Covid-19

REGEN-COV mostra redução de hospitalizações em indivíduos de alto risco com Covid-19

Tempo de leitura: 3 min.

O uso de anticorpos neutralizantes monoclonais contra o SARS-CoV-2 é uma das estratégias que vêm sendo extensivamente investigadas como opção terapêutica para indivíduos com Covid-19. Combinações desses anticorpos já foram avaliados, com bons resultados, levando inclusive à sua autorização emergencial pela Food & Drug Administration.

Casirivimabe e imdevimabe são dois anticorpos recombinantes IgG1 que se ligam de forma não competitiva a epítopos nos domínios RBD da proteína S do SARS-CoV-2, bloqueando a invasão viral nas células humanas. Estudos iniciais mostraram benefício de seu uso em indivíduos considerados de alto risco para Covid-19 grave, mas o número pequeno de eventos impediu análises estatísticas robustas. Agora, uma publicação na The Lancet mostrou dados de vida real que apoiam o benefício dos medicamentos.

Leia também: Novas tecnologias auxiliam no tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19

Materiais e métodos

Trata-se de um estudo retrospectivo que incluiu indivíduos com 18 anos ou mais com diagnóstico laboratorialmente confirmado de SARS-CoV-2 que foram atendidos na Mayo Clinic no período de dezembro de 2020 a abril de 2021. Os participantes foram divididos em duas coortes: pacientes que receberam a combinação casirivimabe-imdevimabe e pacientes que não receberam.

Todos os participantes não possuíam indicação de internação e nem de oxigenoterapia suplementar e não podiam ter recebido outros anticorpos monoclonais. Segundo o protocolo local, a administração de casirivimabe-imdevimabe seguiu critérios definidos: sintomas leves a moderados iniciados dentro de 10 dias e pelo menos um fator de risco, a saber, idade ≥ 65 anos, IMC ≥ 35, diabetes mellitus, doença renal crônica, uso de medicação imunossupressora ou uma condição imunossupressora. Indivíduos a partir de 55 anos e que apresentassem hipertensão, doença cardiovascular ou doença pulmonar crônica também se enquadravam nos critérios. Os casos foram pareados com controles com características semelhantes que não receberam a combinação.

Saiba mais: Afinal, quantas doses da vacina anti-Covid-19 serão necessárias?

Os desfechos analisados foram hospitalização, admissão em UTI e morte nos dias 14, 21 e 28 após inclusão no estudo. Para os que receberam casirivimabe-imdevimabe, a data de inclusão foi a data da infusão do produto. Para os controles, a data foi definida baseada no número de dias entre o resultado positivo de teste diagnóstico e a data da infusão do caso correspondente.

Resultados

Dos pacientes encontrados na base de dados, foram selecionados eletronicamente 696 casos que receberam casirivimabe-imdevimabe e 696 controles. O tempo médio entre o diagnóstico de Covid-19 e a infusão foi de 2,61 dias. Todos os participantes apresentavam pelo menos um fator de risco para doença grave, sendo hipertensão, obesidade, diabetes mellitus, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, insuficiência cardíaca e imunossupressão as condições mais frequentes.

Hospitalização por todas as causas foi significativamente menos frequente no grupo que recebeu casirivimabe-imdevimabe em relação ao grupo controle nos dias 14 (1,3% vs. 3,3%), 21 (1,3% vs. 4,2%) e 28 (1,6% vs. 4,8%). Participantes que receberam casirivimabe-imdevimabe também tiveram mais dias livres de hospitalização. As taxas de admissão em CTI foram baixas e semelhantes em ambas as coortes.

Mensagens práticas

  • Esse estudo apoia resultados anteriores em relação ao benefício com o uso de casirivimabe-imdevimabe em relação à redução na hospitalização de indivíduos de alto risco para Covid-19 grave.
  • Além da presença de fator de risco, o uso de anticorpos neutralizantes monoclonais só está indicado para tratamento de pacientes sintomáticos com doença leve a moderada, sem indicação de internação ou oxigenoterapia, e com até 10 dias de sintomas.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Razonable RR, et al. CasirivimabImdevimab treatment is associated with reduced rates of hospitalization among high-risk patients with mild to moderate coronavirus disease-19, EClinicalMedicine. 2021. Online first, 101102. doi: 10.1016/j.eclinm.2021.101102.
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Publicado por
Isabel Cristina Melo Mendes

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