Resultados a longo prazo de stents colonônicos por obstrução neoplásica

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O uso de stents em obstruções agudas de cólon por neoplasia aumentou nos últimos anos, no entanto a literatura não possui um real acompanhamento do benefício oncológico desta medida.

Apesar de poder retirar o paciente de uma situação de emergência, o procedimento em si possui riscos associados como a perfuração do tumor, que pode ocorrer durante a passagem da prótese. Alguns autores advogam que esta ruptura, mesmo que sem repercussão clínica, pode representar consequências ruins do ponto de vista oncológico ao paciente.

O objetivo do trabalho foi avaliar se os pacientes que colocaram prótese por obstrução neoplásica do cólon apresentaram pior prognóstico do ponto de vista oncológico.

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Materiais e métodos

Revisão sistemática e metanálise de artigos com implante de stent metálico autoexpansível como ponte para cirurgia em pacientes potencialmente curáveis. Os artigos deveriam ter um tempo médio de observação de 2 anos. O principal desfecho a ser observado foi a recorrência locorregional e sistêmica.

Resultados

A busca inicial demostrou 3.373 estudos, porém após a análise e filtros restaram 13 estudos relevantes para serem analisados. Estes estudos foram publicados de 2013 a 2019 e acumularam um total de 950 pacientes. Um total de 85 pacientes apresentaram perfuração do tumor (8,9%), sendo que 49 apresentaram com repercussão clínica e os demais 36 assintomáticos.

Quanto a recorrência global 35 dos 85 pacientes com perfuração pelo stent apresentaram recorrência o que significa 41,2%, enquanto a recorrência foi detectada em 30,8% daqueles sem perfuração. A análise estatística demostrou uma razão de chance de 1,7 vezes maior de recorrência quando há a perfuração (P = 0,04).

Ao se analisar a recorrência local, aqueles pacientes com perfuração pelo stent apresentaram uma razão de chance 2,41 vezes a mais de apresentarem recorrência (P=0,004).  Enquanto a análise estatística da recorrência sistêmica não apresentou significado estatístico.

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Discussão

Os resultados a curto prazo do uso de stents é muito bem estabelecido por equipes multidisciplinares. Porem a literatura publicada recentemente apresenta dados preocupantes do ponto de vista oncológico a longo prazo. A Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrointestinal e uma revisão sistemática da Cochrane não consideram o uso de stent como tratamento de escolha e deve ser utilizado com alternativa em pacientes com idade mais avançada e/ou classificação de risco maior.

Existem algumas teorias que tentam explicar a relação do stent e o aumento do número de células tumorais circulante ou que invadem as vias linfáticas, e estão relacionadas com a pressão exercida do stent no parênquima tumoral.

Conclusão

Este artigo foi capaz de demostrar estatisticamente que há um elevado aumento de risco quando ocorre ruptura do tumor pela passagem da prótese, seja com repercussão clínica ou não. Isto deve ser levado em consideração ao se indicar a descompressão com prótese, visto que esta complicação pode ser inevitável, mesmo em procedimentos realizados sem intercorrências técnicas. Assim o uso de stents como ponte para a cirurgia não apresenta melhores resultados a longo prazo que a cirurgia de emergência e, portanto, devemos abstermos do uso sistemático deste tipo de prótese.

Existe uma ampla discussão de qual seria a melhor conduta ao deparamos com uma obstrução neoplásica de cólon. O uso de prótese e cirurgia em um segundo momento é bastante elegante e evita a colostomia no paciente. No entanto a análise tardia tem demostrado melhores resultados a longo prazo quando não se utiliza de stents colônicos. Apesar de tentador, o uso da prótese está caminhado para ser uma medida de exceção e não de centros de referência.

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Referências bibliográficas:

  • Balciscueta I, Balciscueta Z, Uribe N, García-Granero E. Long-term outcomes of stent-related perforation in malignant colon obstruction: a systematic review and meta-analysis [published online ahead of print, 2020 Jun 22]. Int J Colorectal Dis. 2020;10.1007/s00384-020-03664-1. doi:10.1007/s00384-020-03664-1
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