Sedentarismo pode aumentar o risco de morte por câncer?

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O sedentarismo está associado a doenças como o diabetes, doença cardiovascular, e a um aumento global de mortalidade. Sabe-se ainda pouco sobre como objetivamente o sedentarismo afeta a mortalidade por câncer (revisão publicada em 2015 sugere aumento do risco de morte por câncer em 13%) e eventualmente como a atividade física pode melhorar este desfecho. Entretanto, o câncer é uma das maiores causas de morte entre americanos e sabemos que até 50% desses cânceres são preveníveis a partir de hábitos de vida saudáveis.

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Sedentarismo e risco de câncer

A American Cancer Society recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física de moderada a forte intensidade por semana, mas estima-se que apenas 25% dos americanos cumpram esta meta. Por aqui certamente não temos números melhores.

Pesquisadores do MD Anderson Cancer Center e de outros centros americanos resolveram reexaminar dados coletados de um estudo epidemiológico foi conduzido com cerca de 8.000 adultos de 45 anos ou mais, brancos ou pretos, incluídos entre 2003 e 2007 no Reasons for Geographic and Racial Differences in Stroke (REGARDS) Study, mas sem diagnóstico prévio ou em tratamento para qualquer tipo de câncer.

A atividade física de intensidade leve (AFIL) como andar devagar, passear, o tempo sentado e a atividade física de intensidade moderada-vigorosa (AFIMV) foram aferidas com um acelerômetro (cinto usado na altura do quadril), usado por pelo menos 7 dias consecutivos se possível por cerca de 16 horas. Muitos dos participantes passavam em torno de 13 a 16 horas do dia numa cadeira ou praticamente inativos! Mas outros caminhavam, passeavam, ajudavam nas tarefas domésticas, faziam jardinagem, e outros, claro, faziam exercício! Os participantes foram divididos em 3 grupos conforme a intensidade da atividade (ou inatividade!).

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Dos 8.000 participantes, 45% eram homens e a média de idade era de 69 anos. Num seguimento de cerca de pouco mais de 5 anos, a mortalidade por câncer foi de 3,3%. Quanto maior o tempo de sedentarismo maior o risco de morte. Ajustadas as variáveis estatísticas que poderiam confundir (o IMC médio era de 28 nos 2 grupos por exemplo consumo de álcool era semelhante, mas havia um pouco mais de fumantes e de cardiopatas no grupo que faleceu), a mortalidade foi 45% ou 55% maior nos indivíduos conforme a “intensidade” do sedentarismo. No grupo mais inativo o risco foi 80% maior! No entanto, “trocar” o sedentarismo por 30 minutos de AFIL já reduz o risco de morte em 8% e se for por AFIMV o risco cai 30%!

Nesta coorte de pacientes o sedentarismo medido pelo acelerômetro apareceu como um fator de risco de morte por câncer per se. Esses achados devem estimular uma mensagem de saúde pública para os adultos que “sentar menos” promove boa saúde e longevidade, e que “trocar o sedentarismo” por 30 minutos diários de AFIL ou AFIMV pode sim reduzir o risco de morte por câncer!

Limitações

Os autores ressaltam que o estudo tem uma série de limitações. Uma vez que não tiveram acesso a todos os detalhes sobre os tratamentos e características dos cânceres observados, e imagina-se que o sedentarismo tenha impacto negativo e o exercício tenha benefício em alguns tipos de câncer, mas obviamente não todos. O seguimento também foi curto e o acelerômetro usado não conseguiu distinguir a posição sentada vs em pé, o que pode ter superestimado o sedentarismo.

Conclusão

No final das contas, a mensagem principal é de que a atividade física, mesmo que de leve intensidade e por pouco tempo, já pode reduzir o risco de morte por câncer… e não estamos pedindo para correr uma maratona!

Leu este texto sentado? Então… levanta e anda! Está esperando o quê?

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Referências bibliográficas:

  • Gilchrist SC, Howard VJ, Akinyemiju T et al. Association of Sedentary Behavior With Cancer Mortality in Middle-aged and Older US Adults, JAMA Oncol. Published online June 18, 2020. doi:1001/jamaoncol.2020.2045
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