Ginecologia e Obstetrícia

Rastreamento do Câncer de Mama

Tempo de leitura: 2 min.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, para cada ano do triênio 2020/2022, sejam diagnosticados no Brasil 66.280 novos casos de câncer de mama, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres. Sendo uma doença de grande incidência e prevalência no nosso país é necessário mantermos atualizados quando o assunto é rastreamento do câncer de mama.

Mamografia de rastreamento

Exame de rotina em mulheres sem sinais e sintomas de câncer de mama. A recomendação é de solicitar para a paciente na faixa etária de 50 a 69 anos, a cada dois anos. Fora dessa faixa etária e dessa periodicidade, os riscos aumentam e existe maior incerteza sobre benefícios.

A mamografia permite identificar melhor as lesões mamárias em mulheres após a menopausa, pois apresentam mamas com mais tecido adiposo, devida à lipossubstituição fisiológica. Antes desse período, as mamas são mais densas e a sensibilidade da mamografia é reduzida, gerando maior número de resultados falso-negativos e também de falsos-positivos, o que gera exposição desnecessária à radiação e a necessidade de realização de mais exames.

Sendo assim, a paciente com menos de 40 anos, ou antes da menopausa, deve realizar ultrassonografia de mamas quando necessário.  O Ministério da Saúde recomenda contra o rastreamento com mamografia em mulheres com menos de 50 anos. As principais diretrizes e programas de rastreamento do mundo também não recomendam o rastreamento de mulheres abaixo dessa idade.

Atualmente não se recomenda o autoexame das mamas como técnica a ser ensinada às mulheres para rastreamento do câncer de mama. Diversos estudos sobre o tema demonstraram baixa efetividade dessa prática, que já foi muito difundida em nosso país. Porém, devemos encorajar as mulheres a conhecerem seu corpo e reconhecerem alterações suspeitas para procurarem ajuda em um serviço de saúde o mais cedo possível.

As estratégias para redução da mortalidade por câncer de mama no Brasil envolvem não apenas o acesso à mamografia de rastreamento, mas também o controle de fatores de risco conhecidos, além da estruturação da rede assistencial (Rede Hebe Camargo) para a rápida e oportuna investigação diagnóstica e acesso ao tratamento de excelência.

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Publicado por
Letícia Suzano Lelis Bellusci

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