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Relação entre mortalidade dos pacientes cirúrgicos X idade e gênero dos cirurgiões

Tempo de leitura: 2 minutos.

É notório que as especialidades cirúrgicas envolvem uma curva de aprendizado peculiar, com o acúmulo de experiência e desenvolvimento da técnica. Não é à toa que certas carreiras demandam muito tempo até a formação do cirurgião de modo a poder enfrentar os diversos desafios e, muitas das vezes, com casos que “fogem ao que encontramos no livro”. Existe também o aspecto do envelhecimento e do prejuízo na atenção, destreza e acuidade visual que poderiam impactar o desempenho, principalmente em cirurgias longas e tecnicamente complexas. Existem até alguns debates se existiria uma idade de aposentadoria para cirurgiões.

Em março, foi publicado no BMJ um estudo observacional com 89.2187 pacientes (entre 65 e 99 anos) beneficiários do Medicare e presentes no registro norte-americano, além de 45.826 cirurgiões, que avaliou a taxa de mortalidade operatória definida como morte ocorrida durante a internação e até 30 dias após o procedimento cirúrgico de grande porte de urgência para evitar viés por escolha do cirurgião pelo paciente.

As taxas de mortalidade foram analisadas quanto a diferentes faixas etárias dos cirurgiões e por gênero também, para avaliar se há alguma diferença estatística significativa entre eles, ajustando ainda para a gravidade da doença do paciente. A faixas de idade dos médicos foram: < 40, 40 – 49, 50 – 59 e > ou igual a 60 anos.

Taxa de mortalidade x idade do cirurgião

Dados importantes a se considerar:

  • Apenas 10,1% do total eram cirurgiãs e a maior parte delas tinha menos de 40 anos;
  • A mortalidade geral dos pacientes foi 6,4%;
  • A mortalidade ajustada para as faixas etárias dos cirurgiões foi:
    < 40: 6,6%;
    40 – 49: 6,5%;
    50 – 59: 6,4%;
    e > ou igual a 60: 6,3%;
  • A mortalidade ajustada para o gênero do cirurgião e fatores de confusão: homens = 6,5% X mulheres = 6,3%;
  • As cirurgiãs entre 50 e 59 anos obtiveram a menor taxa de mortalidade no registro;
  • Quanto à gravidade do paciente: só houve diferença de mortalidade favorecendo os mais experientes para pacientes classificados na faixa de maior gravidade;
  • Para procedimentos eletivos que entraram no registro não houve diferença de mortalidade por idade nem gênero do cirurgião;

Conclusões

Os resultados desse estudo observacional sugerem uma discreta redução na taxa de mortalidade para procedimentos cirúrgicos de grande porte em caráter de urgência para cirurgiões mais experientes. Não há diferença estatisticamente significativa entre o gênero do cirurgião e a taxa de mortalidade operatória.

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Autor:

Cristiano Carvalho de Oliveira

Formado em Medicina pela UFRJ em 2009/2 ⦁ Residência de Clínica Médica no HUCFF (UFRJ 2010 -2012) ⦁ Residência de Cardiologia no HUCFF (UFRJ 2012 – 2014) ⦁ Trabalho na Emergência do H. Pró-cardíaco ⦁ Ergometrista na CardioClin.

Referências:

  • Yusuke Tsugawa et al, Age and sex of surgeons and mortality of older surgical patients: observational study; BMJ 2018

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