Saúde mental durante a Covid-19: campanha visa amenizar os efeitos negativos da pandemia

Tempo de leitura: 3 min.

Uma campanha nacional em conjunto com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), que visa amenizar os efeitos negativos da pandemia da Covid-19 na saúde mental dos brasileiros, foi lançada no último dia 17.

Pelo planejamento inicial, serão veiculados oito vídeos voltados aos seguintes públicos: profissionais de saúde, população idosa, familiares e cuidadores de pessoas idosas, aos pais e cuidadores de crianças.

O primeiro vídeo, que já está sendo divulgado nas redes sociais das suas entidades, busca promover a reflexão sobre os cuidados que os profissionais de saúde devem ter neste momento.

Confira!

Proposta da Campanha

“Nossa prioridade nesta campanha é atender às pessoas que adoecem e os seus familiares, que estão em isolamento social, e, principalmente, os profissionais de saúde que estão na linha de frente”, explica Erno Harzheim, secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde.

Na opinião do secretário, os profissionais de saúde precisam de suporte psicológico para enfrentar essa situação de estresse com saúde mental suficiente para não adoecerem.

Ainda segundo Erno Harzheim, várias iniciativas serão lançadas nesse sentido nos próximos dias, como um grande sistema de telemedicina e telessaúde para o suporte de todos os profissionais da linha de frente do enfrentamento ao novo coronavírus no país.

Ouça também: Saúde mental dos profissionais em tempos de coronavírus [podcast]

Sinais de alerta

Para os profissionais de saúde diretamente ligados ao atendimento de casos de Covid-19, existem alguns fatores estressores, além dos que já ocorrem nos serviços de saúde.

Cuidar desses pacientes pode ter um efeito emocional importante. É comum se sentir sobrecarregado e sob pressão, mas é importante lembrar que o estresse deste momento não significa fraqueza ou incompetência profissional. É tão necessário cuidar da saúde mental quanto da física.

Alguns dos fatores de risco são:

  • Estigmatização por trabalhar com pacientes com Covid-19 e com medidas de biossegurança estritas. Alguns profissionais podem até sofrer hostilidade ou serem evitados por familiares ou pessoas da comunidade;
  • Restrição física de movimentação pelo equipamento;
  • Isolamento físico, dificultando oferecer conforto a alguém que esteja doente;
  • Estado de alerta e hipervigilância constante;
  • Perda de autonomia e espontaneidade;
  • Necessidade de adaptação a novas formas de trabalho;
  • Frustração por não conseguir atender e resolver todos os problemas dos pacientes e do próprio sistema de saúde;
  • Aumento de demanda de trabalho, com maior número de pacientes, de horas em serviço e a necessidade de atualização constante quanto às melhores práticas no tratamento da doença;
  • Redução da capacidade de obter suporte social, pela carga de trabalho pesada;
  • Dificuldade ou falta de energia para manter o autocuidado;
  • Informação insuficiente sobre exposição por longo prazo a indivíduos com Covid-19;
  • Necessidade de orientar amigos e familiares e desmentir boatos e notícias falsas com regularidade;
  • Luto pela perda de colegas de trabalho e pessoas conhecidas;
  • Medo de transmitir a doença a familiares em consequência do trabalho executado;
  • Síndrome de burnout, que reúne a sensação de esgotamento, distanciamento emocional e perda de sentido de realização profissional;
  • Estresse traumático secundário, em que a pessoa apresenta os sintomas de estresse pós-traumático ao entrar em contato com traumas vivenciados por outras pessoas.

Dicas que podem ajudar a lidar melhor com este momento:

  • Permanecer conectado com pessoas queridas, mesmo através de meios digitais;
  • Garantir horas suficientes de sono e descanso entre plantões e atendimentos. Atente-se à qualidade da sua alimentação;
  • Criar um esquema de atividades de cuidados pessoais e de passatempos que goste, quando não estiver cuidando de seus pacientes;
  • Fazer uma pausa na cobertura da mídia sobre a Covid-19;
  • Encontrar oportunidades para conhecer e divulgar histórias positivas e imagens de pessoas que se recuperaram e querem dividir a sua experiência;
  • Reconhecer o próprio esforço que tem feito ao longo dos dias no trabalho, mas compreenda os seus limites de atuação;
  • Conversar com colegas ou outras pessoas confiáveis para obter suporte social;
  • Procurar ajuda psicológica ou psiquiátrica, se sentir que precisa.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Autora:

Referências bibliográficas:

Compartilhar
Publicado por
Úrsula Neves

Posts recentes

ACC.21: o que já sabemos sobre anticoagulantes em pacientes com Covid-19?

Uma sessão inteira do congresso do ACC 2021 foi dedicada à discussão o uso de anticoagulantes…

4 horas atrás

ACC 2021: dapagliflozina seria benéfico em pacientes com Covid-19 e fatores de risco?

Um estudo que avaliou o uso da dapagliflozina na Covid-19 em pacientes com fatores de…

5 horas atrás

ATS 2021: síndrome pós-Covid-19 e reabilitação pulmonar

A síndrome pós-Covid-19 e seu manejo foram temas de uma das sessões do congresso da…

7 horas atrás

ATS 2021: novidades na abordagem de tromboembolismo pulmonar

Uma das temáticas abordadas no ATS 2021 foram as novidades em tromboembolismo pulmonar (TEP), que…

9 horas atrás

ATS 2021: abordagem de nódulos e massas pulmonares – práticas atuais

Um dos principais assuntos discutidos no congresso da American Thoracic Society, ATS 2021, foi nódulos…

11 horas atrás

ACC 2021: oclusão do apêndice atrial em cirurgia cardíaca + anticoagulação pode reduzir risco de AVE?

O estudo LAAOS 3 avaliou se a oclusão do apêndice atrial esquerdo, adicionada à posterior…

1 dia atrás