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cirurgião recebendo instrumento durante cirurgia para refluxo gastroesofágico

Refluxo gastroesofágico: cirurgia com esfincter magnético pode ser considerada?

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O refluxo gastroesofágico acomete uma importante parcela da população, sendo em grande parte subdiagnosticado pelo fato dos pacientes se automedicarem e não procurarem auxílio médico. Muitos pacientes com refluxo conseguem manejar com tratamento medicamentoso e comportamental, no entanto alguns podem se beneficiar do procedimento cirúrgico.

A cirurgia para tratamento do refluxo gastroesofágico tem bastante relação com o crescimento da cirurgia minimamente invasiva. Apesar das técnicas já serem descrita há muitos anos, foram adaptadas e atualmente a videolaparoscopia é a via de escolha. Com o grande avanço promovido pela cirurgia laparoscópica, o tratamento cirúrgico da DRGE foi utilizado de forma indiscriminada e consequentemente as complicações foram percebidas de forma mais frequente. Em particular a disfagia e o desconforto em andar superior do abdome associada a dificuldade de eructar e até mesmo vomitar.

Numa busca de métodos com menos efeitos colaterais, foi desenvolvido um anel magnético composto por esferas interligadas de metal imantado, em semelhança a um colar de contas. Este dispositivo teria a vantagem de aumentar a pressão do esfíncter esofágico inferior, sem alterar a anatomia do órgão, e assim diminuindo os efeitos de disfagia e a sensação de inchaço gástrico (bloating).

Cirurgia para refluxo gastroesofágico

Foi realizado um estudo retrospectivo com coleta prospectiva dos dados, onde foram analisadas as informações de 553 pacientes os quais foram implantados em um mesmo centro de junho de 2013 a setembro de 2018. Somente foram analisados os dados dos pacientes com DRGE, sem complicações como estenoses ou outras cirurgias esofagogástricas.

Os pacientes responderam a um questionário de qualidade de vida relacionada a doença do refluxo, imediatamente antes da cirurgia e com seis e 12 meses de pós-operatório. Além disto, um ano após a cirurgia, todos os pacientes seriam reavaliados com endoscopia, pHmetria e manometria.

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Resultados

Dos 553 pacientes operados, a média do tempo de acompanhamento foi de 10 meses e neste período 86% estavam satisfeito com a cirurgia e 92% livres do uso de inibidores de bomba de próton. Um subgrupo de 109 pacientes realizaram manometria com um ano de pós-operatório, com melhora do padrão da manometria e pHmetria. A dilatação endoscopia por disfagia e/ou dor foi necessária em 169 pacientes sendo que 70 pacientes necessitaram pelo menos duas sessões. Já o dispositivo foi necessário retirar em 37 pacientes, sendo 20 por disfagia ou dor.

Discussão

O uso de novas técnicas devem suplementar as já consagradas. O resultado deste estudo mostra um resultado intermediário, porém a análise de subgrupos demostra que pacientes que apresentam as quatro condições: sexo masculino, idade menor que 45 anos, Score de DeMeester alterado para refluxo e questionário de qualidade para refluxo com pontuação ruim, estão associados a 95% de sucesso cirúrgico.

A disfagia continua sendo a maior complicação relacionada ao procedimento, sendo responsável por um maior número de intervenções e até mesmo remoções. Tanto a taxa de sucesso, quanto a necessidade de extração do dispositivo está em acordo com as taxas encontradas na literatura.

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Conclusão

Esta é a maior série de uma única instituição, que demostrou ótimos resultados quando a cirurgia é realizada em pacientes homens, jovens, com muito sintomas pelo questionário de qualidade de vida e escore de DeMeester anormal, que pode auxiliar na hora de orientar uma indicação cirúrgica.

A cirurgia para tratamento da doença do refluxo continua sendo um tema de muita discussão e a ideia que o dispositivo magnético iria revolucionar o tratamento não está se provando. Mas talvez numa população específica pode ter grande aplicabilidade.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Langerth A, Isaksson B, Karlson B et al. ERCP-related perforations: a population-based study of incidence, mortality, and risk factors. Surg Endosc 34, 1939–1947 (2020). https://doi.org/10.1007/s00464-019-06966-w

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