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Qual o papel dos anti-inflamatórios não hormonais na osteoartrite?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A fisiopatologia da osteoartrite proposta atualmente considera-a uma doença metabolicamente ativa, iniciada mecanicamente e bioquimicamente mediada através de cascatas inflamatórias com resposta angiogênica. Entre os mecanismos causadores da dor, temos presente sinovite e inflamação, atuação de neuropeptídeos, além de outros, como sensibilização central.

O tratamento não farmacológico é de grande importância e envolve educação do paciente; orientação de medidas de proteção articular específicas para cada grupo articular acometido; exercício físico para alongamento, fortalecimento (diminuição da sobrecarga mecânica sobre as articulações de carga e proteção articular) e melhora do condicionamento aeróbico, além de controle de peso; perda de peso (para acometimento de articulações de carga); adequação de calçados; consideração do uso de órteses; planejamento para evitarem-se quedas; controle de comorbidades.

Quanto ao tratamento farmacológico, analgésicos e anti-inflamatórios estão na linha de frente. Nos Estados Unidos, 65% dos pacientes com osteoartrite recebem anti-inflamatórios não hormonais (AINH). Diversos estudos sugeriram eficácia dos AINH nesta população, com NNT entre 4 e 8 para redução de 50% da dor com diferentes agentes.

Uma meta-análise sugere que, nas doses máximas recomendadas para osteoartrite, diclofenaco (150mg/dia), celecoxibe (200mg/dia), naproxeno (1000mg/dia), etoricoxibe (60mg/dia) e ibuprofeno (2400mg/dia) foram mais eficazes que placebo, tendo resultados semelhantes para função física. Quando considerada a avaliação global do paciente, diclofenaco parece ser superior aos demais agentes em estudos com pacientes com osteoartrite ou artrite reumatoide. São encontrados estudos que favorecem o uso de AINH para osteoartrite de diferentes territórios: quadril, joelhos, mãos.

AINH são associados a maior morbidade e mortalidade. Todos os agentes ativos estão associados a risco cardiovascular semelhante, tanto com agentes inibidores da COX-1 quanto da COX-2. Além do risco cardiovascular e do potencial pró-trombótico, associam-se a alterações gastrointestinais, renais e hepáticas, com risco de descontinuação da medicação devido a efeitos adversos. Como osteoartrite é doença típica de pacientes mais velhos, com grande possibilidade de outras comorbidades, os riscos associados aos AINH devem ser bastante ponderados.

Em geral, sugere-se utilizar pelo menor tempo possível, na menor dose possível, para pacientes sem doença cardiovascular conhecida, evitando-se naqueles com doença conhecida. Estratégias que incluam uso de doses moderadas a máximas por curtos períodos podem ser mais interessantes que doses baixas prescritas de maneira contínua. O NICE (National Institute for health and care excellence, Inglaterra) sugere que todos os agentes, mesmo os inibidores de COX-2, sejam prescritos acompanhados por inibidor da bomba de prótons.

Assim, apesar dos resultados de diversos estudos, a decisão deve ser individualizada e compartilhada com o paciente. Uma alternativa são os agentes tópicos, que são de baixo risco, têm boa penetração e podem controlar a dor superficial. Após aplicação tópica de AINH, níveis terapêuticos podem ser encontrados no líquido sinovial, músculos e fáscia, exercendo seus efeitos nos ambientes intra e extra-articular.

Osteoartrite: uso racional dos métodos de imagem

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Leitura sugerida:

  • NICE guidelines, 2017: https://www.nice.org.uk/guidance/cg177/evidence/full-guideline-pdf-191761311
  • vanWalsen, Pandhi S, Nixon RM, Guyot P, Karabis A, Moore RA. Relative benefit-risk comparing diclofenac to other traditional non-steroidal anti-inflammatory drugs and cyclooxigenase-2 inhibitors in patients with osteoarthritis or rheumatoid arthritis: a network-metanalysis. Arthritis Res Ther. 2015; 17:66
  • Costa BR, Reichenbach S, Keller N, Nartey L, Wandel S, Jüni P, Trelle S. Effectiveness of non-steroidal anti-inflammatory drugs for the treatment of pain in knee and hip osteoarthritis: a network metanalysis. Lancet. 2017;390:e21-33

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