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Sabe quais são os tipos de Cefaleias Pós-Traumáticas?

Tempo de leitura: 5 minutos.

As cefaleias pós traumáticas estão incluídas na Classificação Internacional das Cefaleias. Elas são dispostas no grupo de cefaleias secundárias, sendo necessário que os sintomas ocorram dentro de ate 7 dias após o trauma como condição inicial para estabelecer o diagnóstico.

Começaremos falando de características comuns entre esse grupo, podendo citar:

1) A prevalência das cefaleias pós-traumáticas é muito variável , vai de 30% a 90%, mostrando ainda a variedade de maneiras como o diagnóstico é realizado em diferentes séries ao redor do mundo. Faltando uma maior uniformidade no diagnóstico. Situação que a Classificação Internacional das Cefaleias tenta resolver.

2) As cefaleias pós-traumáticas paradoxalmente são mais comuns de ocorrer após traumatismo crânio-encefálico leve do que os traumatismos crânio-encefálicos moderado e grave. Evidenciando que a maior intensidade do trauma não se relaciona com uma maior frequência do desenvolvimento de cefaleias pós-traumáticas.

3) A apresentação clínica das cefaleias pós-traumáticas se assemelha a de cefaleias primárias , sendo mais comuns aquelas com sintomas do tipo migranea ou do tipo tensionais.

4) É mais comum em pacientes que já tinham diagnóstico de cefaleias primárias, especialmente aqueles cujas cefaleias se apresentavam de maneira crônica persistente.

5) As cefaleias pós-traumáticas também têm a característica de agravar as cefaleias primárias em aproximadamente 15%.

6) O diagnóstico é clínico, através do preenchimento de critérios estabelecidos na Classificação Internacional das Cefaleias e exames complementares são usados para descartar alguma alteração estrutural decorrida devido ao trauma.

Na Classificação Internacional das Cefaleias, as cefaleias pós-traumáticas estão situadas na categoria de cefaleias secundárias, conforme a Figura 1.

Fig 1. Classificação Internacional das Cefaleias

Entre as cefaleias pós-traumáticas, temos os subtipos :

1) Cefaleia Aguda Atribuída à lesão traumática crânio-encefálica, com os critérios dispostos na Figura 2.

Fig 2. Classificação Internacional das Cefaleias

2) Cefaleia Persistente Atribuída à lesão traumática crânio-encefálica

Esse tipo de cefaleias pós-traumática tem os mesmos critérios da aguda (item 1), porém com diferença no tempo de permanência do quadro. Esse período na Cefaleia Persistente é maior que 3 meses.

Leia mais: Classificação das cefaleias trigêmino autonômicas

Nota: Tanto na Cefaleia Aguda quanto na Persistente são atribuídas à lesão traumática crânio-encefálica encontramos as subdivisões :

• Cefaleia aguda atribuída à lesão traumática crânio-encefálica leve
• Cefaleia aguda atribuída à lesão traumática crânio-encefálica moderada ou grave
• Cefaleia persistente atribuída à lesão traumática leve
• Cefaleia persistente atribuída à lesão traumática crânio-encefálica moderada ou grave

Sendo o fator que diferencia a Escala de Coma de Glasgow que o paciente apresenta no momento do trauma.

3) Cefaleia aguda atribuída à lesão em contragolpe (Whiplash)

Outro tipo de cefaleias pós-traumática. Nesse tipo não há a necessidade de ocorrer um trauma direto, sendo essa cefaleia definida pela ocorrência súbita de movimentos de aceleração e desaceleração da cabeça com flexão e extensão do pescoço. Geralmente ocorre em casos que envolvem veículos .

Seus critérios de diagnostico estar como mostra a figura 3

Fig 3. Classificação Internacional das Cefaleias

4) Cefaleia Persistente atribuída à lesão em contragolpe (Whiplash)

Apresenta os mesmo critérios iniciais da cefaleia aguda atribuída à lesão em contragolpe. Porém, o que as diferencia é o tempo de permanência do quadro de dor. Sendo que na Aguda a dor permanece até 3 meses, enquanto na Persistente o quadro se estende além dos 3 meses iniciais.

5) Cefaleia aguda atribuída à craniotomia

Esse tipo de cefaleias pós-traumática pode ocorrer em 2/3 de todos os pacientes submetidos à craniotomia, sendo mais comum quando a cirurgia é de Base do Crânio. Geralmente esse tipo de cefaleias pós-traumática desaparece logo nos primeiros dias pos operatórios.

Fundamental descartar outras cefaleias secundárias consequentes da cirurgia, antes de classificar como cefaleia aguda atribuída à Craniotomia .(Podemos citar como exemplo-  cefaleia Cervicogênica devido ao posicionamento; Cefaleia por fistula liquórica , hemorragias, hidrocefalia e infecções).
Os critérios diagnósticos são mostrados na Figura 4

Fig 4. Classificação Internacional das Cefaleias

Interessante saber que, quando a craniotomia for realizada devido a um trauma crânio-encefálico, devemos classificar a cefaleias pós-traumática resultante como cefaleia aguda atribuída à lesão traumática crânio-encefálica.

6) Cefaleia persistente atribuída à craniotomia

Mais um tipo de cefaleias pós-traumática, com os mesmo critérios da cefaleia aguda atribuída à craniotomia, porém com tempo de permanência da cefaleia maior que 3 meses. Importante saber que aproximadamente 25% dos pacientes que apresentam cefaleia aguda atribuída à craniotomia irão desenvolver cefaleia persistente atribuída à craniotomia.

Outro fator importante na prática clinica é que sempre que estabelecermos diagnóstico de cefaleia persistente atribuída à craniotomia , devemos descartar que essa permanência da cefaleia não seja devido ao abuso de analgésicos prescritos e tomados desde o pós-operatório imediato, e em alguns casos até mesmo antes da craniotomia. Se for confirmado o uso excessivo de analgésicos, a cefaleia do paciente deve ser diagnosticada como cefaleia por uso excessivo de analgésicos – Fato muito comum na nossa realidade.

Agora sabedores dos critérios diagnósticos das cefaleias pós-traumática, devemos realizar seu diagnostico de forma mais precisa e consequentemente estabelecemos um tratamento mais eficaz.

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Autor:

Franklin Reis

Neurocirurgião ⦁ Especialista em Dor pela FMUSP-SP

Referências:

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