Resposta imune à Covid-19 pode ser diferente entre homens e mulheres?

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Algumas evidências têm apontado para diferenças nos resultados clínicos da Covid-19 entre homens e mulheres. Como ainda não é sabido se a resposta imune do SARS-CoV-2 está diretamente ligada a essa questão, um estudo recente, publicado ontem, 26, na Nature, buscou entender as diferenças sexuais na imunidade.

Para isso, foram avaliadas as cargas virais, os títulos de anticorpos específicos para SARS-CoV-2, as citocinas plasmáticas, e também a fenotipagem de células sanguíneas em pacientes com Covid-19.

Resposta imune à Covid-19

Os pesquisadores analisaram 98 pacientes (47 homens e 51 mulheres) com doença leve a moderada e que não receberam medicamentos imunomoduladores. Os resultados mostraram que homens e mulheres possuem uma resposta diferente ao vírus.

Enquanto os homens tiveram mais resposta inflamatória, com níveis altos de citocinas e quimiocinas no sangue, as mulheres tendem a ter uma resposta mais forte imunológica, das células T. Este pode ser um dos fatores que fazem com que mais homens evoluam com gravidade do que as mulheres.

Leia também: Primeiro caso de reinfecção pela Covid-19 é confirmado por sequenciamento genético

Outros estudos mostraram que a “tempestade de citocinas” é um dos preditores de gravidade para a doença, tendo maior produção em quem tem Covid-19 do que quem não tem. Em mulheres que tiveram a doença grave posteriormente, foi identificada essa relação do aumento na quantidade das citocinas em comparação às outras, mas em homens não houve a mesma associação.

Em relação à idade, entre os homens mais velhos, a reposta de células T foi ainda mais pobre, conforme a idade aumentava, aumentando a relação com a evolução com gravidade. Por outro lado, as mulheres demonstraram ter a mesma produção desse tipo de imunidade, independente da idade.

Conclusões

A análise sugere que as diferenças entre os sexos possam estar intimamente ligadas à gravidade da doença. Um dos pontos de destaque também que é, apesar de a idade ser considerada um fator de risco, nos homens isso se tornou mais importante, já que as mulheres produziram células T de forma uniforme.

Veja mais: Coagulopatia na Covid-19: pacientes têm risco aumentado de sangramento e/ou trombose?

Apesar disso, por ser uma amostra pequena, e outros fatores externos possam influenciar, o ideal é que novos estudos sejam desenvolvidos com a ideia de entender mais profundamente essas questões. Utilizar essa base para produzir novas evidências pode ser importante até mesmo no tratamento e cuidado desses pacientes.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Clara Barreto

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