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Qual o papel do fechamento da auriculeta esquerda nos pacientes mitrais cirúrgicos?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Sabe-se que os pacientes mitrais são cerca de 40 a 60% mais susceptíveis ao desenvolvimento de fibrilação atrial, secundária ao aumento da câmara e ao consequente desarranjo da arquitetura do seu sistema de condução elétrica. Na maioria das vezes, isso significa, para estes pacientes, a sina de ter que se submeter à anticoagulação definitiva. A boa notícia é que, para os pacientes mitrais cirúrgicos, cada vez mais têm surgido estudos e evidências sobre o papel do fechamento da auriculeta, e hoje vamos entender por que isto constitui vantagem.

A auriculeta, ou apêndice atrial, é a sua porção mais distal, que recobre a câmara, projetando-se externamente acima dela. Tem papel importante na FA pois é uma estrutura sacular, de baixo fluxo, complexamente trabeculada em sua face interior e, portanto, muito susceptível à formação e ao acúmulo de trombos – estes também já predispostos pela estase secundária à arritmia – e seu eventual desprendimento é o grande responsável pelos acidentes vasculares isquêmicos cardioembólicos, evento cerca de 5 a 7 vezes mais frequente nesta população.

A profilaxia destes fenômenos, por meio principalmente de varfarina, mesmo sendo o padrão ouro, ainda está longe de ser a ideal – além dos problemas com adesão ao tratamento, os efeitos adversos relacionados ao sangramento, o difícil controle de RNI, bem como o inconveniente da posologia medicamentosa, dificultam ainda mais as metas esperadas e desejadas para estes pacientes; e os novos anticoagulantes orais, embora apresentem considerável conveniência posológica, ainda estão em uma realidade financeira muito diferente da maioria da população alvo.

E foi considerando tudo isso que o fechamento da auriculeta conquistou espaço entre os cirurgiões cardíacos e cardiologistas que lidam com este espectro de pacientes. A auriculeta tem papel importante na gênese da FA, e até o momento, os trials mostram evidências consistentes de redução dos fenômenos tromboembólicos em pacientes submetidos ao fechamento/isolamento ou mesmo amputação e exclusão da auriculeta esquerda. A longo prazo, estes pacientes se encontrariam livres dos anticoagulantes, e sem maiores chances de desenvolvimento de fenômenos tromboembólicos.

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Estudos realizados até então, comparando desfechos cirúrgicos de pacientes submetidos ou não ao fechamento da auriculeta esquerda, mostram vantagens consideráveis: menor taxa de eventos cardiovasculares, menor mortalidade, menor tempo hospitalar e tempo de ventilação mecânica. Porém, há de se ressaltar também os pontos negativos: a taxa de hemorragias foi maior, bem como a de derrames pericárdicos, o que, a depender da gravidade, consiste em necessidade de reoperação ainda nas primeiras horas do POI. Existe ainda uma preocupação importante com as complicações de um fechamento incompleto da auriculeta – caso haja falha, ou recanalização posterior, os riscos de eventos tromboembólicos aumentam.

Ainda carente de evidências sólidas que suportem a substituição definitiva do uso de anticoagulantes orais, mas, por outro lado, já mostrando vantagens que não podem ser desconsideradas, atualmente o fechamento da auriculeta em pacientes cardíacos cirúrgicos permanece como recomendação de classe II-B na maioria dos guidelines; e a ESC recomenda o fechamento de forma tanto terapêutica quanto profilática, em toda e qualquer intervenção cardíaca cirúrgica via esternotomia mediana.

E você, é a favor ou contra o fechamento da auriculeta?

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