Cardiologia

Risco x benefício do uso de aspirina nos pacientes com FA pós-SCA ou angioplastia [ACC 2020]

Tempo de leitura: 2 min.

O estudo AUGUSTUS, publicado recentemente no congresso virtual do American College of Cardiology (ACC 2020), mostrou que tomar aspirina (AAS) pode resultar em um risco igual entre: maior risco de sangramento versus menor risco de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico por até 30 dias nos pacientes com fibrilação atrial (FA) que apresentaram síndrome coronariana aguda (SCA) e/ou passaram por angioplastia tomando, além do AAS, antagonista de vitamina K (varfarina) ou apixabana.

Riscos da aspirina

Esse foi um estudo retrospectivo que comparou o risco x benefício de se usar aspirina x placebo juntamente com apixabana ou antagonista de vitamina K em 30 dias e em 6 meses após SCA ou angioplastia. O trial envolveu 4614 pacientes, média de idade 71 anos, todos com alto risco tanto para evento isquêmico como para sangramento. A indicação foi SCA com angioplastia em 37% dos pacientes, SCA tratada clinicamente em 24% e angioplastia eletiva em 39% dos casos.

Os resultados mostraram que a aspirina diminui o risco de evento isquêmico na mesma proporção em que aumenta o risco de sangramento em até 30 dias. O risco foi de 2,1% para sangramento grave e de 7,5% para sangramentos maiores no grupo que tomou aspirina vs 1,1% para sangramento grave e 4% para sangramentos maiores no grupo placebo. O risco absoluto para evento isquêmico variou entre 1,7% e 6,7% nos que tomaram aspirina vs 2,6% e 6,8% naqueles que tomaram placebo.

Esses mesmos resultados não se mantiveram após 30 dias. Para sangramento, o risco absoluto variou de 3,7% para 12,1% no grupo aspirina vs 2,5% e 7,2% no grupo placebo. O risco absoluto de eventos isquêmicos foi de 3,8% (eventos graves) e 14,3% (outros eventos) no grupo aspirina vs 4,0% e 14,3% no grupo placebo.

Conclusões

Sendo assim, parece que a mensagem que fica é a de que o uso de aspirina em até 30 dias (associada a um inibidor P2Y12 ou anticoagulante oral) resulta em um mesmo risco para sangramento como para evento isquêmico. Para além de 30 dias, no entanto, o uso de aspirina parece aumentar o risco de sangramento, sem diminuir o risco dos eventos isquêmicos.

Vale, então, guardar essas informações para quando tivermos que decidir com um paciente que tem FA e faz uma SCA e/ou passa por uma angioplastia qual terapia antitrombótica vamos escolher.

Veja mais do ACC 2020:

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Alexander JH, et al. The Risk / Benefit Tradeoff of Antithrombotic Therapy in Patients with Atrial Fibrillation Early and Late After an Acute Coronary Syndrome or Percutaneous Coronary Intervention: Insights from AUGUSTUS. Circulation. 29 Mar 2020 https://doi.org/10.1161/CIRCULATIONAHA.120.046534
Compartilhar
Publicado por
Juliana Avelar

Posts recentes

Poliomielite no século 21: onde estamos?

Apesar de controlada no Brasil, a ocorrência de casos em outros países mantém a possibilidade…

15 horas atrás

Tromboembolismo pulmonar: métodos diagnósticos e tratamento [podcast]

Neste episódio, o Dr. Gabriel Quintino vai falar sobre tromboembolismo pulmonar. Há ainda espaço para…

15 horas atrás

Bloqueio dos nervos ilioinguinal e iliohipogástrico no parto cesariano

Uma revisão sistemática e metanálise teve o objetivo de avaliar a eficácia do bloqueio II-IH…

16 horas atrás

Covid-19: Fiocruz busca voluntários para testar medicamento que pode evitar a replicação do vírus

A Fiocruz está à procura de voluntários para testar o molnupiravir, antiviral que pode evitar…

17 horas atrás

ACSCC 2021: Controvérsias no tratamento do abdômen agudo

Todo o cirurgião geral deve estar familiarizado com urgências abdominais, visto que faz parte do dia…

18 horas atrás

Miocardiopatia chagásica: acompanhamento em longo prazo de indivíduos soropositivos para Trypanosoma cruzi

Pesquisadores realizaram um estudo de coorte a fim de avaliar a mortalidade e incidência de…

19 horas atrás