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A gastrectomia vertical tem ganhado espaço no tratamento operatório devido as menores morbidades associadas ao procedimento quando se compara com bypass gástrico.

Qual a melhor técnica de reforço para gastrectomia vertical?

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Apesar de todos os esforços para hábitos de vida mais saudáveis é estimado um aumento do número de procedimentos de cirurgia bariátrica nos próximos anos. Atualmente possuímos duas principais técnicas cirúrgicas para o tratamento da obesidade.

A gastrectomia vertical tem ganhado espaço no tratamento operatório devido as menores morbidades associadas ao procedimento quando se compara com bypass gástrico. Apesar de um menor índice de complicações, ainda existem pontos fracos na técnica que se tenta minimizar a cada dia. Pelas propriedades inerentes do procedimento, a gastrectomia vertical necessita de uma longa linha de grampeamento suscetível a fístulas. Neste intuito é comum um reforço da linha de grampo por diferentes técnicas, que variam de sutura até uso de colas.

O presente estudo analisou 3 técnicas distintas, e mais comumente utilizadas como reforço do grampeamento na cirurgia de sleeve, a fim de tentar determinar se prevalece a vantagem de uma sobre a outra.

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Métodos do estudo

Foram analisados retrospectivamente pacientes submetidos a gastrectomia vertical por vídeo (GV) comparando 3 técnicas distintas de reforço: sutura parcial da linha de grampo (SP), sutura completa da linha de grampo (SC) e utilização de reforço com polímero glicólico (PG). A SP compreendia um reforço dos 5 cm proximais da linha de grampeamento do estômago, enquanto a SC envolvia a totalidade da linha de grampeamento. Assim foram alocados 100 pacientes retrospectivamente em cada grupo, a fim que se mantivesse as mesmas condições demográficas em cada grupo. A técnica utilizada foi a mesma para todos os pacientes. Na sutura parcial ou completa se utilizou fio PDS ® 3-0, e o reforço com Gore Seamguard Reinforcement®.

Resultados

O tempo operatório foi significativamente maior no grupo SC. As complicações globais foram de 2,33%, sem diferenças entre os grupos. Um paciente do grupo SP apresentou fistula que foi manejada conservadoramente, e em um paciente do grupo PG foi necessária a realização de endoscopia para a colocação de uma prótese endoluminal. O tempo de observação médio foi de 36 meses e 26 pacientes necessitaram de reintervençcão cirúrgica com uma discreta prevalência do grupo SC, todos relacionadas a refluxo patológico que foram convertidos para bypass gástrico.

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Discussão sobre melhor tipo de reforço para gastrectomia vertical

O tipo de reforço da linha de grampo continua em debate nos diferentes fóruns sobre cirurgia bariátrica. O tempo operatório foi significativamente maior quando houve uma sutura completa da linha de grampo, no entanto os desfechos clínicos foram semelhantes nos diferentes grupos.

Ao se revisar a literatura se encontra resultados díspares ao se comparar a sobressutura manual ou o uso de reforço glicólico. Uma das justificativas pode ser o viés de seleção de cada estudo que ao final pode alterar os resultados encontrados.

A SC, como era de se esperar, demanda mais tempo que as demais técnicas e também exige um pouco mais do cirurgião especialmente no cuidado de não distorcer a anatomia e rodar o eixo do estômago. Porém este aumento de 20 min do tempo operatório pode não representar nenhuma alteração do desfecho clínico do paciente, em contrapartida o uso de reforços comercialmente prontos está associado a um maior custo.

Este estudo tem como limitação o pequeno número de pacientes, visto que eventos adversos não são frequentes e com isto dificultam a análise estatística.

Conclusão

Não houve diferença clínica significativa entre as diferentes técnicas avaliadas, apesar do tempo operatório da SC ser maior que as demais, e com um discreto aumento das cirurgias revisionais.

Este trabalho corrobora a ideia que talvez mais de uma técnica seja satisfatória para manejar uma questão técnica sem uma solução ideal. Isto fica ainda mais claro quando séries com um grande número de pacientes apresentam resultados discrepantes o que indiretamente pode significar que uma forma não sobressai sobre a outra. Portanto, se o cirurgião apresenta bons resultados com qualquer uma destas técnicas não há motivo para o mesmo mudar sua rotina.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Fort JM, Gonzalez O, Caubet E. et al. Management of the staple line in laparoscopic sleeve gastrectomy: comparison of three different reinforcement techniques. Surg Endosc, 2020. https://doi.org/10.1007/s00464-020-07773-4

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