Caso Clínico: Paciente com nodulação cervical indolor há 10 meses. O que será?

Paciente relata que já ocorreu saída de material branco pastoso por ferimento na nodulação, sem recorrência atual. 

Mulher, 56 anos, hipertensa. Procura atendimento ambulatorial referindo nodulação cervical indolor há dez meses, com aumento lento e progressivo. Refere que no último mês apresentou picos febris e sudorese noturnos. Nega perda ponderal, tosse ou outras queixas clínicas. 

Relata que já ocorreu saída de material branco pastoso por ferimento na nodulação, sem recorrência atual. 

Ao exame físico: Pressão arterial 126 x 84 mmHg, frequência cardíaca 72 bpm, frequência respiratória 14 irpm, saturação de O2 98%. Normocorada, anictérica, hidratada e eupneica. 

Região cervical anterior direita com presença de nodulação de consistência fibroelástica, móvel e indolor. Não aderida aos planos profundos e sem flogose. Outras cadeias linfonodais cervicais sem alterações, assim como axilares e inguinais. 

Ausculta respiratória: MVUA sem ruídos adventícios. 

Abdômen atípico e indolor, sem massas ou visceromegalias.

Quiz 1/

Qual hipótese diagnóstica ganha relevância no caso?

Comentários

A tuberculose ganglionar é uma forma importante de tuberculose extra-pulmonar, muitas das vezes com evolução lenta e sintomas atípicos, dificultando o correto diagnóstico e tratamento. Ela pode ocorrer durante infecção pulmonar ativa ou por disseminação linfática em período latente. 

O local mais comum de acometimento são os gânglios cervicais, podendo ser chamada de escrófula, mas também pode acometer outros linfonodos como os mediastinais e axilares. 

Normalmente é encontrada nodulação cervical unilateral e indolor, sem sinais flogísticos ou aderência em planos profundos. Pode ocorrer aglomerado de linfonodos acometidos, formando massas significativas. O surgimento de ulcerações locais pode ocorrer,assim como fístulas e abscessos, normalmente com a saída de material caseoso. 

A presença de febre, perda ponderal e sudorese noturna não é tão comum como em quadros pulmonares, mas ocorre principalmente em pacientes imunocomprometidos. 

O diagnóstico deve utilizar avaliação histopatológica com pesquisa do bacilo e cultura do material. Importante também avaliar o acometimento respiratório, infecção pelo HIV e realizar imagens da região cervical e tórax, possibilitando avaliação de comprometimento pulmonar e facilitando diferenciação com diagnósticos diferenciais. 

A paciente em questão manteve continuidade com serviço de infectologia, realizando exames do material ganglionar por punção aspirativa por agulha fina que evidenciou BAAR e a cultura positiva para Mycobacterium tuberculosis. O PPD da paciente foi de 15mm.  

A avaliação do escarro e imagens radiológicas foram negativas, não mostrando outros locais de acometimento. 

Paciente iniciou tratamento com esquema RIPE e continua em seguimento ambulatorial. 

 Referências bibliográficas: 

  •  Baykan AH, Sayiner HS, Aydin E, Koc M, Inan I, Erturk SM. Extrapulmonary tuberculosıs: an old but resurgent problem. Insights Imaging. 2022 Mar 7;13(1):39.
  • Rodriguez-Takeuchi SY, Renjifo ME, Medina FJ. Extrapulmonary Tuberculosis: Pathophysiology and Imaging Findings. Radiographics. 2019 Nov-Dec;39(7):2023-2037. 

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