Caso clínico: Investigação de hipertensão arterial na APS

Ao investigar, descobrimos que as medicações em uso são losartana 50mg, hidroclorotiazida 25mg e anlodipino 5mg.

H., 44 anos, vai à unidade de saúde para um retorno após uma longa perda de seguimento. Você investiga o motivo da consulta e a principal motivação de buscar o atendimento médico é a retomada de seu tratamento anti-hipertensivo. Ele é motorista e trabalha muitas horas por dia sentado, não faz atividade física, mas as vezes joga futebol com os amigos. Diz que o que o motivou a voltar para os cuidados foi a perda do cunhado por decorrência de um infarto, e que sempre se cuidou sozinho.

Você investiga a última MRPA que ele preparou para esse atendimento e percebe que a média de pressão arterial é 129/78mmHg. Além disso, investigando as medicações em uso descobre que ele tem usado losartana 50mg a cada 12 horas, hidroclorotiazida 25mg ao dia e anlodipino 5mg a cada 12 horas.

Ao exame físico você não percebe nada que lhe chame a atenção e ao conferir a pressão arterial em repouso no consultório com método adequado você encontra o valor de aferição de 126/75 mmHg. Além disso ele traz os exames de rotina do hipertenso que foram solicitados a pedido do enfermeiro da sua equipe na consulta de enfermagem há duas semanas, cujos resultados foram todos dentro da normalidade exceto o colesterol, com um HDL-c de 40 mg/dL e um LDL-c de 194 mg/dL.

Quiz 1/

Ao construir o plano de cuidado de H. qual a periodicidade de visitas que você deve propor a ele para consultas de rotina?

Comentários

A questão traz o caso de um paciente hipertenso que perdeu o seguimento de seu cuidado e decide retomar os seus cuidados de rotina. O comando da questão pede que você determine o aprazamento do cuidado de rotina deste paciente.

Para responder a esta questão devemos primeiramente determinar alguns pontos centrais:

  • Qual o estágio da hipertensão de nosso paciente?
  • Qual seu risco cardiovascular?
  • Qual sua capacidade de autocuidado?

No caso de H., o estágio da hipertensão não pode ser mensurado diretamente pois o valor de medida a que temos acesso é o valor da pressão arterial tratada, mas podemos perceber que o valor dessa média tanto na consulta quanto na MRPA está dentro dos alvos terapêuticos e percebemos ainda que esse alvo foi atingido com o uso de três drogas anti-hipertensivas. O uso de farmacoterapia combinada o categoriza então como estágio maior ou igual a 2, pelo menos, o que irá nos dar pistas valiosas para a tomada de decisão.

Além disso, ao pensarmos no seu risco cardiovascular utilizando o risco cardiovascular global teremos um paciente com alto risco cardiovascular em dez anos, uma vez que temos um paciente hipertenso minimamente com doença aterosclerótica subclínica pelos valores de LDL-c.

Por fim, percebemos que H. também tem uma boa capacidade de autocuidado, sendo ativo em suas atividades de trabalho e de rotina, com uma alta funcionalidade.

Dessa forma, considerando o grau de severidade de sua condição crônica temos um paciente com grau 3 o que vai demandar visitas quadrimestrais ao médico e ao enfermeiro para o cuidado deste paciente, conforme a diretriz brasileira de hipertensão.

É importante destacar o papel do profissional de enfermagem para o cuidado do paciente hipertenso na atenção primária. A hipertensão arterial sistêmica é um agravo muito prevalente no Brasil, com quase um terço da população tendo o diagnóstico. O estabelecimento dessa linha de cuidado, que quando conduzida reduz a morbimortalidade em virtude da doença, é unicamente possível quando se trabalha de forma multiprofissional.

Nesse caso apresentado, a consulta de enfermagem possibilita o estabelecimento de uma conduta necessária de tratamento de lesão de órgão alvo sem a necessidade de suas visitas consecutivas ao profissional médico, por exemplo, sendo de grande valor para auxiliar a manejar a pressão assistencial e otimização de recursos.

Além disso, os profissionais da nutrição compõem peça chave para a linha de cuidado do paciente hipertenso. Especialmente para o tratamento não farmacológico e manutenção do controle dos fatores de risco modificáveis.

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Referências bibliográficas:

  • Barroso, W. K. S., Rodrigues, C. I. S., Bortolotto, L. A., Mota-Gomes, M. A., Brandão, A. A., Feitosa, A. D. D. M., … & Nadruz, W. (2021). Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial–2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 116, 516-658.
  • Brasil. Ministério da Saúde (MS). Cadernos de Atenção Básica-Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica-Hipertensão Arterial Sistêmica. Brasília: MS; 2014. Nº 37

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