Caso clínico: Mulher com déficit neurológico e alteração na tomografia. O que será?

Teste agora seus conhecimentos com este caso clínico de uma paciente hipertensa e diabética apresentando déficit neurológico.

Mulher, 58 anos, hipertensa e diabética em seguimento irregular, levada para atendimento de emergência referindo perda de força em membro superior e inferior esquerdos, além de certa dificuldade para falar e desvio de comissura labial. Sintomas iniciaram há 50 minutos, de forma aguda, não referindo quadros prévios.

Ao exame físico apresentava PA: 160×94 mmHg, FC: 94 bpm, FR: 15 irpm e SatO2: 97%. ACV: Ritmo cardíaco irregular, ictus globoso e desviado na linha axilar anterior, BNF e sem sopros. Aparelho respiratório sem alterações. 

Exame neurológico: Lúcida e orientada. Fala disártrica. Presença de desvio de comissura labial para direita, padrão de paralisia facial central. Presença de parestesia em dimidio esquerdo. Diminuição de força em membro superior esquerdo (grau 2) e em membro inferior esquerdo (grau 3), com diminuição de reflexos e tônus. Dimidio direito sem alterações.  

Pela importante suspeita clínica de acidente vascular cerebral, foi iniciado protocolo com realização de tomografia computadorizada, sem sangramentos e estando presente o seguinte achado:

Quiz 1/

Qual o sinal evidente da tomografia de crânio?

Comentários

O sinal da artéria cerebral média hiperdensa é um sinal radiológico muito útil na avaliação de pacientes com suspeita de acidente vascular cerebral (AVC), sendo caracterizado pela presença de imagem hiperdensa no trajeto arterial da cerebral média na tomografia sem contraste. 

 Está associado com a presença de presença aguda de trombo ou embolo no vaso, podendo estar presente antes de qualquer outra alteração radiológica cerebral, como hipoatenuação dos núcleos da base, perda de diferenciação da substância branca e cinzenta e áreas de hipodensidade. 

Alguns estudos mostram maior associação do sinal com a presença de AVC por etiologia cardioembólica, porém pode estar presente em outros contextos, como o aterotrombótico e dissecção arterial. 

De forma geral o sinal está associado com maior gravidade e pior prognóstico do paciente com AVC, uma vez que ocorre oclusão de um grande vaso, principalmente se não for oferecido o melhor perfil de tratamento na janela terapêutica. Vale ressaltar que na presença de acometimento de grandes vasos, o tratamento endovascular com trombectomia tem mostrado benefícios relevantes. 

 A paciente do caso apresentava sinais clínicos característicos de acometimento neurológico no território da artéria cerebral média direita e com presença de imagem hiperdensa na topografia desse vaso arterial. O exame físico cardiovascular e eletrocardiograma evidenciaram presença de fibrilação atrial e aumento de câmaras cardíacas, o que sugere etiologia cardioembólica ao AVC. 

 Ela estava em ótima janela terapêutica, sendo iniciada trombólise química e seguimento para realização de tratamento endovascular disponível no próprio serviço hospitalar, apresentando ótima recuperação motora e funcional. 

Referências bibliográficas: 

  • Sangpetch S, Wantaneeyawong C, Soontornpun A, Tiyapun N, Tanprawate S, Thiankhaw K. Implications of the Presence of Hyperdense Middle Cerebral Artery Sign in Determining the Subtypes of Stroke Etiology. Stroke Res Treat. 2021 Nov 17;2021:6593541.
  • Hou J, Sun Y, Duan Y, Zhang L, Xing D, Lee X, Yang B. Hyperdense middle cerebral artery sign in large cerebral infarction. Brain Behav. 2021 May;11(5):e02116. 

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