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imagem digital de sangue representando anemia ferropriva e cirurgia bariátrica

Quais os fatores de risco para anemia ferropriva após cirurgia bariátrica?

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A cirurgia bariátrica apresenta resultados consistentes e grande melhora da qualidade de vida dos pacientes, especialmente nas complicações relacionadas a obesidade. No entanto, o procedimento não é isento de efeitos adversos nutricionais, como anemia ferropriva, especialmente a longo prazo, após a depleção das reservas pré-cirúrgicas.

Em relação exclusivamente à cinética de ferro e a cirurgia bariátrica, temos o bypass, que desvia o trânsito do alimento para porções mais distais em áreas que normalmente não absorvem o ferro. Por outro lado, a cirurgia de sleeve diminui os fatores intrínsecos, o que dificulta a absorção de ferro, porém não impede por completo.

O objetivo deste trabalho foi reportar a incidência de deficiência de ferro (DF) e anemia ferropriva (AF) dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica numa mesma instituição, assim como os fatores de risco e as suplementações necessárias.

Anemia ferropriva e cirurgia bariátrica

Estudo realizado foi retrospectivo de todos os pacientes submetidos a cirurgia bariátrica entre 1 de janeiro de 2012 a 31 de dezembro de 2012 na clínica. Foram analisados os dados hematológicos dos pacientes e anemia foi definida com hemoglobina menor 13 g/dL nos homens e 12 g/dL em mulheres não grávidas. Quanto à deficiência de ferro, foi caracterizada por ferritina menor de 30 ng/dL.

A suplementação oral de ferro faz parte do protocolo da instituição na forma de sulfato ferroso na grande maioria dos casos, o qual poderia ser substituído no caso de intolerância. Alguns pacientes receberam suplementação venosa, mas isto era feito de acordo com cada caso.

Resultados

Apesar dos 515 pacientes selecionados, apenas 388 preencheram critérios para serem incluídos no estudo, sendo que 284 realização by-pass em y-de-roux (73%), 98 gastrectomia vertical (35%) e 6 duodenal switch (1,5%).

O tempo de observação média destes pacientes foram de 31 meses e 166 (43%) desenvolveram DF definidos por ferritina menores que 30 ng/dL, dos casos acompanhados 63(16%) desenvolveram AF sendo que 24 (6%) necessitaram de reposição venosa. Houve necessidade de hemotransfusão em quatro casos.

Dos pacientes 24 que necessitaram reposição venosa, apenas 1 era homem, e entre as mulheres 19/23 estavam na pré-menopausa. Apesar dos protocolos orientarem reposição oral de ferro antes de iniciar o tratamento venoso, esta tentativa só foi documentada em 6/24 casos.

A análise multivariada associou que mulheres jovens, com cirurgia desabsortiva, eram fatores independentes para o desenvolvimento de anemia ferropriva (P<0,001).

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Discussão

A deficiência de ferro e consequente anemia ferropriva é um evento comum, sendo que a necessidade de reposição de ferro por via venosa normalmente ocorre anos após o procedimento. O índice relatado neste estudo é um pouco menor que de outras grandes séries, provavelmente pelo menor tempo de observação.

Uma outra associação interessante encontrada neste estudo foi que baixos níveis de ferritina antes da cirurgia está associada a AF no pós-operatório, sendo que níveis elevados de ferritina maiores que 156 µg/L possuíam um mínimo risco para o desenvolvimento de AF mesmo após seis anos de observação.

Em conclusão, este estudo suporta os achados que a AF é comum após cirurgias bariátricas e os níveis basais de ferritina podem ser um preditor para este evento.

Para levar para casa

A cirurgia bariátrica exige uma mudança de comportamento e controle rigoroso ao longo dos anos. Devemos, antes de sugerir qualquer procedimento, avaliar os riscos e benefícios futuros. Mulheres jovens que possuam desejo de gestação merecem ainda mais cautela ao se optar por um tratamento operatório.

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