Quais os aspectos laboratoriais do ácido úrico?

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O ácido úrico, também chamado de urato, é o produto final do catabolismo completo das purinas, que são bases nitrogenadas encontradas nos ácidos nucleicos (RNA e DNA). Ele apresenta síntese, majoritariamente, hepática e na mucosa intestinal, locais onde existem a enzima xantina-oxidase.

Suas concentrações estão relacionadas a múltiplos fatores, como dieta, produção endógena, hereditariedade e eliminação, tanto renal (reabsorção do ácido úrico nos túbulos proximais, secreção na porção distal e reabsorção nos túbulos distais), quanto pelo trato gastrointestinal (em menores proporções). Quando há um desequilíbrio entre produção e excreção, seus níveis séricos podem elevar-se, gerando um quadro de hiperuricemia.

A fim de avaliar seu metabolismo, ele pode ser dosado no sangue (soro) e na urina (amostra de 24 horas). Para sua análise sérica, alguns laboratórios clínicos recomendam que a amostra seja coletada pela manhã, em jejum de 8 horas, devendo ser utilizado o tubo de coleta para soro (tampa vermelha/amarela). O paciente deve evitar o uso de bebidas alcóolicas e de praticar exercícios físicos antes da coleta.

Já para a sua determinação na urina de 24 horas, a coleta deve ser feita em um frasco adequado fornecido pelo laboratório, contendo um conservante específico (carbonato de sódio).

vidrinhos de sangue para exame de ácido úrico

Ácido úrico: indicações e interferentes

A dosagem do ácido úrico no sangue e/ou na urina pode ser solicitada em algumas condições clínicas, como na avaliação de hiperuricemia/hiperuricosúria, gota, na investigação e acompanhamento de nefrolitíase e na monitoração de pacientes em quimioterapia/radioterapia, por exemplo.

Dado a possibilidade da sua determinação ser realizada em diferentes plataformas analíticas, com metodologias e fabricantes diversos, os interferentes analíticos, bem como os valores de referência podem variar entre os laboratórios clínicos. De um modo geral, suas concentrações são maiores durante o dia e menores à noite.

No soro, o uso de uma grande variedade medicamentos (ex.: ácido ascórbico, aspirina, alfametildopa, levodopa, alopurinol, cefotaxima, clorpromazina, espironolactona, prednisolona, dentre outros), bem como a coleta do sangue em tubos de coleta contendo oxalato de potássio, pode gerar interferências analíticas/farmacológicas em alguns ensaios.

Por sua vez, a sua dosagem na urina, utilizando frascos sem o conservante adequado (carbonato de cálcio), o uso de anti-inflamatórios, contrastes radiológicos, ácido ascórbico, diuréticos e varfarina, podem influenciar a excreção renal do ácido úrico, prejudicando a correta interpretação dos resultados.

Mensagem final

Assim como todo exame laboratorial, as concentrações de ácido úrico devem ser sempre interpretadas e correlacionadas com os dados clínicos, em conjunto com outros exames complementares e à luz de suas particularidades analíticas.

Quando bem indicado, ele é um importante marcador para o acompanhamento do tratamento de pacientes com gota ou sob regime quimio/radioterápico, a fim de evitar a deposição renal de urato e uma possível insuficiência renal.

Leia também: Aprovada a matriz de competências dos Programas de Residência Médica em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial

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Referências bibliográficas:

  • Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK, eds. Jacobs & DeMott Laboratory Test Handbook With Key Word Index. 5th ed. Hudson, OH: Lexi-Comp Inc, 2001.
  • Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. 1a ed. Rio de Janeiro: Atheneu; 2019.
  • McPherson RA, Pincus MR. Henry’s clinical diagnosis and management by laboratory methods. 23rd ed. St. Louis, MO: Elsevier; 2017.
  • Pagana KD, Pagana TJ, Pagana TN. Mosby’s Diagnostic & Laboratory Test Reference. 14th ed. St. Louis, MO: Elsevier; 2019.
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