Resposta às vacinas contra Covid-19 em mulheres gestantes e lactantes

Tempo de leitura: 2 min.

A pandemia de Covid-19 trouxe ao mundo grandes preocupações, dúvidas, medos e a cada semana atualmente a pandemia toma novas direções como um tornado desgovernado destruindo tudo por onde passa. No início, as dúvidas pairavam sobre quando ir ao hospital, drogas a serem utilizadas, necessidades de vagas. Passamos por momentos de “fecha tudo” em alguns países, “não fecha nada” em outros. O mundo científico talvez não tenha produzido tanto, em tão pouco tempo sobre uma única patologia como tem sido o estudo sobre Covid-19. Agora chegamos em novo paradigma: gestantes e lactantes, pertencendo ao grupo de risco, devem receber as vacinas?

Como elas não participaram dos estudos iniciais para testes das vacinas, essa pergunta tinha ficado sem resposta. E ainda hoje temos dúvidas se devemos orientá-las a receber a vacina, em qual trimestre, se a vacina teria algum efeito colateral sobre a mãe, sobre o feto, sobre ambos, ou se haveria risco de anomalias congênitas relacionadas a vacina.

Leia também: Vacina contra a Covid-19 da Pfizer/BioNTech começa a ser testada em gestantes

Análise recente

No mês de fevereiro de 2021, 71 mil gestantes foram infectadas e 71 dessas morreram. Apesar de serem do grupo de risco, terem a doença na sua forma mais grave, não foram incluídas nos grupos de estudo para as vacinas. Então, um grupo de dois serviços terciários nos EUA (ambos ligados a Harvard Medical School) publicaram em março de 2021 um trabalho onde fizeram testagem com as vacinas Pfizer/BioNtech e Moderna (Rnam de SARS-COV-2) num grupo de 131 mulheres maiores de 18 a 45 anos, gestantes e lactantes, comparando com mulheres de mesmo perfil em idade reprodutiva não gestantes.

Essas mulheres receberam as 2 doses das vacinas e foram seriados testes imunológicos para perceber a resposta vacinal.

Efeitos colaterais reportados por elas:

  • dor no local da injeção;
  • reação/erupção cutânea no local da injeção;
  • dor de cabeça;
  • mialgias;
  • fadiga;
  • febre/calafrios;
  • reação alérgica ou;
  • outros (reação detalhada).

Amostras de sangue e leite materno foram colhidas nos intervalos:

  1. no dia da primeira dose;
  2. no dia da segunda dose;
  3. 2 a 5,5 semanas após a segunda dose;
  4. no momento do parto (daquelas que evoluíram para o parto no período do estudo);
  5. sangue do cordão também foi colhido para verificar a passagem de anticorpos para circulação fetal).

As gestantes receberam vacinas desde o primeiro até o terceiro trimestre.

Saiba mais: Nova recomendação do ACOG sobre as vacinas contra Covid-19 em gestantes

As conclusões mostradas sugerem que a vacinação Covid-19 oferecidas em quaisquer trimestres foram seguras, com poucos efeitos colaterais vacinais, oferecendo imunogenicidade semelhante às não gestantes. Interessante que a resposta imune proporcionada pela vacina foi maior que a imunidade dada pela infecção natural. A transferência de anticorpos para os fetos e recém nascidos se deu tanto através da barreira placentária como pelo leite materno.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Gray KJ, Bordt EA, Atyeo C, Deriso E, Akinwunmi B, Young N, Baez AM, Shook LL, Cvrk D, James K, De Guzman RM, Brigida S, Diouf K, Goldfarb I, Bebell LM, Yonker LM, Fasano A, Rabi SA, Elovitz MA, Alter G, Edlow AG. Covid-19 vaccine response in pregnant and lactating women: a cohort study. medRxiv [Preprint]. 2021 Mar 8. doi: 1101/2021.03.07.21253094
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Publicado por
João Marcelo Martins Coluna

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