Anestesiologia

Raquianestesia ou anestesia geral para fraturas do quadril em idosos?

Tempo de leitura: 2 min.

No tratamento das fraturas do quadril, estudos observacionais sugeriram que, comparada com a anestesia geral, a raquianestesia pode estar associada a menor risco de morte, delirium, complicações graves e tempo de internação. Entretanto, estudos randomizados realizados na faixa de 30 anos atrás se mostraram controversos quanto ao tema. Além disso, a literatura carece de estudos comparando os tipos de anestesia e a velocidade de recuperação da capacidade de deambulação.

Leia também: Anestesia e síndrome carcinoide: o que precisamos saber?

O estudo

Foi publicado no último mês no New England Journal of Medicine um ensaio clínico randomizado multicêntrico (46 hospitais de Estados Unidos e Canadá) comparando raquianestesia e anestesia geral para o desfecho primário composto morte ou incapacidade de andar 3 metros com ou sem auxílio de muleta ou andador após 60 dias da randomização. Os desfechos secundários foram morte em até 60 dias, ocorrência de delirium, tempo para colocar carga no membro e deambulação com 60 dias.

Foram selecionados 1600 pacientes de 50 anos ou mais com fraturas de colo, sub e transtrocantéricas entre fevereiro de 2016 e de 2021, sendo randomizados para o grupo que recebeu anestesia geral (n=805) ou raquianestesia (n=795). A média de idade foi de 78 anos e 67% dos pacientes eram mulheres. Apenas 666 (83,8%) pacientes randomizados para o grupo raquianestesia e 769 (95,5%) para o grupo anestesia geral receberam o tratamento proposto.

Saiba mais: O Índice de Sarcopenia pode predizer o risco de complicações pós-cirurgias de fraturas do quadril em idosos?

O desfecho primário composto ocorreu em 18,5% dos pacientes do grupo raquianestesia e 18% dos do grupo anestesia geral (risco relativo 1,03; IC 95% 0,84 a 1,27; p=0,83). Incapacidade de deambular sem apoio após 60 dias foi reportada em 15,2% do grupo raquianestesia e 14,4% do grupo anestesia geral (risco relativo 1,06; IC 95% 0,82 a 1,36). Morte em 60 dias ocorreu em 3,9% do grupo raquianestesia e 4,1% do grupo anestesia geral (risco relativo 0,97; IC 95% 0,59 a 1,57) e delirium foi observado em 20,5% (raquianestesia) e 19,7% (anestesia geral) (risco relativo 1,04; IC 95% 0,84 a 1,30) dos pacientes. A incidência de efeitos adversos como infarto, tromboembolismo pulmonar ou insuficiência renal aguda também foi similar entre os grupos.

Conclusão

De acordo com o estudo, a raquianestesia não demonstrou superioridade sobre a anestesia geral no tratamento de fraturas de quadril em idosos quanto à sobrevida e recuperação de capacidade de deambulação em até 60 dias, ocorrência de delirium ou complicações pós-operatórias.

Referências bibliográficas:

  • Neumann MD, et al. Spinal anesthesia or general anesthesia for hip surgery in older adults. New England Journal of Medicine. 2021. doi: 10.1056/NEJMoa2113514.
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Publicado por
Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

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