Infectologia

Remdesivir: estudo mostra recuperação mais rápida em pacientes com Covid-19

Tempo de leitura: 2 min.

Um dos medicamentos estudados para o tratamento de Covid-19 e que tem chamado a atenção é o remdesivir. Inicialmente desenvolvido para o tratamento de ebola, trata-se de um antiviral de amplo espectro que mostrou ação in vitro contra SARS-CoV-2.

Remdesivir para Covid-19

Os primeiros resultados em relação ao seu uso foram publicados na The New England Journal of Medicine, e também falamos aqui no Portal. A publicação mostra resultados aparentemente positivos, mas os participantes eram pacientes em uso compassionado da droga, formando um grupo heterogêneo e sem grupo controle, o que dificulta a análise dos reais benefícios que podem ser atribuídos ao remdesivir.

Novo estudo

Diversos estudos seguem estudando a eficácia desse potencial tratamento, com poucos resultados publicados até o momento. Entretanto, uma publicação recente do National Institutes of Health (NIH), órgão norte-americano, mostra resultados que sugerem benefício.

Trata-se do primeiro estudo clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, conduzido nos Estados Unidos para avaliar um tratamento experimental para Covid-19. Foram incluídos pacientes com infecção confirmada por SARS-CoV-2 e evidência de envolvimento pulmonar, que poderia ser indicado por alteração da ausculta pulmonar com necessidade de oxigênio suplementar ou anormalidades em radiografia de tórax, ou doença que necessitasse de ventilação mecânica. Indivíduos com sintomas leves ou assintomáticos foram excluídos.

Leia também: Hidroxicloroquina para Covid-19: estudo randomizado não mostra benefício

Resultados

Os resultados preliminares analisados por um conselho de monitoramento independente mostraram melhora mais rápida no grupo de pacientes que recebeu remdesivir teve uma recuperação 31% mais rápida do que os que receberam placebo (p < 0,001), com um tempo médio de 11 dias para recuperação no grupo que recebeu remdesivir e de 15 dias para os que receberam placebo.

A publicação também cita que os resultados sugerem benefício em relação à mortalidade, embora de forma sem significância estatística (taxa de mortalidade de 8,0% no grupo que recebeu remdesivir vs. 11,6% no grupo placebo; p = 0,059).

O NIH informa que dados mais detalhados serão divulgados em um relatório a ser lançado em breve, o que permitirá uma melhor avaliação dos resultados e do perfil de segurança da droga, mas essa análise preliminar sugere algum benefício com uso de remdesivir.

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Publicado por
Isabel Cristina Melo Mendes

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