Rinite Alérgica: ferramentas para o diagnóstico na prática clínica

Saiba como diagnosticar e tratar a rinite alérgica.

Este conteúdo foi produzido pela PEBMED em parceria com GSK de acordo com a Política Editorial e de Publicidade do Portal PEBMED.

Uma mulher de 35 anos tem história de congestão nasal na maioria dos dias do ano, desde o final da adolescência. Além disso, apresenta secreção nasal crônica clara e espessa. Seus sinais de congestão pioram no fim do verão e início do outono e novamente no início da primavera. Nessas ocasiões, ela também tem espirros, coceira nasal e tosse. Cinco anos atrás, apresentou um episódio de falta de ar com chiado no peito associado à piora dos sintomas nasais, com resolução espontânea.

Ela nega outros sintomas, como alterações oculares a lesões de pele, além do uso de medicações de uso contínuo e histórico de tabagismo. Anti-histamínicos de uso esporádico têm melhorado seus sintomas.1

Como avaliar e manejar esse caso?

A rinite alérgica (RA) pode ser definida como a presença de sintomas de espirros, prurido nasal, obstrução do fluxo aéreo e secreção nasal hialina causada por reações mediadas por IgE contra alérgenos inalados e envolvendo inflamação da mucosa, principalmente, por células T auxiliares tipo 2 (Th2).1 As estimativas de prevalência de rinite crônica entre crianças e adolescentes em todo o mundo variam, aproximadamente, entre 15% e 50%.² No Brasil, a prevalência média de sintomas relacionados à rinite alérgica foi 29,6%, entre adolescentes, e 25,7%, entre escolares. Além disso, o Brasil está no grupo de países que apresentam as maiores taxas de prevalência de asma e de RA no mundo.³

A maioria dos indivíduos desenvolve sintomas de RA antes dos 20 anos de idade, com quase metade dos pacientes desenvolvendo sintomas por volta dos 6 anos.4 Entre os fatores de risco mais associados ao surgimento da RA destacam-se a história familiar de doenças alérgicas, sexo masculino, exposição a pólen durante a infância, filho primogênito, uso de antibióticos no início da vida, tabagismo materno, exposição a alérgenos em ambientes fechados, níveis séricos elevados de IgE (>100 UI/mL) antes dos 6 anos de idade e qualquer presença de IgE específica para alérgenos.4 Entre as exposições ambientais relacionadas à doença, os alérgenos mais importantes incluem pólens e fungos sazonais, bem como alérgenos internos perenes, como ácaros, animais de estimação e pragas.¹

Uma vez que o diagnóstico de RA é sugerido pela história e exame físico, a dosagem da IgE específica pode ser útil para corroborar o diagnóstico. A determinação de IgE específica é indicada quando é necessário estabelecer uma causa alérgica para os sintomas do paciente, para confirmar ou excluir causas alérgicas específicas ou para determinar a sensibilidade do alérgeno específico para orientar as medidas de prevenção ou tratamento.2,4 O teste cutâneo para antígenos específicos pode ser feito com segurança no consultório e fornece resultados dentro de 20 minutos com boa sensibilidade e especificidade. Ele é realizado inoculando-se antígenos no subcutâneo do paciente e observando a reação formada ao redor no inóculo. O teste específico de IgE no sangue tem sensibilidade semelhante ao teste cutâneo. A rinoscopia e a tomografia computadorizada podem ser realizadas para diagnóstico diferencial.2,4

O diagnóstico diferencial inclui formas de rinite de origem não alérgica, como rinopatia não inflamatória (também conhecida como rinite vasomotora) e rinossinusite crônica não alérgica¹. Além disso, a rinite alérgica pode coexistir com formas não alérgicas (rinite mista), podendo ser diferenciadas por meio das características atópicas presentes.1

A paciente do caso em discussão recebeu o diagnóstico de rinite alérgica com base na história clínica e nas manifestações apresentadas. Um curso de anti-histamínicos orais associado a furoato de fluticasona intranasal foi iniciado, com melhora do quadro e controle de crises. Essa opção terapêutica se enquadra muito bem para seu perfil, especialmente por sua comodidade posológica, uma vez que a molécula possui maior afinidade e seletividade pelos receptores glicocorticoides (GR) e permite maior tempo e estabilidade de efeito na mucosa nasal, com uma única aplicação diária, e menor absorção sistêmica do fármaco.5 Devido aos sintomas pulmonares prévios, a espirometria foi realizada, não demostrando sinais de obstrução ao fluxo aéreo e asma, sem necessidade de tratamento com medicações inalatórias.1

O tratamento da RA envolve uma abordagem ampla, incluindo medidas de controle ambiental, farmacoterapia e, se indicado, imunoterapia com alérgenos. Os regimes de tratamento devem ser adaptados à gravidade e duração dos sintomas do paciente, levando-se em consideração sua tolerância a medicamentos, custos e preferências pessoais. O principal tratamento consiste na utilização de corticoides nasais e cuidados locais, para alívio dos sintomas e prevenção de recorrência. Quando não há resposta ao tratamento, é necessário confirmar o diagnóstico de RA, certificar-se de que não há exposição a algum antígeno provocador e checar a adesão ao tratamento proposto. A terapia adequada pode melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente e impactar os resultados clínicos de curto e longo prazo.1,4

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Referências bibliográficas: Ícone de seta para baixo
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