Saúde Mental

Saúde mental e o cuidado integral à saúde do homem

Tempo de leitura: 3 min.

Em 2008, através da Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, um programa de extrema necessidade para os brasileiros foi criado para cuidar da saúde dos homens, foi criada a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem – princípios e diretrizes PNAISH. Essa política foi uma grande iniciativa política e assistencial para atingir um público que possui grande epidemiologia em morbimortalidade no Brasil.

As discussões iniciais sobre tal necessidade se iniciaram nas academias de todo Brasil. E, por meio do resultado da discussão entre diversos atores sociais constituíram documento identificando o real problema de saúde pública. A condição cultural que alicerça uma condição que impede o homem de buscar cuidado é um dos maiores enfrentamentos da politica. Assim, a política busca dentre outras coisas fazer com que a assistência à saúde chegue a esse público de maneira integral e universal.

Leia também: Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra

Os agravos à saúde do homem são diversos. Na literatura facilmente podemos encontrar a vulnerabilidade do homem, desde a busca ao serviço de saúde até a real condição de entrada por meio da alta complexidade, principalmente por meio da cronificidade de doenças. A realidade é que o homem apenas busca o serviço de saúde depois do agravamento de quadros de saúde que poderiam ser contornados por medidas simples e baratas para o sistema de saúde.

Moura et.al. (2014) revela que as crianças e as mulheres sempre tiveram mais atenção do serviço de saúde, essa prioridade fez com que um índice muito reduzido de atendimentos a homens fosse realizados anualmente no Brasil. Mas esse panorama tem mudando, justamente por medidas de promoção da necessidade do atendimento e por meio da educação em saúde e direcionada a saúde do homem no sentido preventivo. A PNAISH objetiva facilitar esse acesso ao serviço de saúde pelo homem. Além disso, busca o enfrentamento dos fatores de risco dessa população.

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A prevenção é fundamental

A média brasileira de mortalidade é alta, os homens chegam a viver menos 7 anos do que as mulheres no Brasil. As causas mais comuns de morte estão relacionadas ao comportamento do homem na sociedade, ao pouco cuidado com a saúde e a condições de trabalho. Acidentes de trânsito, e doenças crônicas, principalmente as cardiovasculares e Câncer promovem essa estatística.

De acordo com Schwarz et al.(2012) após avaliação epidemiológica realizado por órgãos públicos no Brasil as lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas; doenças do aparelho digestivo; doenças do aparelho circulatório; algumas doenças infecciosas e parasitárias; doenças do aparelho respiratório; transtornos mentais e comportamentais; e neoplasias são os maiores problemas de saúde pública relacionado aos homens no Brasil.

Como modificar tais dados epidemiológicos que vêm assolando a população masculina há anos?

Bom, medidas de prevenção dos indicadores pode ser a melhor saída. Vejamos alguns:

  • Estimular a adoção de hábitos saudáveis;
  • Pratica atividade física e ter boa alimentação;
  • Controlar a ingestão de alimentos impróprios a saúde e bebida alcoólica, assim como outras drogas;
  • Realizar exames de rotina;
  • Evitar comportamento de risco;
  • Discutir medidas educacionais para a redução da violência;
  • Aferir a pressão com regularidade, visto os altos índices de doenças cardiovascular;
  • Cuidar da saúde sexual, uma vez que as ISTs possuem maior epidemiologia nos homens;
  • Homens com mais de 45 anos e histórico familiar realizar o exame de próstata que possui alta epidemiológica na morbimortalidade.

Veja também: Conquistas da enfermagem em meio à pandemia de Covid-19

Câncer de próstata

Sobre o câncer de próstata, é importante compreender que a prevenção pode ser a saída para esse mal. Alguns sintomas como dificuldade de urinar, diminuição no volume e sensação de esvaziamento da bexiga, assim como dor ao urinar podem ser sintomas da hiperplasia prostática. Lembre-se que no Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma). O serviço de saúde deve ser acionado imediatamente.

Por isso, a necessidade de homens nessa faixa etária necessitarem de um acompanhamento com a equipe de saúde do seu território. A estratégia da família é um dispositivo que pode evitar a maioria das complicações a saúde do homem. Atividades de educação a saúde podem ser realizadas na comunidade desde a escola até individualmente cadastrado a população e identificando os fatores de risco relacionados.

Ações de enfermagem

O enfermeiro deve sempre estar atento ao mapeamento dos homens na comunidade. As campanhas de prevenção devem chegar aos lares e a construção de saúde deve ser social e educacional. Dessa forma, há possibilidade de integrar assistência com o ideal da política que visa a saúde integral do homem.

Essas diversas facetas da proposição da integralidade vão além de assistência direta, mas estimulam o cuidar de si e o cuidar do outro. Estamos em um momento social que as políticas públicas de saúde precisam ser efetivadas e a construção social pode ser o único caminho para isso.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Amorim VMSL, Barros MBA, César CLG, Goldbaum M, Carandina L, Alves MCGP. Fatores associados à realização dos exames de rastreamento para o câncer de próstata: um estudo de base populacional. Cad Saude Publica, 27(2):347-56, 2011.
  • Couto MT, Pinheiro TF, Valença O, Machin R, Silva GSN, Gomes R, et al. O homem na atenção primária à saúde: discutindo (in) visibilidade a partir da perspectiva de gênero. Interface (Botucatu), 14(33):257-70, 2010.
  • Schwarz E et al. Política de saúde do homem. Rev Saúde Pública 2012;46(Supl):108-116 https://www.scielosp.org/pdf/rsp/2012.v46suppl1/108-116/pt
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Publicado por
Rafael Polakiewicz

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