Saúde Pública

Risco do excesso de anti-hipertensivos em idosos hospitalizados

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A hospitalização pode ser a oportunidade do médico diagnosticar doenças que o paciente desconhece, bem como ajustar o tratamento de enfermidades cujo controle ambulatorial vinha complicado. Contudo, um estudo recente questiona se o tratamento muito rígido da pressão arterial em idosos pode trazer mais riscos que benefícios.

Os pesquisadores recrutaram idosos internados com pneumonia, infecção urinária ou tromboembolismo venoso e que necessitaram do uso de anti-hipertensivos. Um total de 2074 pacientes foram selecionados, e comparados com outros controles pareados (estudo de caso-controle). A população tinha idade média de 76 anos, quase todos homens, pois se tratava dos hospitais de veteranos de guerra dos EUA; 70% brancos e 25% não usavam anti-hipertensivos antes da internação.

Os resultados mostraram que os pacientes cujos anti-hipertensivos foram aumentados antes da alta, em relação à admissão, apresentaram maior risco de readmissão hospitalar ou eventos adversos graves, mas não mortalidade, IAM ou AVC. Ao analisarem subgrupos, aqueles que internaram com PA normal tiveram maior risco do que aqueles com PA elevada por ocasião da admissão hospitalar.

Qual a mensagem prática?

Durante a internação hospitalar, há vários motivos para aumentos transitórios da PA. Em uma outra reportagem nossa, mostramos que mais de 80% dos aumentos de PA na internação são transitórios e normalizam com simples repouso.

Por isso, antes de ajustar a dose dos anti-hipertensivos do seu paciente, avalie se há causas reversíveis (dor, hipovolemia, estresse). Bem como o histórico prévio de controle da pressão no ambulatório. Pacientes que vinham bem controlados provavelmente podem retornar ao seu esquema usual quando da alta.

 

Referências:

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Publicado por
Ronaldo Gismondi

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