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Rivaroxabana com ou sem AAS na prevenção de eventos cardiovasculares recorrentes?

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Apesar do uso de estratégias efetivas de prevenção secundária, 5 a 10% dos pacientes com doença cardiovascular apresentam eventos recorrentes a cada ano.

O estudo Cardiovascular Outcomes for People Using Anticoagulation Strategies (COMPASS) foi realizado com o objetivo de testar a hipótese que o uso de rivaroxabana em combinação com aspirina ou administrada em monoterapia é mais eficaz do que a aspirina na prevenção de eventos cardiovasculares recorrentes, com segurança aceitável, em pacientes com doença vascular estável.

O ensaio clínico randomizado, duplo-cego, foi conduzido em 602 centros em 33 países. Participantes (n=27.395) com doença aterosclerótica estável receberam rivaroxabana (2,5 mg duas vezes ao dia) mais aspirina (100 mg uma vez ao dia), rivaroxabana (5 mg duas vezes ao dia) ou aspirina (100 mg uma vez ao dia). A média de idade dos participantes foi de 68,2 anos e 22,0% eram mulheres. Um total de 90,6% dos participantes tiveram história de doença arterial coronariana e 27,3% apresentaram história de doença arterial periférica.

O desfecho primário avaliado foi um composto de morte cardiovascular, acidente vascular cerebral ou infarto do miocárdio. O estudo foi interrompido pela superioridade do grupo rivaroxabana mais aspirina após uma média de seguimento de 23 meses.

O desfecho primário ocorreu em menos pacientes no grupo de rivaroxabana mais aspirina do que no grupo aspirina (379 pacientes [4,1%] versus 496 pacientes [5,4%]; hazard ratio [HR]: 0,76; intervalo de confiança [IC] de 95%: 0,66 a 0,86; p<0,001), mas ocorreram mais eventos hemorrágicos em mais pacientes do grupo rivaroxabana mais aspirina (288 pacientes [3,1%] versus 170 pacientes [1,9%] HR: 1,70; IC 95%: 1,40 a 2,05; p<0,001).

Veja também: ‘AAS na prevenção primária: recomendações e riscos’

Não houve diferença significativa na hemorragia intracraniana ou fatal entre esses dois grupos. Foram observadas 313 mortes (3,4%) no grupo rivaroxabana mais aspirina em comparação com 378 (4,1%) no grupo aspirina (HR: 0,82; IC 95%: 0,71 a 0,96; p=0,01).

Na avaliação dos medicamentos em monoterapia, o desfecho primário não ocorreu em menos pacientes no grupo com rivaroxabana do que no grupo aspirina, mas os eventos hemorrágicos ocorreram em mais pacientes no grupo que recebeu rivaroxabana.

O desfecho secundário composto de acidente vascular cerebral isquêmico, infarto do miocárdio, isquemia de membro agudo ou morte por doença coronariana ocorreu em menos pacientes do grupo rivaroxabana mais aspirina do que do grupo aspirina (329 pacientes [3,6%] versus 450 pacientes [4,9%], HR: 0,72; IC 95%: 0,63 a 0,83; p<0,001).

Conclui-se, portanto, que entre os pacientes com doença vascular estável, aqueles que receberam rivaroxabana mais a aspirina tiveram melhores desfechos cardiovasculares do que os que foram atribuídos à aspirina isoladamente, entretanto a combinação também aumentou os eventos hemorrágicos. A rivaroxabana em monoterapia não resultou em melhores desfechos cardiovasculares quando comparada com a aspirina e resultou em maiores eventos hemorrágicos.

E mais: ‘Rivaroxabana eficaz no tromboembolismo venoso em pacientes com câncer’

Autora:

Referências:

  • Eikelboom JW, Connolly SJ, Bosch J, Dagenais GR, Hart RG, Shestakovska O, et al. Rivaroxaban with or without Aspirin in Stable Cardiovascular Disease. N Engl J Med [Internet]. 2017;NEJMoa1709118. Available from: http://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMoa1709118
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