Qual o efeito da alimentação antes do exercício físico em sedentários?

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Um estudo recente, publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism,  procurou entender as respostas metabólicas ao exercício físico em homens sedentários com sobrepeso ou obesidade. A ideia principal foi avaliar qual o efeito do treinamento de baixa e média intensidade antes e depois da alimentação, neste grupo de pessoas – que pode ser diferente da resposta em atletas, ou até mesmo de mulheres sedentárias.

A base desta pesquisa está no fato de que os nutrientes disponíveis no momento do exercício podem alterar as respostas do metabolismo, fazendo com que a atividade possa ser modulada para alcançar as respostas esperadas.

Alimentação e exercício físico

O estudo foi dividido em duas etapas: a primeira, chamada de aguda, randomizada cruzada, com 12 homens; e a segunda, chamada de treinamento, randomizada controlada, com 30 homens. Todos os participantes eram sedentários com sobrepeso ou obesidade (média ± DP, IMC: 30,2 ± 3,5 kg/m² para estudo agudo, 30,9 ± 4,5 kg/m² para estudo de treinamento).

Na fase aguda, os pesquisadores colocaram os 12 homens sedentários para fazer uma hora de bicicleta com intensidade moderada antes ou depois de um café da manhã com 65% de carboidratos.

Na segunda etapa, os 30 homens foram divididos em grupos: alguns não fizeram exercício; outros treinaram depois de um café da manhã só com carboidratos e os últimos treinaram antes da mesma alimentação. A duração foi de seis semanas.

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Resultados e conclusões

Na primeira etapa, tanto antes como depois do café da manhã, o exercício aumentou a utilização de lipídios intramusculares no tipo I (variação líquida: -3,44 ± 2,63% versus 1,44 ± 4,18% de coloração lipídica na área, p <0,01) e fibras tipo II (-1,89 ± 2,48% versus 1,83 ± 1,92% de área de coloração lipídica, p <0,05).

Na fase de treinamento:

  • Glicemia pós-prandial não foi afetada em nenhum dos casos, durante as seis semanas (p>0,05);
  • Insulinemia pós-prandial foi reduzida no treino antes dos carboidratos, mas isso não aconteceu com quem realizou o exercício após o café da manhã (p=0,03);
  • A atividade antes de comer também aumentou a remodelação dos fosfolipídios do músculo esquelético e o conteúdo da proteína transportadora de glicose GLUT4 (p <0,05).

A redução da insulina pós-prandial resultou em um aumento da sensibilidade à insulina por glicose oral (25 ± 38 vs -21 ± 32 mL/min/m²; p = 0,01), junto do aumento do uso de lipídios pelo organismo durante o exercício (r=0,5, p=0,02).

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A conclusão é que esse grupo de pessoas (homens sedentários com sobrepeso ou obesidade) se beneficia do exercício físico em jejum, já que os resultados mostraram taxas de utilização de lipídios duas vezes maior do que nos homens que fizeram o treinamento depois de comer.

Mas é importante ressaltar que o estudo realizou exercícios de intensidades baixa a moderada, não sendo possível dizer que em exercícios de alta intensidade os resultados seriam o mesmo.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

  • Edinburgh RM, et al. Lipid metabolism links nutrient-exercise timing to insulin sensitivity in men classified as overweight or obese. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, dgz104,  https://doi.org/10.1210/clinem/dgz104
  • Fasting Before Workout Boosts Metabolism in Obese, Overweight Men – Medscape – Oct 31, 2019.
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