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Qual a diferença nos resultados dos métodos de tratamento das fraturas do terço médio da clavícula?

Tempo de leitura: 2 min.

As fraturas de clavícula representam entre 2 e 10% das fraturas em adultos e 70% delas ocorre no terço médio desse osso, geralmente por uma queda sobre o ombro. Essas fraturas podem ser tratadas conservadoramente, mas isso historicamente está relacionado a piores resultados clínicos e mais complicações.

O tratamento cirúrgico pode ser realizado com redução aberta e fixação interna com placa e parafusos e cirurgia minimamente invasiva com haste intramedular, tendo taxas de consolidação mais rápidas em relação ao conservador. Foi publicada no último mês na revista “Injury” uma revisão sistemática comparando as taxas de pseudoartrose e escores funcionais DASH (Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand) nos tratamentos conservador e cirúrgico com placa e parafusos e haste intramedular das fraturas de terço médio da clavícula.

O estudo

Foram incluídos na pesquisa trabalhos com pacientes de mais de 18 anos tratados após fraturas de terço médio da clavícula com follow up maior de três meses de ensaios clínicos randomizados. Além disso, foram excluídos da pesquisa estudos que não abordaram taxas de pseudoartrose e avaliação do DASH. As bases de dados escolhidas foram Medline, Embase, Web of Science, Google Scholar e Cochrane até janeiro de 2022.

Vinte e quatro ensaios clínicos randomizados publicados entre 2007 e 2019 envolvendo 2161 participantes foram incluídos. O gráfico de meta-análise em rede demonstrou diferenças significativas no índice DASH entre tratamento não cirúrgico e tratamento cirúrgico (não vs IM: RR = 7,08, IC 95% = 2,04-12,13; placa vs IM: RR = 2,96, IC 95% = −1,08–7,00; placa vs não: RR = −4,12, IC 95% = −7,78– −0,45). Esses métodos de tratamento foram classificados como IM (1º), placa (2º) e tratamento não cirúrgico (3º).

O gráfico de meta-análise em rede também demonstrou diferenças significativas na taxa de não união entre o tratamento não cirúrgico e o tratamento cirúrgico (não vs IM: RR = 8,25, 95% IC = 2,64–25,78; placa vs IM: RR = 0,99, IC 95% = 0,36–2,74; placa vs não: RR = 0,12, IC 95% = 0,06-0,25). Esses métodos de tratamento foram classificados como IM (1º), placa (2º) e tratamento não cirúrgico (3º).

Veja mais: Tratamento cirúrgico ou conservador para fraturas laterais da clavícula?

Na prática

Na nossa prática clínica, já é considerada como verdade absoluta o fato do tratamento conservador das fraturas da clavícula levarem a uma maior taxa de pseudoartrose. Acabamos optando por esse método em pacientes de menor demanda ou mais velhos na maioria das vezes. Já entre os métodos cirúrgicos, segundo o estudo, não há diferenças significativas quanto aos escores funcionais e taxa de pseudoartrose, sendo a escolha de acordo com o gosto do cirurgião e dependendo da geometria do traço de fratura.

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Publicado por
Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

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