Saúde Pública

Sete em cada dez pacientes recebem informações falsas de diagnósticos na internet

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É muito comum o atendimento a pacientes que já trazem de casa uma série de informações (muitas vezes falsas) sobre os sintomas que estão sentindo ou o nome da provável doença que pensa possuir, não é verdade?

Hoje em dia, o chamado “Dr. Google” é um fenômeno mundial, que atrai também os brasileiros. Basta uma dor de cabeça ou um mal-estar para as pessoas acessarem a internet para pesquisar sobre o tema.

Mas, o que pode parecer uma facilidade em conseguir informações sobre doenças também é um dos maiores vilões. Uma vez que a pessoa lê as informações, se identifica com os sintomas descritos e, por conta disso, acredita que a condição ou enfermidade abordada ali corresponde ao seu caso, isso se torna um problema. E isso é altamente perigoso porque estimula a prática da automedicação, entre outros riscos.

Pesquisa Doctoralia

A Doctoralia, plataforma líder global do setor de agendamento de consultas, realizou pesquisa com 570 médicos registrados. Ela mostrou que 73% deles receberam algum questionamento de seus pacientes no último ano sobre saúde que, ao final, descobriu-se ser apenas um boato. Mais do que isso, 72% dos médicos notaram um aumento desses casos. Ou seja, cada vez mais as pessoas procuram diagnósticos na internet e recebem informações que não são verdadeiras.

Por exemplo, uma simples dor de cabeça pesquisada em sites da internet pode trazer diversos diagnósticos. Por exemplo, febre, dengue, meningite, AVC e tantas outras patologias que podem preocupar sem necessidade ou passar uma falsa sensação de tranquilidade ao paciente.

E esse comportamento está fazendo com que os médicos fiquem cada vez preocupados com os conhecidos como “cibercondríacos”. Ou seja, os pacientes que se autodiagnosticam por meio de pesquisas na internet.

“Os riscos vão desde a redução da taxa de vacinação, fato que pode ser observado em vários países, até ao aumento das compras de substâncias sem utilidade prática para a melhoria da saúde da família. Além de outros efeitos colaterais que os profissionais de saúde tentam resolver em suas consultas”, destaca Carlos Eduardo Spezin Lopes, CEO da Doctoralia.

Ao tomar as informações obtidas em fontes duvidosas da Internet como verdade, os pacientes podem ter conclusões erradas a respeito do seu quadro de saúde. Além disso, podem atrasar a ida a uma consulta médica, a conclusão de um diagnóstico correto e o início do tratamento adequado.

Leia mais: Médico online: o que é permitido ou não nesse tipo de atendimento

Cinco especialidades mais buscadas em 2018

  1. Ginecologia.
  2. Psicologia.
  3. Dermatologia.
  4. Endocrinologia.
  5. Psiquiatra.

Dez doenças mais buscadas na Doctoralia Brasil em 2018

  1. Câncer de estômago.
  2. Mioma.
  3. Depressão.
  4. Fígado gorduroso.
  5. Pólipos do intestino grosso (cólon e reto).
  6. Dor no nervo ciático.
  7. Anemia.
  8. Galactorreia.
  9.  Nódulo Pulmonar.
  10. Dermatite.

Como escolher a fonte de consulta na internet?

“Todo site sério sobre saúde ressalta, de uma forma ou outra, que as informações contidas ali não substituem uma consulta médica. E as informações sobre doença disponíveis online, muitas vezes, são tratadas como diagnóstico pelo usuário”, aponta Frederic Llordachs, médico cofundador da Doctoralia.

Ainda de acordo com a pesquisa, 87% dos médicos atribuem esse aumento aos novos canais de comunicação imediatos (WhatsApp, redes sociais, etc) que permitem a difusão mais rápida dos boatos. Os motivos que levam as pessoas a pesquisarem os seus sintomas na internet vão desde a comodidade até a ansiedade, passando pela dificuldade de atendimento.

Sobre as maiores dúvidas, os médicos puderam escolher mais de um tema na resposta, e entre os entrevistados, os maiores boatos surgem sobre as terapias alternativas. Nesse contexto, 62% dos profissionais são procurados por dúvidas dessa natureza. Em segundo lugar, ficam as dúvidas sobre alimentação (45%), seguidas de questões sobre câncer (38%), efeitos adversos de medicamentos (34%), sexualidade (15%), dores (11%), intoxicação por medicamentos (10%) e outras naturezas que somam 7% dos questionamentos.

Veja também: Agendamento online: a revolução na marcação de consulta

Entretanto, nove a cada dez médicos acreditam que os pacientes deveriam receber formação para distinguir os boatos das informações verdadeiras. “Além de informações que podem estar erradas, ainda há casos em que a informação passada por um parente ou amigo ganha um ar de credibilidade falso e perigoso. Mesmo quando um diagnóstico é realizado em consultório, nem sempre é conclusivo e rápido, ou seja, a saúde merece atenção e cuidado”, explica Frederic Llordachs

A plataforma alerta que o serviço não substitui uma consulta médica, mas conectando pacientes e profissionais de saúde, proporciona o acesso seguro à informação sobre saúde na internet.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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