Reações alérgicas após primeira dose da vacina para Covid-19 da BioNTech e Pfizer

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Após mais de 20 milhões de americanos serem contaminados pelo vírus Sars-Cov-2 e pelo grande número de óbitos e complicações, além de sequelas a longo prazo, a Food and Drug Administration (FDA) autorizou, em dezembro de 2020 a liberação do uso da vacina Pfizer-BioNTech contra Covid-19 em caráter de emergência, administrada em duas doses com intervalo de 21 dias entre elas. As primeiras doses foram liberadas para profissionais da área de saúde e idosos residentes em asilos. Sabe-se que reações adversas provenientes de vacinações são comuns, porém reações anafiláticas, que consiste em uma grave reação alérgica que pode levar a morte, raramente ocorre após uma vacinação. As reações anafiláticas são agudas, ocorrendo em minutos após a administração da dose e deve ser prontamente revertida com a administração de epinefrina.

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Dados de reações alérgicas

Durante o período de dezembro de 2020, início da vacinação nos Estados Unidos com a vacina da marca Pfizer, foi observado pelo Vaccine Adverse Event Reporting System (VAERS) 4.393 casos (0,2%) de reações adversas, sendo 175 possíveis casos de reações alérgicas graves e 21 de anafilaxia após a administração de 1.893.360 primeiras doses da vacina para Covid-19 da Pfizer-BioNTech, levando a uma estimativa de 11,1 casos de anafilaxia para cada milhão de pacientes imunizados.

Os critérios para determinação das reações alérgicas seguiram o protocolo do Brighton Collaboration que utiliza um conjunto de sintomas para definir casos de anafilaxia. Esse critério apresenta 5 níveis, onde nível 1 indica casos mais graves de anafilaxia; níveis 2 e 3 casos mais leves; nível 4 representa casos de anafilaxia, porém que não seguem os critérios de Brighton e por último o nível 5 que representa casos indefinidos. Todos os casos considerados de anafilaxia nesse estudo foram níveis 1 e 2.

Dos 21 casos definidos como anafilaxia, a idade média era de 40 anos e 90% em pacientes do sexo feminino, sendo o intervalo entre a dose e o início dos sintomas, em torno de 13 minutos. O tratamento foi realizado com epinefrina subcutânea ou intramuscular e 4 pacientes precisaram ser internados em unidade fechada. Todos os pacientes tiveram alta e se recuperaram e nenhuma morte foi relacionada a anafilaxia pela vacina. Desses pacientes, 17 (81%) apresentavam história pregressa de alergia ou anafilaxia e foram administradas doses de diferentes lotes entre esses pacientes.

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Durante esse mesmo período, o VAERS evidenciou 83 casos de reações alérgicas leves que consistiam em rash cutâneo, prurido, sensação de garganta arranhando e sintomas respiratórios leves.

Essa análise apresentou algumas limitações. Primeiro pelo fato das notificações serem espontâneas, ou seja, não houve uma obrigação do relato de casos, o que pode ter encoberto outros casos de reações alérgicas que não foram notificados. Outra limitação foi o fato da grande exposição mundial pela mídia em relação a vacinação, podendo ter sido criado um aumento de preocupação e ansiedade, até mesmo pelos profissionais de saúde, aumentando a suspeita de casos de anafilaxia com tratamento precoce e consequentemente aumentando os índices de casos reais. E por final, como a vacinação da Pfizer foi a primeira autorizada, aumentando o número de pacientes imunizados com essa marca, não houve como fazer comparações de reações com a vacina da Moderna, autorizada uma semana depois e cujos dados relacionados a essa foram mais limitados, onde apenas um caso de anafilaxia em 224.322 doses foi relatado ao VAERS.

Mensagem final

A mortalidade pelo vírus Sars-CoV-2 em população de risco é alta e as opções de tratamento ainda são bastante limitadas. Sendo assim, a disseminação de vacinas de alta eficácia é uma grande ferramenta para o controle dessa pandemia. Os órgãos americanos responsáveis (CDC e FDA) continuam monitorando possíveis casos de reações adversas, especialmente casos de anafilaxia e determinaram um guia que deve ser seguido nos locais responsáveis pelas imunizações onde deve-se: 1) haver material suficiente e necessário para o tratamento de possíveis reações anafiláticas; 2) triagem de pacientes a fim de identificar aqueles que apresentam história pregressa de alergia; 3) recomendação para observação pós vacinação de 15-20 minutos no local; 4) treinamento para os profissionais saberem identificar sinais e sintomas de anafilaxia precocemente e; 5) tratar imediatamente casos suspeitos de anafilaxia com epinefrina intramuscular e transportar o paciente para unidades de atendimento específicas.

Além disso é recomendado a todos os pacientes que apresentarem sintomas após o período observacional, recorrerem imediatamente a uma unidade de emergência mais próxima.

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Referências bibliográficas:

  • CDC. COVID-19 Response Team; Food and Drug Administration. Allergic Reactions Including Anaphylaxis After Receipt of the First Dose of Pfizer-BioNTech COVID-19 Vaccine — United States, December 14–23, 2020.Weekly / January 15, 2021 / 70(2);46–51. Disponível em: https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/70/wr/mm7002e1.htm
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Publicado por
Gabriela Queiroz

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