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Residência em Clínica Médica no HUPE/UERJ: conheça os prós e contras

Tempo de leitura: 4 minutos.

O Rio de Janeiro possui diversas opções de residência em clínica médica, em hospitais universitários, federais, estaduais, municipais e militares, cada qual com suas particularidades, prós e contras. O serviço de clínica médica do HUPE/UERJ é bastante reconhecido pela complexidade dos casos, experiência dos supervisores e atividades práticas, sendo vista como uma residência bem completa.

Sempre tive maior identificação com hospitais universitários, de modo que, quando me candidatei à vaga de residente de CM, só prestei prova para esses hospitais. Passar para a UERJ foi uma grande felicidade, e, me apaixonei tanto pelo hospital que quando terminei a CM permaneci como staff do plantão geral (cargo que ocupo há um ano).

Como é organizada a residência médica no HUPE

Ingresso

No HUPE, a CM é dividida em quatro pares de enfermarias masculinas e femininas, que são numeradas: 11/12, 13/14, 15/16 e 17/18. Como são oferecidas 20 vagas, são alocados cinco residentes em cada par de enfermarias, e nela permanecem pelos dois anos. A escolha pelas enfermarias costuma ser pela classificação no concurso.

R1

O R1 é dividido em 10 meses nas enfermarias, alternando em feminina e masculina, um mês de rodízio no CTI e um mês de férias. Aos fins de semana há visita nos pacientes internados, de acordo com a divisão entre os residentes da enfermaria.

Há plantão semanalmente, que é realizado no plantão geral ou na emergência de um hospital particular que possui convênio com o HUPE onde é complementada a carga horária de emergência exigida pela CNRM.

No R1 há dois ambulatórios: um deles é vinculado à enfermaria e o outro fica na Policlínica Piquet Carneiro, uma unidade de atenção secundária vinculada à UERJ, e que cada residente possui total autonomia sobre a agenda e acompanha os pacientes durante todo o ano do R1. Todas as manhãs são na enfermaria e as tardes são divididas entre resolver pendências da enfermaria e os ambulatórios.

R2

O R2 é também dividido em 10 meses nas enfermarias, um mês de rodízio externo e um mês de férias. Também possui plantão no PG e no hospital particular.

Há também dois ambulatórios: o da enfermaria, frequentado pelos dois anos de residência, e um ambulatório de risco cirúrgico que é intercalado com um serviço de parecer + risco cirúrgico de pacientes internados. Durante alguns meses há também o acompanhamento de ambulatórios de duas especialidades clínicas escolhidas no início do R2 (uma vez por semana).

Características

Como é perceptível pela organização, é uma residência muito hospitalista e com relativamente pouca atividade ambulatorial. Dependendo do perfil de cada um, pode ser visto como um ponto positivo ou negativo; a mim agradou e achei suficiente.

O hospital possui grande tradição em clínica médica, recebe pacientes com casos complexos da rede e diversas especialidades internam nos leitos da CM (hematologia, reumatologia, gastroenterologia, endocrinologia, etc). Cada par de enfermarias possui staffs próprios, o que dá um perfil diferente a cada uma delas. O PG possui dois staffs por turno por dia.

Semanalmente há duas sessões clínicas: uma maior, com todas as enfermarias participando, com os casos mais raros/difíceis, e outra menor com dois pares de enfermarias, em geral voltadas para manejo de casos mais comuns.

Prós

Supervisão e autonomia: o residente de CM no HUPE tem bastante autonomia para manejo dos pacientes, mas isso de forma alguma significa estar sem supervisão. Pelo contrário, os supervisores são excelentes tecnicamente e estão disponíveis para ensinar e discutir sempre, tanto nas enfermarias quanto nos plantões e nos ambulatórios.

Pertencer a uma enfermaria: eu vi como um ponto positivo, há quem discorde. Mas sempre gostei da ideia de acompanhar os casos por completo (durante toda a internação e fazer o seguimento ambulatorial). Quem discorda argumenta que passar por diversas enfermarias permite conhecer o jeito de cada staff e com isso aprender com pessoas diferentes – o que também é verdade.

Grande variedade de casos: como é um hospital quaternário, o HUPE recebe um número grande de pacientes com doenças pouco comuns, tanto para diagnóstico quanto tratamento. Mas não vemos só as raridades: há também muita hipertensão, diabetes, pneumonia e doença renal crônica para manejar.

Bom equilíbrio de atividades teóricas e práticas: é uma residência que preza pelo academicismo; além das sessões clínicas, todas as enfermarias fazem discussão de artigos e aulinhas nas suas rotinas.

Muito contato com internos: os internos passam por rodízios de três meses nas enfermarias clínicas e de um ano e meio no PG. Esse contato próximo é positivo porque há troca de conhecimento e os residentes, ao supervisionarem os internos, consolidam conhecimentos.

Contras

Não rodar nos serviços de especialidade: como a CM acaba abraçando os pacientes que internam de quase todas as especialidades clínicas do HUPE, o residente fica muito tempo na própria enfermaria. Entretanto, ver o olhar do especialista sobre a mesma doença pode ser transformador. Além disso, o contato mais próximo com as especialidades pode ajudar na escolha da subespecialidade para aqueles que querem fazer mais uma residência. Obs: há o rodízio externo e há o rodízio nos ambulatórios de especialidade que acontecem no R2.

Pouco ambulatório: o tempo dedicado à enfermaria é bem superior ao tempo para os ambulatórios, mas ao todo são três ambulatórios durante os dois anos inteiros, mais os de especialidade. Para quem quer escolher uma especialidade de paciente mais ambulatorial pode parecer pouco, mas foi suficiente.

Leia mais: Residência médica: como decidir pelo melhor lugar?

Parecer: não há um rodízio específico no parecer, fica-se responsável pelos pareceres durante um ano, que são respondidos à tarde. A carga horária é bem razoável, mas particularmente não gostei muito.

Sucateamento do SUS: provavelmente um dos tópicos de maior interesse para quem está pensando em se candidatar/matricular no HUPE. Como qualquer serviço público, o hospital sofre com o sucateamento do SUS e nos últimos dois ou três anos foi especialmente ruim, pois a UERJ foi muito afetada pela crise do Estado do Rio de Janeiro desde 2015. O meu período de residência, especialmente o R2, foi o mais prejudicado.

Apesar disso, considero uma boa residência e  conseguimos aprender muito e ajudar muita gente, mesmo com todo o caos. Desde o ano passado têm sido injetadas verbas na universidade e no hospital. As bolsas de residência estão em dia, o hospital tem passado por reformas, leitos foram sido reabertos e profissionais estão sendo contratados. É um bom momento pelo qual o HUPE está passando.

A minha opinião

Não existe residência perfeita, prós e contras há em todas. A minha experiência no HUPE teve muito mais pontos positivos do que negativos, e desenvolvi um carinho tão grande pelo hospital que permaneci trabalhando lá para não me despedir por completo. Claro que sempre temos muito mais a aprender, mas minha formação foi adequada.

É uma boa residência, com bons supervisores e excelente campo de aprendizado.

Para quem ficou curioso, fui da enfermaria 11/12, do plantão de quinta-feira e atualmente sou staff de quinta à noite.
E você? Ainda tem alguma dúvida? Me escreva para que possamos conversar melhor liviaboechat@id.uff.br

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