é não reagente para o HIV no momento do atendimento?

Se a resposta for sim para todas as perguntas, a PEP para HIV é indicada e deve ser iniciada o mais precocemente possível. Abaixo estão descritos os principais pontos de análise em relação à tomada de decisões sobre a indicação de PEP.

Quadro 1: Tipo de material biológico.

Fonte: Ministério da saúde.

Quadro 2: Tipo de exposição.

Fonte: Ministério da saúde.

Fluxograma 1: Fluxo de atendimento ao paciente pós-exposição.

Fonte: Ministério da saúde.

A escolha do esquema antirretroviral

O terceiro passo após a definição da indicação da PEP é a escolha do esquema antirretrovirais a serem iniciados. Diversos esquemas são possíveis levando em consideração aspectos individuais de cada paciente, o que é definido de forma cuidadosa na avaliação médica. Aqui segue o esquema preferencial de escolha para homens e mulheres, salvo a presença de situações especiais que fogem do foco deste artigo.

  • 1 comprimido coformulado de tenofovir/lamivudina (TDF/3TC) 300 mg/300 mg
  • 1 comprimido de dolutegravir (DTG) 50 mg ao dia.

O esquema deve durar 28 dias, levando sempre em consideração a vontade e cooperação do paciente. É direito do mesmo, por exemplo, recusar-se a receber o esquema de tratamento. O mesmo deve ser informado claramente da importância do tratamento, dos riscos possíveis em não aderir ao tratamento bem como das complicações possíveis decorrentes do uso do esquema medicamentoso.

O seguimento

O quarto e último passo consiste no seguimento clínico conjunto. Após receber o esquema de PEP e iniciar o tratamento, é de fundamental importância o acompanhamento regular com um infectologista assistente. O infectologista acompanhará possíveis complicações decorrentes do uso do esquema, como disfunções gastrointestinais, renal e hepática, bem como continuar o seguimento de investigação com a coleta de sorologias seriadas ao longo dos meses subsequentes, conforme a orientação clínica.

Saiba mais: Crianças acima de 6 anos que vivem com HIV têm nova opção de tratamento

Conclusão

Acredito que o passo mais importante de todos seja o primeiro, o de reconhecer uma situação de exposição de risco e buscar a ajuda profissional. O uso da PEP tem excelentes resultados, com eficácia comprovada e pode ajudar de forma importante a reduzir a transmissão do HIV para pessoas expostas de forma acidental. Em caso de dúvidas, não hesite em buscar ajuda. Procure o centro de saúde mais próximo de você e ajude no combate contra a AIDS. Combater a AIDS é um compromisso de todos nós.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

Compartilhar
Publicado por
Hiago Bastos

Posts recentes

A cirurgia bariátrica diminui o risco de câncer?

Estudo avaliou se submetidos à cirurgia bariátrica possuem uma diminuição da incidência de câncer comparada…

31 minutos atrás

Oseltamivir: o que você precisa saber para a prática clínica

O surto de Influenza vivenciado em todo o país durante o começo do ano de…

2 horas atrás

Efeitos do exercício físico sobre a hipertensão arterial resistente

É consenso que a prática rotineira de exercício físico é de grande benefício para o…

3 horas atrás

Anticorpos contra o vírus SARS-CoV-2 podem estar presentes no leite humano até 6 meses após a vacinação

Estudo sugere que anticorpos específicos para SARS-CoV-2 podem estar disponíveis no leite materno por até…

4 horas atrás

Covid-19: Bio-Manguinhos/Fiocruz recebe o registro da vacina 100% nacional

A Anvisa aprovou a inclusão do IFA no país terá uma vacina 100% nacional, com…

6 horas atrás

Status de neurodesenvolvimento aos seis meses de idade em crianças com e sem exposição ao SARS-CoV-2

Um estudo avaliou a exposição fetal intrauterina ao SARS-CoV-2 e o neurodesenvolvimento de lactentes aos…

24 horas atrás