Semana de Telemedicina: O que é importante lembrar na anamnese em uma teleconsulta?

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O avanço da pandemia por Covid-19 e seu alto grau de transmissibilidade forçaram medidas de distanciamento social por parte das autoridades. Com muitos pacientes isolados em seus domicílios, a necessidade de garantir atendimento médico sem a necessidade de ida a uma unidade de saúde cresceu, principalmente para aqueles considerados como sendo de “grupo de risco”.

Como consequência, as iniciativas de consultas remotas, realizadas por vídeo, foram fortalecidas e se solidificaram. Os sistemas de saúde vêm se adaptando a essa nova tendência, bem como os pacientes. Mas enquanto aos médicos? Quais adaptações o médico deve incorporar em uma teleconsulta? Dado ao limitado alcance que o exame físico possui em uma consulta por vídeo, uma anamnese bem feita, com suas respectivas adaptações, ressalta-se como um instrumento essencial para a garantia de um atendimento de qualidade.

Com o objetivo de ajudar nesse novo modelo e trazer os principais aspectos, estamos realizando, aqui no Portal PEBMED, a Semana de Telemedicina! Hoje vamos falar sobre a anamnese.

Anamnese na telemedicina

Tendo em vista possíveis ruídos de comunicação causados por dificuldades de conexão, “lags” e outros problemas durante uma teleconsulta, o médico deve reforçar ainda mais suas técnicas de habilidade de comunicação. Iniciar a anamnese com perguntas abertas, como “como posso lhe ajudar hoje”, ou “você tem algum problema de saúde?”, ouvir o paciente falar por, pelo menos, 2 minutos sem interrupção, é essencial para que as informações fluam de maneira ampla, diminuindo a chance de que novas demandas sejam trazidas nos momentos finais da consulta.

Esse momento inicial é importante para que o médico organize e priorize as queixas do paciente, reduzindo os impactos de possíveis falhas técnicas.

Alguns estudos apontam que a comunicação não verbal do médico é ressaltada durante uma consulta por vídeo. Portanto, o médico deve permanecer com uma postura de atenção durante a fala do paciente, avisando caso seja necessário tomar notas ou olhar exames. Da mesma maneira, é importante o médico observar o paciente durante a coleta da história, de maneira identificar possíveis alterações visuais como parecer estressado, incomodado ou desconfortável ou ter falta de ar ao falar.

As teleconsultas não são indicadas para atendimento de casos graves. Por isso, a identificação de sinais de alarme para doenças graves deve fazer parte das perguntas realizadas durante a anamnese. A queixa principal e a história do paciente devem guiar essa busca, sem esquecer de levar em consideração a possibilidade de Covid-19. Alguns exemplos de perguntas que pesquisam sinais de alarme são: “Está urinando regularmente?”, “Está comendo e bebendo normalmente?” “Possui dor de cabeça intensa?”, “Apresenta rigidez na nuca?”, “Possui manchas vermelhas na pele que não desaparecem com pressão em cima?”.

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Diferente de uma consulta presencial, onde a queixa direciona o exame físico como fonte confiável de informações, a teleconsulta traz a necessidade de um maior detalhamento da anamnese. A pesquisa de hábitos de vida, como os alimentares, deve ser aprofundada a fim de conduzir a orientações adequadas mesmo sem a aferição da pressão arterial, por exemplo.

O entendimento detalhado sobre queixas de dor, por exemplo, também tem sua importância reforçada em uma consulta por vídeo. Mais do que nunca, o relato do paciente sobre sua localização, intensidade, fatores de melhora e piora, irradiação, descrição (pontada, queimação, aperto etc) e outras características serão o principal definidor da conduta.

Além disso, as condições clínicas que cada paciente apresenta também devem guiar o médico em busca de informações através de perguntas fechadas específicas, sem necessariamente aguardar que o paciente traga uma queixa. Um paciente diabético, por exemplo, deve ser abordado ativamente sobre sintomas de hipoglicemia, como formigamentos ou escurecimento de visão.

A telemedicina traz consigo novos desafios e necessidades de adaptações. O exame físico por vídeo, sem dúvidas, é limitado e exige uma maior atenção do médico à história colhida. Contudo, apesar de chamarmos de “adaptações”, podemos perceber que as características recomendadas para uma boa anamnese por vídeo são, na verdade, as mesmas que aquelas que compõem o que se entende por uma boa anamnese em qualquer ambiente.

Portanto, podemos simplesmente dizer que o médico nas teleconsultas deve, como sempre, mas mais do que nunca, manter-se atento para garantir a realização de uma anamnese de qualidade.

Mais da Semana de Telemedicina: Como emitir o certificado digital para atendimento online?

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A Semana de Telemedicina está só começando e ainda teremos muito mais sobre o assunto! Além dos textos especiais, realizaremos, na quarta-feira, dia 22, uma live no instagram (@pebmed_apps), às 20h, onde nossos médicos tirarão todas as suas dúvidas sobre esse modelo de atendimento!

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Referências bibliográficas:

  • PYGALL, S-A. Triagem e consulta ao telefone: estamos realmente ouvindo? Porto Alegre: Artmed, 2018.
  • GREENHALGH, T.; MORRISON, C.; HUAT, G. K. C. Trad. por Donavan de Souza Lúcio e Silva Costa. Consultas por vídeo: um guia prático. University of Oxford, 2020.
  • SCHMITZ, C. A. A. et al.. Teleconsulta: nova fronteira da interação entre médicos e
    pacientes. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Rio de Janeiro, v. 12,
    n. 39, p. 1-7, jan./dez. 2017.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Guia metodológico para programas e serviços em telessaúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2019.
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