Caso clínico: Paciente com queixa de febre e artralgia há cinco dias

Ao exame físico, paciente apresentou esplenomegalia. Confira o caso clínico completo e teste seus conhecimentos.

Paciente de oito anos, mora em uma região de floresta tropical no norte do Brasil, apresenta-se com queixa de febre e artralgia há cinco dias, com edema e eritema periocular à esquerda, onde há ponto de inoculação por provável picada de inseto. Ao exame físico apresenta esplenomegalia.

Quiz 1/

Como se denomina a lesão apresentada pela paciente?

Comentários

Frente à história clínica e a lesão característica podemos definir o diagnóstico de Doença de Chagas aguda. Trata-se de uma zoonose causada pelo protozoário flagelado Tripanossoma cruzi que inoculado no ser humano por um inseto triatomíneo sugador de sangue. Em 90% dos casos a forma aguda da doença será assintomática ou se apresentará como uma síndrome febril leve. Entretanto, pode-se apresentar também como uma síndrome monolike caracterizada por poliadenopatia, hepatoesplenomegalia e hepatite, dentro outros sintomas.

O local da picada do triatomíneo pode ser aparente, apresentando pequena formação maculonodular, eritematosa, consistente, pouco dolorosa, circundada por halo de edema elástico e acompanhada de enfartamento de linfonodos próximos, assemelhando-se a um furúnculo não supurado. Esse é o chagoma de inoculação. O sinal de Romaña é um exemplo de chagoma de inoculação, apresentando-se como edema elástico e indolor de ambas as pálpebras de um dos olhos, coloração róseo-violácea das mesmas, congestão conjuntival e reação de linfonodos satélites; o edema, em geral, propaga-se para a hemiface correspondente e observa-se, às vezes, dacrioadenite, além de escassa secreção da conjuntiva. É um sinal patognomônico da doença de Chagas aguda.

Sobre a pessoa que deu nome ao sinal 

O sinal de Romaña foi descrito em 1935 por Cecílio Felix Romaña Berón de Astrada, médico argentino nascido em 1899. Grande parte do trabalho de Romaña como médico foi desenvolvido pesquisando a Doença de Chagas. A descrição do sinal de Romaña constituiu-se em um marco científico e epidemiológico da tripanossomíase americana. A descrição era exata, extremamente chamativa e altamente indutora do diagnóstico da doença aguda nas áreas endêmicas. Não só na Argentina, após 1935, cresceu imensamente o número de casos descritos.

Um algo a mais 

O sinal de Paget e o de Laissez-faire não existem.

Para saber mais sobre o sinal de Romaña acesse o link deste caso clínico.

Referências bibliográficas:

  • Jameson JL, Kasper DL, Longo DL, Fauci AS, Hauser SL, Loscalzo J. Medicina interna de Harrison. 20 ed – Porto Alegre: AMCH, 2020.
  • Romaña C. Acerca de un síntoma inicial de valor para el diagnóstico de la forma aguda de la enfermedad de Chagas. La conjuntivitis schizotripanosómica unilateral (hipótesis sobre la puerta de entrada conjuntival de la enfermedad) Mision de Estudios de Patologia Regional Argentina (MEPRA), 1935, (22): 16-25.
  • Amato Neto V, Yasuda MAS, Amato VS. Doença de Chagas aguda. In: Dias JCP, Coura JR, org. Clínica e terapêutica da doença de Chagas: uma abordagem prática para o clínico geral. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 1997.

Como se denomina a lesão apresentada pela paciente?

Comentários

Frente à história clínica e a lesão característica podemos definir o diagnóstico de Doença de Chagas aguda. Trata-se de uma zoonose causada pelo protozoário flagelado Tripanossoma cruzi que inoculado no ser humano por um inseto triatomíneo sugador de sangue. Em 90% dos casos a forma aguda da doença será assintomática ou se apresentará como uma síndrome febril leve. Entretanto, pode-se apresentar também como uma síndrome monolike caracterizada por poliadenopatia, hepatoesplenomegalia e hepatite, dentro outros sintomas.

O local da picada do triatomíneo pode ser aparente, apresentando pequena formação maculonodular, eritematosa, consistente, pouco dolorosa, circundada por halo de edema elástico e acompanhada de enfartamento de linfonodos próximos, assemelhando-se a um furúnculo não supurado. Esse é o chagoma de inoculação. O sinal de Romaña é um exemplo de chagoma de inoculação, apresentando-se como edema elástico e indolor de ambas as pálpebras de um dos olhos, coloração róseo-violácea das mesmas, congestão conjuntival e reação de linfonodos satélites; o edema, em geral, propaga-se para a hemiface correspondente e observa-se, às vezes, dacrioadenite, além de escassa secreção da conjuntiva. É um sinal patognomônico da doença de Chagas aguda.

Sobre a pessoa que deu nome ao sinal 

O sinal de Romaña foi descrito em 1935 por Cecílio Felix Romaña Berón de Astrada, médico argentino nascido em 1899. Grande parte do trabalho de Romaña como médico foi desenvolvido pesquisando a Doença de Chagas. A descrição do sinal de Romaña constituiu-se em um marco científico e epidemiológico da tripanossomíase americana. A descrição era exata, extremamente chamativa e altamente indutora do diagnóstico da doença aguda nas áreas endêmicas. Não só na Argentina, após 1935, cresceu imensamente o número de casos descritos.

Um algo a mais 

O sinal de Paget e o de Laissez-faire não existem.

Para saber mais sobre o sinal de Romaña acesse o link deste caso clínico.

Referências bibliográficas:

  • Jameson JL, Kasper DL, Longo DL, Fauci AS, Hauser SL, Loscalzo J. Medicina interna de Harrison. 20 ed – Porto Alegre: AMCH, 2020.
  • Romaña C. Acerca de un síntoma inicial de valor para el diagnóstico de la forma aguda de la enfermedad de Chagas. La conjuntivitis schizotripanosómica unilateral (hipótesis sobre la puerta de entrada conjuntival de la enfermedad) Mision de Estudios de Patologia Regional Argentina (MEPRA), 1935, (22): 16-25.
  • Amato Neto V, Yasuda MAS, Amato VS. Doença de Chagas aguda. In: Dias JCP, Coura JR, org. Clínica e terapêutica da doença de Chagas: uma abordagem prática para o clínico geral. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 1997.

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