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Quais são os custos do não aleitamento materno no Brasil?

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O aleitamento materno é uma pedra angular na sobrevivência e no desenvolvimento inicial infantil. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aleitamento materno exclusivo (AME) é definido como o consumo de leite materno sem suplementação de qualquer outro alimento ou bebida, nem mesmo água, exceto sais de reidratação oral (SRO), vitaminas, minerais e medicamentos.

O aleitamento materno não exclusivo é o mais importante fator de risco para morbidade e mortalidade de bebês e crianças pequenas. É responsável também por complicações em longo prazo, como baixo rendimento escolar, produtividade reduzida e desenvolvimento intelectual prejudicado.

Os lactentes devem ser amamentados exclusivamente ao seio nos primeiros seis meses de vida para alcançar crescimento, desenvolvimento e saúde ideais. Depois disso, para atender às suas necessidades nutricionais em evolução, os bebês devem receber alimentos complementares nutricionalmente adequados e seguros, e continuar a amamentação por até dois anos de idade ou mais.

Globalmente, a Assembleia Mundial de Saúde (World Health Assembly – WHA) fixou uma meta para aumentar a taxa de AME para 50% até 2025. O Brasil assumiu compromissos e deu passos importantes em direção a esse marco, mas a taxa de AME tem permanecido estagnada. Hoje, 39% das crianças menores de seis meses são exclusivamente amamentadas ao seio. Muito precisa ser feito ainda para alcançar a meta da WHA.

Saiba mais: Semana Mundial do Aleitamento Materno 2019

Consequências da amamentação inadequada no Brasil

Anualmente, a amamentação inadequada no Brasil resulta em:

  • Mais de 3.000 óbitos que poderiam ser evitados: quando uma criança não é amamentada, tem menos probabilidade de sobreviver. É mais provável que ela contraia doenças potencialmente fatais e seja menos capaz de combatê-las;
  • Cinco milhões de casos de diarreia e pneumonia: as crianças que não são amamentadas têm maior probabilidade de beber água suja (em fórmula) e têm sistemas imunológicos menos desenvolvidos. Isso significa que elas são mais propensas a contrair patógenos causadores de diarreia e pneumonia. Os efeitos podem durar por toda a vida;
  • Mais de um bilhão de dólares em gastos domésticos: quando uma criança não é amamentada, as famílias precisam comprar alimentos substitutos do leite materno, como as fórmulas infantis que são caras, especialmente para famílias de países de baixa e média renda; 
  • Mais de 42 milhões de dólares em gastos hospitalares: quando as crianças não são amamentadas, é mais provável que tanto as crianças quanto as mães fiquem doentes. Isso resulta em custos significativos de tratamento para os sistemas de saúde.

O que precisa ser feito?

Para que o país prospere nos níveis familiar, comunitário e nacional, as taxas e práticas de amamentação devem melhorar. Construir e sustentar o impulso em torno do AME requerem uma efetiva política de defesas e de mudança de comportamento social que combine comunicação interpessoal, mídia de massa e programações nas comunidades. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) promove a campanha “Agosto Dourado”, incentivando e valorizando ações de apoio ao alimento de ouro: o leite materno exclusivo. 

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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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