Cirurgia

Qual o tempo ideal para uma cirurgia eletiva após a infecção pela Covid-19?

Tempo de leitura: 2 min.

O número de casos de Covid-19 cresce no mundo todo, afetando pessoas com cirurgia eletiva programada. Pacientes que apresentam Covid-19 no perioperatório têm maior risco de morrer por complicações pulmonares. Portanto um tempo ideal entre a infecção e a realização de alguma cirurgia, com segurança, deve ser estipulado. A maioria das recomendações pré-pandemia coloca como tempo de segurança de pelo menos 4 semanas após a infecção viral, entretanto existem dados limitados na literatura fazendo com que as recomendações sejam conflitantes, variando de 1 a 12 meses após a infecção.

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Análise recente

Um estudo internacional, multicêntrico decidiu avaliar qual o melhor momento para uma cirurgia eletiva após infecção pelo SARS-COV-2. Tratou-se de um coorte prospectivo que comparou pacientes com infecção recente pela Covid-19 com pacientes sem histórico de infecção. O desfecho primário era a mortalidade até 30 dias após a cirurgia. Modelos bioestatísticos foram utilizados para ajustar a mortalidade em 30 dias a data da infecção viral.

Para o diagnóstico da infecção foram utilizados, o PCR swab, o teste para antígeno do vírus, tomografia de tórax compatível, sorologia para SARS-CoV-2 e quadro clínico compatível. Dividiram ainda, os pacientes com Covid-19, por tempo entre a infecção e a cirurgia, com intervalos variando entre 0 e 2 semanas, 3 e 4 semanas, 5 e 6 semanas, e 7 semanas ou mais.

Foram avaliados mais de 140 mil pacientes em 116 países, sendo que 3.127 deles tiveram o diagnóstico de Covid-19 próximo a cirurgia, 52% dos pacientes eram mulheres e 75% tinham a classificação de ASA I ou II. A maioria (95%) das cirurgias foram eletivas, sendo que 63% delas foram cirurgias comuns de patologias benignas, cirurgias oncológicas representaram 23% dos casos, trauma 12% e 7% das cirurgias foram obstétricas. Aproximadamente 60% das cirurgias foram consideradas de maior porte.

Saiba mais: Radar do Câncer e Covid-19

A mortalidade geral foi de 1,5% (2.151/140.231). Entre os pacientes que não tiveram Covid-19 a mortalidade foi de 1,4% (1.973/137.104). A maior mortalidade ocorreu em pacientes com cirurgias nos períodos de infecção entre 0-2 semanas (9,1% [104/1.138]), 3-4 semanas (6,9% [32/461]), e 5-6 semanas (5,5% [18/326]) do diagnóstico de Covid-19 (odds ratio [OR], 4,1% [95% IC, 3,3–4,8]; OR, 3,9% [95% IC, 2,6–5,1]; e OR, 3,6% [95% IC, 2,0–5,2], respectivamente). Cirurgias com 7 semanas ou mais do diagnóstico de Covid-19 tiveram mortalidade semelhante aos pacientes sem Covid-19 (2,0% [24/1.202]) / (OR, 1,5%; 95% IC, 0,9–2,1%). Pacientes com 7 semanas ou mais após a infecção que permaneciam sintomáticos tiveram maior mortalidade que os pacientes que tiveram os sintomas resolvidos ou que os assintomáticos (6,0% [95% IC, 3,2–8,7] vs. 2,4% [95% IC, 1,4–3,4] vs. 1,3% [95% CI, 0,6–2,0%], respectivamente).

Mensagem prática

Por fim os autores puderam concluir que pacientes que tiveram infecção por Covid-19 devem adiar sua cirurgia eletiva por pelo menos 7 semanas, para maior segurança. Pacientes que permanecem sintomáticos após 7 semanas devem adiar ainda mais a cirurgia, preferencialmente após resolução dos sintomas.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • COVIDSurg Collaborative, GlobalSurg Collaborative. Timing of surgery following SARS‐CoV‐2 infection: an international prospective cohort study. Anaesthesia. doi: 10.1111/anae.15458
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Publicado por
Gabriel Quintino Lopes

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