Coronavírus

Recomendações da OMS e da UNICEF para o uso de máscaras por crianças e adolescentes

Tempo de leitura: 3 min.

No último dia 21 de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgaram recomendações sobre o uso de máscaras por crianças e adolescentes na comunidade no contexto da Covid-19. O documento publicado não aborda o uso de máscaras por adultos que trabalham com crianças ou pais/responsáveis ou ainda o uso de máscaras por crianças em ambientes de cuidados de saúde. As duas organizações destacam que esta é uma orientação provisória que será revisada e atualizada conforme novas evidências surjam.

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Uso de acordo com faixa etária

Com base na opinião de especialistas, a OMS e o UNICEF recomendam que crianças de até cinco anos de idade não devam usar máscaras como medida preventiva contra a Covid-19. Esta orientação é motivada por uma abordagem de “não causar danos” e considera os marcos de desenvolvimento da infância, os desafios de conformidade  e autonomia necessária para que uma máscara seja usada adequadamente.

Em relação a crianças com idades entre seis e 11 anos, uma abordagem baseada no risco deve ser aplicada à decisão de se usar uma máscara. Esta conduta deve levar em consideração: a intensidade da transmissão na área onde a criança se encontra;  dados atualizados/evidências disponíveis sobre o risco de infecção e transmissão nesta faixa etária; ambiente social e cultural, como crenças, costumes, comportamento ou normas sociais que influenciam a comunidade e as interações sociais da população, especialmente com e entre crianças; a capacidade da criança de cumprir as recomendações apropriadas de máscaras e a disponibilidade de supervisão apropriada de um adulto; o impacto potencial do uso de máscara na aprendizagem e no desenvolvimento psicossocial; e considerações e adaptações adicionais para ambientes específicos, como famílias com parentes idosos, escolas, durante atividades esportivas ou para crianças com deficiência ou com doenças subjacentes.

Os conselhos sobre o uso de máscara em crianças e adolescentes com 12 anos ou mais devem seguir as orientações da OMS e/ou as diretrizes nacionais de uso de máscara por adultos. Além disso, o uso de máscara para crianças imunocomprometidas ou para pacientes pediátricos com fibrose cística ou certas outras doenças, como câncer, por exemplo, é geralmente recomendado, mas deve ser avaliado em consulta com o médico da criança.

Saiba mais: Como acontece a transmissão da Covid-19 em ambientes familiares?

Situações especiais

O uso da máscara não deve ser exigido por crianças com distúrbios de desenvolvimento, deficiências ou outras condições de saúde. Nesse caso, o uso de máscaras deve ser avaliado individualmente pelo educador e/ou médico da criança. No entanto, esses pacientes podem enfrentar barreiras, limitações e riscos adicionais. Portanto, devem ser dadas opções alternativas para uso de máscara, como protetores faciais (face shields).

As recomendações sobre máscaras devem ser adaptadas nessas crianças com base em fatores sociais, culturais e ambientais. Algumas crianças com deficiência requerem contato físico próximo com terapeutas, educadores ou assistentes sociais.

Neste contexto, é fundamental que todos os prestadores de cuidados adotem medidas essenciais de prevenção e controle de infecções, incluindo o uso de máscaras, e que os ambientes sejam adaptados para fortalecer essas abordagens. O uso de máscaras por crianças com perda auditiva ou problemas auditivos pode levar a barreiras de aprendizagem e outros desafios, exacerbados pela necessidade de adesão ao distanciamento físico recomendado.

O uso de máscaras pode prejudicar a aprendizagem dessas crianças devido a eliminação de leitura labial, além do distanciamento físico. Máscaras adaptadas para permitir a visualização de lábios (por exemplo, máscaras transparentes) ou o uso de face shield podem ser explorados como uma alternativa às máscaras de tecido.

Face shields

O face shield fornece proteção apenas para os olhos e não deve ser considerado como equivalentes às máscaras no que diz respeito à proteção contra gotículas respiratórias e/ou controle de fonte. Todavia podem ser usados levando-se em consideração os seguintes itens: o face shield é uma barreira física incompleta e não fornece as camadas de filtragem de uma máscara; deve cobrir todo o rosto, incluindo as laterais, e se estender abaixo do queixo; os reutilizáveis devem ser devidamente limpos (com sabão ou detergente e água), desinfetados (com álcool 70-90%) e armazenados após cada uso; devem ser selecionados face shields que suportem o uso de desinfetantes sem danificar suas propriedades ópticas; a distância física de, no mínimo, um metro deve ser mantida onde for viável, com promoção contínua de higiene das mãos e etiqueta respiratória frequente; por fim, deve-se ter cuidado para evitar lesões durante o uso por crianças.

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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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