Saúde Pública

Saúde mental e Covid-19: universitários brasileiros são os mais afetados pela pandemia

Tempo de leitura: 3 min.

Sete a cada dez universitários brasileiros (76%) declaram que a pandemia de Covid-19 trouxe impacto na sua saúde mental, o maior índice registrado em 21 países analisados, segundo uma pesquisa divulgada recentemente. Para a maior parte (87%), houve aumento de estresse e ansiedade. Apenas 21% buscaram ajuda, e 17% declararam ter pensamentos suicidas.

O estudo “Global Student Survey” ouviu 16,8 mil estudantes de graduação, de 18 a 21 anos, entre 20 de outubro e 10 de novembro. A pesquisa foi realizada pela Chegg.org, organização sem fins lucrativos ligada à Chegg, empresa de tecnologia educacional norte-americana.

Outros países, como os Estados Unidos, Canadá e Argentina, também registraram altos índices: 75%, 73%, e 70% respectivamente.

“Os dados globais também destacam a intensa pressão colocada sobre os estudantes em todo o mundo, agravada pela pandemia. Durante a pandemia, esses mesmos estudantes mostraram grande força, foco e determinação para continuar aprendendo e lutando pelo futuro. Eles merecem um grande elogio e reconhecimento por nunca desistir”, escreveu Lila Thomas, diretora de impacto social do Chegg e chefe da Chegg.org, no prefácio do relatório.

Em maio de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já havia realizado um alerta sobre a crise de saúde mental provocada pela pandemia.

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Ansiedade

A pesquisa aponta que 61% dos universitários brasileiros ouvidos no estudo afirmaram ter dificuldade para pagar as contas, como quitar serviços públicos (luz e água), 25% com alimentação, 25% com contas médicas, e 19% com aluguel ou hipoteca. A média entre os demais países é de 53%.

Os autores do relatório destacam que os três principais desafios que a geração irá enfrentar são o aumento da desigualdade (34%), a dificuldade de ter acesso a empregos de qualidade (24%) e garantir educação a todas as crianças (14%).

A pesquisa também indica que 39% dos entrevistados dizem que o Brasil é um bom país para se viver, a terceira pior taxa, atrás de Argentina (16%), Rússia e México (os dois com 37%). Quase metade dos estudantes brasileiros (48%) afirma que o país está pior do que há cinco anos.

Leia também: “Coronofobia”: o impacto da pandemia de Covid-19 na saúde mental

“Em todo o mundo, os estudantes nos disseram claramente que os maiores problemas enfrentados por sua geração são o acesso a empregos de boa qualidade e a crescente desigualdade. Lidar com esses desafios é mais importante do que nunca após a devastação econômica causada pela Covid-19, e a educação é a chave para isso”, afirma Lila Thomas, diretora de impacto social da Chegg e presidente da Chegg.org.

Dados globais

A pesquisa também aponta que, entre todos os países pesquisados, 65% dos estudantes disseram que prefeririam ter a opção de mais aulas on-line, caso o valor das mensalidades fosse reduzido. No Brasil, esse índice é de 45%.

Quase metade (48%) de todos os entrevistados afirma que gostaria que a universidade incorporasse mais recursos de aprendizagem on-line, contra 34% que não gostariam. Em 14 dos 21 países, há mais estudantes inclinados a aceitar este tipo de recurso. No Brasil, não. A pesquisa indica que 51% não aprovariam mais recursos on-line, e apenas 14%, sim.

Um terço (33%) de todos universitários ouvidos afirmam não acreditar que vivem em uma sociedade aberta, livre, que apoia a diversidade e os menos afortunados, e oferece oportunidades iguais a todos. No Brasil, esse índice é de 70%, o maior entre todos os países pesquisados.

Três em cada dez (31%) estudantes de todos os países pesquisados têm dívidas ou empréstimos relacionados aos estudos universitários. A proporção de estudantes com dívidas tende a ser consideravelmente menor nos países da Europa continental (11%) e latino-americanos (12%) pesquisados em comparação com países anglo-saxões (61%). No Brasil, o índice é de 13%.

Segunda pesquisa

Uma segunda pesquisa, desta vez realizada pela Rede de Mentes Saudáveis ​​para Pesquisa sobre Saúde Mental de Adolescentes e Jovens Adultos, nos Estados Unidos, também encontrou aumentos nas taxas relatadas de depressão entre estudantes durante a pandemia.

Veja mais: Saúde mental durante a crise por Covid-19: recomendações da OMS

Dados do outono de 2020 divulgados recentemente envolvendo 33 mil alunos em 36 faculdades e universidades revelaram que 47% dos alunos tiveram triagem positiva para sintomas clinicamente significativos de depressão ou ansiedade. E 83% relataram que sua saúde mental havia impactado negativamente seu desempenho acadêmico no último mês.

Sarah Ketchen Lipson, co-investigadora principal do Estudo Nacional de Mentes Saudáveis ​​e professora assistente de legislação, política e gestão de saúde na Universidade de Boston, descreveu esse resultado como “um grande aumento em relação ao que vimos no passado”.

“Do ponto de vista da pesquisa, é bom ter mais e mais dados e fontes de informação à medida que a pandemia avança. Acho que todas essas fontes de dados estão mostrando altos níveis de angústia e, em particular, depressão e ansiedade entre adolescentes e jovens adultos. Acho que continuar a obter mais e mais fontes de dados é realmente valioso para o avanço do conhecimento e para defender a necessidade de serviços de saúde mental”, disse Sarah Lipson sobre a pesquisa Chegg.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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