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Qual a incidência de trombose venosa cerebral por sexo, idade e etnia?

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A trombose venosa cerebral (TVC) é uma causa importante de acidente vascular cerebral (AVC), por apresentar alta mortalidade. Apesar de estudos mostrarem baixa incidência de TVC, acredita-se que os casos eram subdiagnosticados já que são dados antigos, de quando não haviam equipamentos de alta tecnologia disponíveis para diagnósticos não invasivos.

Com um aumento crescente de diagnósticos de TVC em pacientes jovens, um estudo, publicado na última semana no Neurology, buscou entender a incidência racial, específica por idade e sexo da doença nos Estados Unidos. Além de investigar as tendências de hospitalizações e descrever a prevalência dos fatores de risco para TVC da última década.

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Representação de um cérebro humano que pode sofrer trombose venosa cerebral

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Incidência de trombose venosa cerebral

O estudo, de coorte retrospectivo, usou as informações disponíveis no Banco de Dados de Pacientes Estaduais (SID) da Flórida e de Nova York, estados grandes e demograficamente diversos que, combinados, respondem por > 10% da população dos Estados Unidos. Para os dados populacionais sobre idade, sexo e etnia desses estados foi utilizado o Censo dos Estados Unidos para 2010-2016.

O período avaliado foi de 2006 a 2016, usando informações de internações hospitalares de acordo com o CID-9, até 2015, e CID-10, em 2016. Foi considerado um caso de TVC a primeira internação com um código diagnóstico do CID relacionado à doença, sem internações associadas nos anos anteriores daquele paciente.

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Resultados

Dados de todo o país:

  • De 2005-2016, houve 57.315 internações por TCV nos Estados Unidos, representando 0,66% de todas as hospitalizações de adultos por qualquer doença cerebrovascular no período;
  • No país, cerca de dois terços das hospitalizações pela doença (66,7%) foram em mulheres, mas a proporção diminuiu ao longo do tempo e as hospitalizações de homens cresceu 88,6% (22,9% em 2005 e 43,1% em 2016);
  • A idade média dos homens (49,6 anos) foi superior a das mulheres (42,1 anos; p < 0,001), mas a idade delas também aumentou constantemente ao longo do estudo;
  • As hospitalizações de mulheres jovens diminuiu durante os anos: em 2005, mais da metade de todas as hospitalizações CVT (56,5%) ocorreram em mulheres de 18 a 44 anos, mas essa proporção diminuiu continuamente ao longo do tempo e, em 2016, apenas 27,6% estavam neste grupo de sexo e idade;
  • Os fatores de risco mais comuns para mulheres foi gravidez e puerpério (21,7%), câncer (11,8%) e doenças inflamatórias (11,4%), enquanto para homens foi câncer (19,5%), trauma do SNC (11,3%) e infecção do SNC (11,2%). Porém, gravidez e puerpério diminuiu mais de 50% ao longo do tempo (41,3% em 2005 e 16,7% em 2014) em todas as mulheres, incluindo as mais jovens (63,7% em 2005 para 21,6 em 2016), enquanto câncer e trauma do SNC aumentou significativamente ao longo do tempo em ambos os sexos (p < 0,001).

A carga nacional de hospitalizações com códigos para TVC (sejam novas ou recorrentes) aumentou significativamente ao longo do período de estudo de 13,7 hospitalizações/milhão de população em 2005 para 26,2, em 2016.

Para avaliação dos estados da Flórida e Nova York, foi desconsiderado o primeiro ano (2005) na análise:

  • Entre 2006-2016, houve 5.567 casos novos de trombose venosa cerebral nos estados;
  • A incidência por idade e sexo variou ao longo do período de estudo de 13,9 casos por milhão em 2006 a 20,2 casos por milhão em 2014, mas a taxa por idade foi consistentemente maior em mulheres em comparação com os homens (p < 0,001);
  • Na regressão de joinpoint, a incidência de TVC aumentou durante o período de estudo em ambos os sexos. Contudo, o aumento foi 4 vezes mais rápida em homens (APC 9,2%, IC 95% 6,9% a 11,6%) em comparação com mulheres (APC 2,1 , IC 95% 0,8 a 3,7);
  • Nas mulheres, o que impulsionou o aumento foi o crescimento de incidência de TVC em 45-64 anos (APC 7,8%, IC 95% 5,9% a 9,7%) e ≥ 65 anos (APC 7,4%, IC 95% 4,7% para 10,2%), já que os casos em mulheres jovens ficou quase inalterada durante o estudo (29,2 a 32,6 casos por milhão; APC -0,5%, IC de 95% -2,2 a 1,2, valor de p = 0,495);
  • Em homens, o aumento aconteceu em todas as faixas etárias;
  • Dividindo por etnias, 54,3% de todas as hospitalizações nos estados foram em brancos, 19,2% em negros e 14,9% em hispânicos;
  • Quando agregada ao longo de todo o período, a incidência por idade e sexo média foi mais alta em negros (23,1 casos/milhão), seguido por brancos não hispânicos (16,5 casos/milhão) e hispânicos (13,7 casos/milhão) (p < 0,001). A incidência média em asiáticos foi de 8,56 casos/milhão.

Conclusões

A incidência anual de casos de trombose venosa cerebral variou entre 13,9 a 20,2 casos por milhão de habitantes, havendo uma diferença significativa por sexo, atingindo mais mulheres que homens e por idade para as mulheres, já que as mais velhas tem mais chance de desenvolver a doença que as mais novas, enquanto os homens não variam por idade. Também há diferenças por raça, tendo uma incidência maior em negros.

O número de hospitalizações por TVC cresceu significativamente na década. Porém, outros estudos são necessários para avaliar se é um crescimento real devido a fatores de risco mais comuns ou um aumento devido às novas ferramentas diagnósticas. Isso mostraria um número mais realista de casos anuais.

Entre as limitações do estudo podemos citar o fato de terem analisado apenas casos de internação, não podendo estimar os casos assintomáticos ou leves. Além disso, mesmo que os códigos usados ​​para o diagnóstico tenham sido previamente validados e tenham alta especificidade (92,7%) e sensibilidade relativamente modesta (77,8%), ainda significa que uma proporção significativa de casos de internação por TVC pode não ter sido considerada.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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