Cirurgia Cardíaca

Qual a melhor opção de troca valvar aórtica em pacientes renais com estenose da valva?

Tempo de leitura: 2 min.

A cirurgia cardíaca de troca valvar é um procedimento extremamente complexo, que envolve diversas situações que ativam e perpetuam a resposta inflamatória do paciente e descompensam mecanismos de coagulação e hemodinâmica.

A injúria renal aguda é uma das possíveis e mais comuns complicações das cirurgias cardíacas, e pacientes renais crônicos em estado moderado a grave estão mais suscetíveis a essa complicação.

Após 5 anos de acompanhamento do estudo PARTNER, foi realizada uma análise de subgrupo que tinha por objetivo avaliar os desfechos da troca valvar cirúrgica e transcateter (TAVI) em pacientes renais crônicos com estenose aórtica grave.

Leia também: Prevenção de insuficiência renal aguda associada a cirurgia cardíaca

Metodologia

Pacientes com disfunção renal e clearence de creatinina < 60 ml/min/m² foram analisados em desfechos de acordo com as valvas recebidas (SAPIEN XT, SAPIENT 3, e a prótese biológica cirúrgica). O desfecho primário era composto por um combinado de morte, AVC, nova hospitalização e início de hemodiálise. Ainda foi avaliada e comparada a deterioração das diferentes valvas.

Foram 1.045 pacientes submetidos a TAVI (512 SAPIEN XT, 533 SAPIEN 3) e 479 pacientes submetidos a cirurgia aberta. A cirurgia mostrou superioridade em relação a valva de segunda geração (SAPIEN XT) com uma incidência de 52,8% vs. 68,0%; p = 0,04 para o desfecho primário. Em relação a SAPIEN 3, os resultados foram semelhantes 52,8% vs. 58,7%; p = 0,89. 

Saiba mais: Cirurgia cardíaca: novas perspectivas após o acesso sem pré-requisito

A injúria renal aguda perioperativa foi mais comum nos pacientes de cirurgia 26.3% vs. 10.3%; p < 0,001, independentemente dos resultados a longo prazo.

Em relação a deterioração das valvas a SAPIEN XT foi inferior, entretanto não houve diferenças entre a SAPIEN 3 e a cirurgia aberta.

Mensagem final

Por fim podemos concluir que os resultados da TAVI com SAPIEN 3 são semelhantes aos da cirurgia aberta, inclusive em relação a durabilidade da valva. Os pacientes cirúrgicos tiveram mais eventos de doença renal aguda, entretanto as taxas de hemodiálise eram semelhantes após 5 anos. Esses dados fornecem informações importantes em relação a uma nova opção terapêutica para um grupo de pacientes tão complicados como os renais crônicos.  

Referências bibliográficas: 

  • Garcia S, Cubeddu RJ, Hahn RT, et al. 5-Year Outcomes Comparing Surgical Versus Transcatheter Aortic Valve Replacement in Patients With Chronic Kidney Disease. JACC Cardiovasc Interv. 2021;14(18):1995-2005. doi: 10.1016/j.jcin.2021.07.004.
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Publicado por
Gabriel Quintino Lopes

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