Caso clínico: Paciente com hipertensão arterial resistente e alteração na tomografia. O que será?

Mesmo com uso das medicações, mantém níveis pressóricos elevados, chegando para consulta para melhor elucidação do quadro.

Mulher, 42 anos, vem em consulta clínica após encaminhamento para avaliar hipótese de hipertensão arterial resistente.  

Refere ter iniciado tratamento há dez anos, porém sempre com necessidade de aumento de medicações e suas dosagens. Refere que não tinha elevação de níveis pressóricos previamente. 

Atualmente está em uso de losartana 100 mg/dia; anlodipino 10 mg/dia; hidroclorotiazida 25 mg/dia e espironolactona 25 mg/dia. 

Mesmo com uso dessas medicações, mantém níveis pressóricos elevados, chegando para consulta para melhor elucidação do quadro, trazendo consigo uma tomografia de abdomen recente. 

Nega tabagismo, etilismo ou outras comorbidades.

Ao exame físico: Bom estado geral, lúcida e orientada. Normocorada, anictérica, hidratada e eupneica. 

Pressão arterial 154 x 90 mmHg, frequência cardíaca 80 bpm, frequência respiratória 15 irpm, saturação de O2 98%. 

Aparelho cardiovascular: RCR em 2T com bulhas normofonéticas e sem sopros. 

Aparelho respiratório: MVUA sem ruídos adventícios. 

Abdômen: Atípico, depressível, indolor à palpação. Presença de massa no flanco esquerdo, formato arredondado e lobulada, aproximadamente com 12 cm e que se insinuava a partir do rebordo costal, no flanco direito também era palpada massa semelhante, porém de menor tamanho. Eram móveis e fibroelásticas. Traube livre. 

MMII: Sem edema ou sinais de TVP

TC de abdômen mostra a seguinte alteração:

Quiz 1/

Qual a hipótese diagnóstica da paciente?

Comentários

A doença renal policística autossômica dominante é uma patologia relativamente comum, tendo perfil genético bem estabelecido e com implicações diretas nos perfis fenotípicos de apresentação. A forma autossômica recessiva é mais rara, com perfil de acometimento distinto e mais comum na faixa etária pediátrica.

As duas principais alterações gênicas envolvem o locus PKD1 ou PKD2, sendo o primeiro tipo um perfil de maior gravidade.

A história familiar é marcante, porém muitas vezes é perdido o diagnóstico por ser uma patologia que pode ter poucos ou nenhum sintoma.

Importante ressaltar que é uma causa comum de doença renal crônica terminal, tendo diversos fatores que implicam nesse perfil de progressão, como a presença de crescimento renal significativo, proteinúria e ser do sexo masculino.

As manifestações extra renais comuns são o surgimento de cistos em outros órgãos, como fígado, baço e pâncreas, de forma que assim como no rim, o crescimento progressivo dos cistos pode gerar sintomas compressivos locais.

O surgimento de hipertensão arterial também é um evento marcante, mesmo naqueles sem alteração da função renal, e está relacionada à alterações no sistema renina-angiotensina-aldosterona.

O correto tratamento da hipertensão, com metas bem estabelecidas, é fundamental no manejo dessa patologia, prevenindo a evolução para doença renal dialítica.

A paciente em questão apresenta imagem tomográfica típica, com inúmeros cistos renais bilaterais, que também foram bem visualizados em ultrassonografia abdominal. Laboratório recente já evidência leve alteração da função renal e quando questionada sobre contextos semelhantes na família, cita que sua mãe também tinha “rins grandes”.

Foi encaminhada para avaliação conjunta com nefrologia, para seguimento clínico e otimização de anti-hipertensivos.

Referências bibliográficas:

  • Bergmann C, Guay-Woodford LM, Harris PC, Horie S, Peters DJM, Torres VE. Polycystic kidney disease. Nat Rev Dis Primers. 2018 Dec 6;4(1):50. doi: 10.1038/s41572-018-0047-y. PMID: 30523303; PMCID: PMC6592047.

Qual a hipótese diagnóstica da paciente?

Comentários

A doença renal policística autossômica dominante é uma patologia relativamente comum, tendo perfil genético bem estabelecido e com implicações diretas nos perfis fenotípicos de apresentação. A forma autossômica recessiva é mais rara, com perfil de acometimento distinto e mais comum na faixa etária pediátrica.

As duas principais alterações gênicas envolvem o locus PKD1 ou PKD2, sendo o primeiro tipo um perfil de maior gravidade.

A história familiar é marcante, porém muitas vezes é perdido o diagnóstico por ser uma patologia que pode ter poucos ou nenhum sintoma.

Importante ressaltar que é uma causa comum de doença renal crônica terminal, tendo diversos fatores que implicam nesse perfil de progressão, como a presença de crescimento renal significativo, proteinúria e ser do sexo masculino.

As manifestações extra renais comuns são o surgimento de cistos em outros órgãos, como fígado, baço e pâncreas, de forma que assim como no rim, o crescimento progressivo dos cistos pode gerar sintomas compressivos locais.

O surgimento de hipertensão arterial também é um evento marcante, mesmo naqueles sem alteração da função renal, e está relacionada à alterações no sistema renina-angiotensina-aldosterona.

Tratamento

O correto tratamento da hipertensão, com metas bem estabelecidas, é fundamental no manejo dessa patologia, prevenindo a evolução para doença renal dialítica.

A paciente em questão apresenta imagem tomográfica típica, com inúmeros cistos renais bilaterais, que também foram bem visualizados em ultrassonografia abdominal. Laboratório recente já evidência leve alteração da função renal e quando questionada sobre contextos semelhantes na família, cita que sua mãe também tinha “rins grandes”.

Foi encaminhada para avaliação conjunta com nefrologia, para seguimento clínico e otimização de anti-hipertensivos.

Referências bibliográficas:

  • Bergmann C, Guay-Woodford LM, Harris PC, Horie S, Peters DJM, Torres VE. Polycystic kidney disease. Nat Rev Dis Primers. 2018 Dec 6;4(1):50. doi: 10.1038/s41572-018-0047-y. PMID: 30523303; PMCID: PMC6592047.

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