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Saiba os riscos do consumo de álcool na gestação

Colunistas, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Pública
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Tempo de leitura: 2 minutos.

O consumo de álcool é extremamente prevalente em mulheres em idade reprodutiva, o que o torna um agente teratogênico comum. O álcool é considerado uma das causas não genéticas mais frequentes de deficiência intelectual, e é a principal causa de anomalias congênitas evitáveis nos EUA.

Os efeitos da exposição pré-natal ao álcool são irreversíveis e podem variar de acordo com o tempo de exposição, idade gestacional e padrão de consumo. Não existe quantidade segura para o consumo na gravidez; o feto é extremamente vulnerável, visto que o álcool atravessa livremente a barreira placentária.

O álcool é capaz de causar efeitos deletérios em qualquer idade gestacional, principalmente no que diz respeito aos efeitos neurocomportamentais. A exposição no primeiro trimestre está mais associada a anomalias faciais e alterações estruturais maiores; o uso no segundo trimestre aumenta o risco de abortamento espontâneo e o uso no terceiro trimestre está mais associado a alterações de crescimento.

O termo “Distúrbio do espectro alcoólico fetal” é um termo abrangente utilizado para se referir à gama de efeitos que podem ocorrer em um indivíduo exposto ao álcool durante o período pré-natal, o que pode resultar em prejuízos a curto, médio e longo prazo.

Este termo inclui a síndrome alcoólica fetal clássica, síndrome alcoólica fetal parcial, distúrbios de neurodesenvolvimento relacionados ao álcool, distúrbios neurocomportamentais associados com a exposição pré-natal ao álcool e defeitos congênitos relacionados ao álcool.

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A Síndrome Alcoólica Fetal tem uma incidência que varia entre 0,6 a 3 casos a cada 1000 nascimentos. Os critérios diagnósticos são:

  • aspectos faciais dismórficos (fendas palpebrais pequenas e filtro labial hipoplásico/liso e borda superior do lábio fina);
  • comprometimento do crescimento pré e/ou pós natal;
  • anormalidade do sistema nervoso central (estrutural ou neurológica ou funcional).

Outras anomalias congênitas associadas ao consumo do álcool incluem:

  • defeitos cardíacos: anomalia do septo atrial ou ventricular, grandes vasos aberrantes, anomalias cardíacas conotruncais;
  • esqueléticas: sinostose radioulnar, anormalidades de segmentação vertebral, contraturas articulares, escoliose;
  • renais: rins aplásicos ou hipoplásicos, rins displásicos, rim em ferradura, duplicação ureteral;
  • olhos: estrabismo, ptose, anomalias vasculares retinianas, hipoplasia de nervo óptico;
  • ouvidos: déficit auditivo de condução ou neurossensorial;
  • menores: unhas hipoplásicas, clinodactilia, peito escavado/carinado, distúrbios de refração, dentre outros.

Mensagens para casa

  1. O álcool é um teratógeno comum e potente, com efeitos irreversíveis no sistema nervoso central do feto.
  2. Não existe quantidade ou idade gestacional segura para o consumo de álcool na gravidez; é tolerância zero.

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Autor:

Referências:

  • Cunningham et al – Obstetrícia de Williams. 24a edição- Porto Alegre: AMGH, 2016.
  • Riley EP, Infante MA, Warren KR. Fetal alcohol spectrum disorders: an overview. Neuropsychol Rev. 2011;21(2):73-80.

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