Ressuscitação cardiopulmonar e coronavírus: 4 dicas práticas

Tempo de leitura: 2 min.

Imagine que acaba de ser identificada uma parada cardiorrespiratória (PCR) no seu paciente com diagnóstico ou suspeita de doença pelo novo coronavírus, Covid-19. O que mudaria no seu atendimento em relação a um paciente sem esse diagnóstico? Quais precauções adicionais e específicas devemos ter?

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Dicas para RCP no paciente com coronavírus

Trago aqui os quatro principais pontos de atenção no atendimento a esses casos:

  1. Proteção individual da equipe é prioritária e indispensável.

A equipe deve estar com todos equipamentos de proteção individual (EPI) recomendados para procedimentos com geração de aerossol (máscara N95, gorro, luvas, óculos ou protetor facial, avental) antes de iniciar o atendimento a esses pacientes.

Observação: A pronta disponibilidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) promoverá menor retardo no início das compressões torácicas. Logo, conjuntos de EPIs devem estar disponíveis no carrinho de ressuscitação ou parada para pronto uso.

  1. Siga as recomendações oficiais da American Heart Association, conforme protocolo do ACLS (Advanced Cardiac Life Support) para atendimento ao paciente em PCR.
  2. Via aérea e ventilação:

Quando a PCR ocorre em um paciente sem via aérea avançada:

  • O acesso invasivo da via aérea deve ser priorizado (no entanto, lembre-se de que as compressões torácicas devem ser mantidas enquanto o material é preparado);
  • A hipóxia é a principal causa de PCR nesses pacientes;
  • Não fazer: ventilação boca a boca ou uso da máscara de bolso;
  • Evite: ventilação com bolsa-válvula-máscara ou bolsa-tubo endotraqueal, devido ao elevado risco de aerossolização e contaminação da equipe, além da efetividade não ser superior à da ventilação mecânica, conforme evidências disponíveis atuais;
  • E se existir absoluta necessidade de ventilação com bolsa-válvula-máscara? Faça a vedação da máscara com a técnica envolvendo dois profissionais, utilize cânula orofaríngea e instale um filtro HEPA entre a máscara e a bolsa.

Quando a PCR ocorre em um paciente com via aérea avançada:

  • Mantenha o paciente conectado ao ventilador (circuito fechado);
  • Ajuste a Fração Inspirada de Oxigênio (FiO2) para 100%;
  • Ajuste o modo ventilação controlada a volume (VCV), objetivando 6 ml/kg de peso predito;
  • Coloque a sensibilidade no valor máximo permitido pelo equipamento;
  • Ajuste a frequência respiratória em 10 a 12 rpm;
  • PEEP zero;
  • Alarme de pressão de pico em 60 cmH20.

Observação: Alguns ventiladores apresentam a função RCP ou PCR. Ela ajusta automaticamente os limites de alarme e parâmetros mencionados.

Leia também: Comportamento clínico de pacientes críticos com Covid-19

 

  1. Compressões torácicas, desfibrilação e drogas utilizadas na RCP:

Sem recomendações específicas para o paciente com Covid-19, até o momento. Siga o protocolo já bem estabelecido da American Heart Association, conforme ritmo identificado.

Algumas considerações

  • Reduza ao máximo o número de funcionários no local do atendimento;
  • A intubação traqueal deve ser feita desde a primeira tentativa, preferencialmente com uso da videolaringoscopia.

Autor(a):

 

Referências bibliográficas:

  • Recomendações para Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) de pacientes com diagnóstico ou suspeita de Covid-19. Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). 2020. Disponível em: https://www.amib.org.br/fileadmin/user_upload/amib/2020/marco/22/RCP_ABRAMEDE_SBC_AMIB-4__210320_21h.pdf
  • Diretrizes RCP 2019 American Heart Association. Disponível em: https://eccguidelines.heart.org/wp-content/uploads/2019/11/2019- Focused-Updates_Highlights_PTBR.pdf
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Publicado por
Filipe Amado

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